Na Coreia do Sul, mais de 1.600 hóspedes foram filmados sem saberem

As câmaras estavam escondidas por vários hotéis no país e as imagens eram transmitidas em direto numa plataforma de streaming.

A gravação ilegal de imagens tem sido um dos crimes mais difíceis de combater no país

Getty Images

É um dos problemas mais difíceis de resolver na Coreia do Sul e parece não haver resolução à vista. Falamos da gravação ilegal de imagens um pouco por todo o país que, só em 2017, originou mais de seis mil denúncias. Recentemente, foi descoberto mais um escândalo que voltou a reacender o debate sobre a necessidade de penas mais pesadas para quem grava outras pessoas sem o seu consentimento.

Segundo reportou a “CNN” na quinta-feira, 21 de março, dois homens foram presos depois de se ter descoberto que terão escondido várias câmaras em 42 quartos de 30 hotéis espalhados pela Coreia do Sul. As vítimas registadas terão sido mais de 1.600 hóspedes.

O crime, já de si grave, ganhou outras proporções quando foi revelado que as câmaras, escondidas nos suportes para secadores ou nas tomadas, transmitiam as imagens em direto para uma plataforma de streaming como a Netflix — que era utilizada por pessoas que pagavam para ver as gravações.

A plataforma contava já com mais de quatro mil membros ativos, em que 97 teriam ativado uma modalidade premium. Com o custo de cerca de 39€, poderiam repetir as imagens ou ver a mesma gravação através de um ângulo diferente.

No entanto, e segundo a mesma publicação, que cita a polícia, esta não é a primeira vez que se houve falar de plataformas online utilizadas para rentabilizar imagens obtidas ilegalmente.

“Já houve um caso semelhante onde as câmaras ilegais eram secretamente instaladas em locais como estes para que as imagens fossem vistas e transmitidas sem o conhecimento de quem estava a ser gravado. Mas esta é a primeira vez que a polícia foi capaz de identificar o local onde as imagens eram hospedadas”, lê-se.

Ainda à mesma publicação, as autoridades dizem que esta plataforma terá faturado mais de cinco mil euros por mês — e há a possibilidade de existirem outras como esta.

Este mais recente caso acontece um ano depois de vários jovens terem saído às rua, vestindo camisolas com a frase “A minha vida não é o teu porno”, como protesto contra a falta de medidas que ajudem a combater a gravação ilegal de imagens e a proteger as vítimas.

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