“Todos nós, associados ou não, temos um interesse em comum: desvendar a psicologia da ansiedade. A esperança renasce quando sentimos que existe alguém do outro lado quando precisamos de ajuda. No fundo, é para isso que existimos. Foi por isso que criámos esta associação que pretende apoiar e formar quem lida de perto com o problema da ansiedade”, começa por dizer Ana Santos, presidente da Associação Portuguesa das Perturbações da Ansiedade (APPA), à MAGG.

A APPA, uma organização sem fins lucrativos, não é mais uma associação que visa o apoio às doenças mentais. A APPA tem o seu foco na ansiedade, que já é considerada por muitos como a epidemia do século XXI. É, assim, a primeira associação em Portugal exclusivamente dedicada a esta perturbação.

A ansiedade é uma reação natural do ser humano ao stresse do dia a dia. Assim, só podemos referir-nos à patologia quando a ansiedade impede que uma pessoa faça o seu quotidiano normalmente. Segundo a Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, só se pode falar em perturbações de ansiedade “quando existe um medo e ansiedade desproporcionados, que perduram há pelo menos seis meses e que têm um verdadeiro impacto na vida quotidiana.”

Teresa Fortes (esquerda), psicóloga, e Ana Santos (direita), assistente social, são as responsáveis pela criação da APPA

“Sabemos que esta é uma área que carece de alguma informação. É preciso clarificar, desmistificar e esclarecer“, afirma Teresa Fortes, vice-presidente da APPA. Este foi um dos motivos que levou à criação, num primeiro momento, de um grupo de partilha no Facebook, e depois da própria associação. Pensada desde abril de 2018, a APPA foi legalmente fundada em outubro do mesmo ano. Atualmente, já conta com um grupo de associados, como utentes, técnicos da área social e psicológica e profissionais de outras áreas. Ana Santos e Teresa Fortes foram as responsáveis que, sendo duas profissionais da área social, tinham um objetivo em comum: apoiar quem sofre de ansiedade.

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Uma das nossas ‘ansiedades’ relaciona-se com a falta de recursos e respostas por parte do Sistema Nacional de Saúde (SNS) e pelos preços praticados nos privados, que são incomportáveis para a maior parte das pessoas”, refere Ana Santos, assistente social de formação.

“A necessidade de criar a associação surgiu a partir de um conjunto de preocupações e lacunas atendendo ao número crescente de casos de ansiedade diagnosticados na sociedade.” Teresa Fortes, psicóloga de formação, considera que são várias as carências existentes no âmbito da ansiedade, como a escassez de uma intervenção precoce, de respostas adequadas por parte do plano nacional de saúde e de um tratamento adequado, bem como a falta de cuidados primários e a insuficiência de assistentes sociais e psicólogos no SNS.

Para ir ao encontro de todas estas necessidades, a APPA disponibiliza consultas clínicas a preços acessíveis, de acordo com o rendimento do agregado familiar. Os preços podem variar dos 7,50€ aos 30€. Antes da consulta clínica é realizado um primeiro atendimento. O contexto socioeconómico do utente é avaliado e é direcionado para uma intervenção clínica adequada ao seu caso.

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“Embora o nosso projeto ainda esteja numa fase embrionária, as perturbações de ansiedade mais recorrentes em consultório são a perturbação de ansiedade generalizada, a perturbação de pânico, a perturbação de ansiedade social e a agorafobia”, revela Ana Santos. O público que recorre à APPA está entre os 25 e os 50 anos. Ainda assim, refere que pretendem chegar a um público mais jovem, como as crianças em idade pré-escolar e escolar.

As exigências da sociedade atual e do mundo “apressado” em que se vive possibilitam o aparecimento das perturbações da ansiedade. “Dando o exemplo dos mais jovens. Muitas vezes são sujeitos a certas exigências dos pais que projetam as suas próprias expetativas nos seus filhos, causando-lhes ansiedade e alguma frustração por não conseguirem alcançar os seus objetivos”, exemplifica Teresa Fortes.

No entanto, a psicóloga entende que, para além desta conjuntura atual, muitos dos sintomas da ansiedade têm a sua origem na infância “durante a qual a criança cria alicerces ao nível emocional, da sua autoestima, atendendo à relação com as sua figuras de referência.”

Workshops e tertúlias junto da comunidade local no âmbito da psicologia da ansiedade são os métodos levados a cabo por Ana Santos e Teresa Fortes para combater o estigma associado às doenças do foro mental que acreditam ainda existir. É sobretudo para “desmistificar crenças e mostrar como lidar com o problema”, refere Ana Santos.

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Os cuidadores informais estão também inseridos, futuramente, na esfera de ação da APPA. “Pretendemos promover grupos de autoajuda e apoiar os cuidadores informais e formais que lidam diariamente com este tipo de situações”, concluiu Teresa Fortes.

A Associação Portuguesa das Perturbações da Ansiedade está localizada na Alta de Lisboa, em Lisboa. As marcações podem ser feitas presencialmente, por email ou pelo página de Facebook.