Geninha Varatojo tem quatro filhos. “Uma boa parte da minha vida foi preenchida a alimentar e a educar crianças”, escreve na primeira linha de um livro lançado na próxima segunda-feira, 25 de março, pela Manuscrito, no qual reúne conselhos e receitas para grávidas, bebés e crianças. Ou, na verdade, para todos, que isto de pensar na comida mais adequada a cada fase da vida não tem idade mínima nem, por outro lado, prazo de validade.

Escolheu como título “Comida Macrobiótica para Toda a Família” porque, em 240 páginas, há desde dicas de alimentação para quem está ainda a pensar engravidar, para quem já está numa fase avançada da gestação, mas também para bebés, crianças e, no último capítulo, para toda a família.

“Comemos para sobreviver e não para viver plenamente”, lembra a mulher de Francisco Varatojo, o mestre da macrobiótica em Portugal que morreu em 2017 durante a prática de mergulho. Desde aí, Geninha e os quatro filhos, Sofia, Marta, Joana e Francisco, têm assegurado a continuidade do Instituto Macrobiótico, com Geninha à frente do curso anual de culinária e dos workshops, sempre que possível virados para a sua área de eleição: a educação e alimentação infantil.

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“Quando os meus filhos eram pequenos, recordo-me de que os outros pais e as educadoras me perguntavam a razão pela qual eles poucas vezes adoeciam”, conta Geninha no livro, dando como resposta a alimentação que tinham em casa. Alimentação essa livre de laticínios, carne e açúcar, privilegiando os cereais, os legumes e fruta da época, as leguminosas e os frutos secos.

A par disso, e cumprindo as orientações macrobióticas, Geninha sempre deu preferência aos remédios caseiros, evitando idas à farmácia, ainda que saliente a importância de um acompanhamento médico adequado.

“Todos os meus filhos tiveram sarampo e varicela, por contágio na escola ou através de amigos, e também algumas dores de ouvido. Nestes casos ficavam em casa em recuperação, talvez um pouco mais de tempo do que as outras crianças, porque não tomavam quaisquer medicamentos. Utilizei sempre os remédios caseiros e mezinhas de antigamente”, explica Geninha, ao abrir o capítulo do livro dedicado às receitas naturais para as doenças mais comuns das crianças.

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Escolhemos alguns dos sintomas e doenças que mais vezes fazem as crianças ficar de quarentena e apresentamos-lhe as soluções que Geninha usou nos filhos que, se bem se lembra, era tão raro ficarem doentes que todos queriam saber os segredos da família Varatojo, agora revelados em livro.

Sarampo

Os sintomas mais frequentes são febre, tosse seca, conjuntivite, garganta inflamada, congestão nasal e pequenas manchas na pele.

A criança deve ficar em casa de repouso, mantendo-se o ambiente húmido e um pouco escuro. Em caso de febre, prepare sumo de maçã morno para beber, compressas frias na testa com água, tofu ou folhas de couve.

A alimentação deve ser mais leve, como cremes de arroz ou de outros cereais escaldados ou cozinhados ao vapor.

Sumo de maçã:

Basta ralar uma maçã, espremer o sumo e levar ao lume para amornar.

Creme de arroz: 

Meia chávena de chá de arroz integral demolhado
Meia chávena de chá de arroz glutinoso demolhado
6 a 8 chávenas de água
1 colher de sobremesa de sultanas

Coloque todos os ingredientes numa panela, deixe levantar fervura e cozinhe durante 50 a 60 minutos em lume brando. Triture ou passe pelo passe-vite.

Emplastro de tofu:

Esmague o tofu até obter uma pasta, junte um pouco de farinha para ligar e coloque na testa. Cubra com um pano de algodão e deixe ficar cerca de duas horas

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Varicela

Os sintomas podem ser febre, falta de apetite e o aparecimento de manchas vermelhas na pele que podem provocar comichão.

É importante manter as mãos limpas e as unhas cortadas para evitar uma maior propagação.

A comida deve ser suave, mais simples, sem grandes temperos e cremosa. Evite comida preparada com gordura e doces, para uma recuperação mais rápida.

Em caso de febre, ofereça sumo de maçã morno ou kuzu com sumo de maçã, duas a três vezes ao dia.

Para ajudar a aliviar a comichão, prepare um creme com quatro partes de azeite e uma parte de glicerina. Misture e aplique em todo o corpo depois de um banho morno.

Creme de kuzu:

É uma infeção nos brônquios comum nas crianças até aos 2 anos. Dissolva uma colher de sobremesa de kuzu numa mistura de meia chávena de chá de água fria e meia chávena de sumo de maçã. Leve ao lume mexendo sempre até que fique transparente e um pouco espesso.

Bronquiolite

Em caso de febre, hidrate o bebé ao longo do dia com água fervida, sumo de maçã morno e chá de camomila ou raiz de lótus. Utilize soro fisiológico para lavar as narinas, lave bem as mãos antes de pegar no bebé e desinfete os brinquedos.

Chá de raiz de lótus:

Demolhe cinco a seis rodelas de raiz de lótus seca durante cerca de 30 minutos. Retire-as da água e pique-as bem miudinhas. Esmague ou triture com a varinha mágica e leve ao lume com a água da demolha. Deixe ferver, baixe o lume e deixe cozinhar durante dez minutos. Coe o líquido e beba ainda quente.

Há pais que colocam os filhos saudáveis em contacto com crianças com varicela

Otite

É uma infeção no ouvido e está geralmente associada à acumulação de secreções no canal auditivo. Pode ter como causa gripes, constipações, mergulhos em piscinas ou até uma alimentação rica em laticínios, farinhas e açúcares refinados, que criam excesso de mucosidade nas vias respiratórias.

Experimente esfregar as mãos uma contra a outra até aquecerem. Coloque a palma da mão em cima do ouvido da criança e deixe ficar algum tempo.

Para ajudar na dor e inflamação experimente um destes tratamentos: 

— Leve ao lume um pouco de azeite com um dente de alho, deixe dourar e desligue o lume. Deixe que o azeite fique morno, molhe o algodão no azeite esprema para retirar o excesso. Coloque no ouvido, sem empurrar, tape com um pano e deixe cerca de 15 a 20 minutos.

— Misture, em partes iguais, óleo de sésamo tostado e sumo de gengibre. Aqueça ao lume, numa colher de sopa, de forma que fique apenas morno. Filtre o azeite com a ajuda de uma compressa. Deite duas gotas em cada ouvido, duas a três vezes por dia.