Estudo. Uso diário de canábis aumenta o risco de psicose

Quem usa a droga mais do que uma vez por semana tem 40% mais de probabilidade de ter um transtorno psicótico, conclui a investigação.

O estudo foi realizado em dez locais na Europa e um no Brasil e os dados foram recolhidos entre meados de 2010 e meados de 2015

AFP/Getty Images

Um novo estudo publicado na revista de psiquiatria “The Lancet Psychiatry” esta terça-feira, 19 de março, revela que o uso diário de canábis está associado a um aumento da probabilidade de um transtorno psicótico em comparação com indivíduos que não consomem a droga. A investigação sugere também que a potência da canábis é importante, uma vez que aparece relacionada com o surgimento de novos casos de psicose em diferentes cidades.

A psicose é um distúrbio de saúde mental em que as pessoas ficam temporariamente desconectadas da realidade. Caracteriza-se por alucinações e delírios.

Nos indivíduos que usaram a droga mais do que uma vez por semana, a probabilidade de ter um transtorno psicótico foi 40% vezes superior comparativamente àqueles que raramente a utilizaram. Do mesmo modo, a probabilidade de ter um episódio psicótico foi superior em mais de três vezes entre as pessoas que consumiram canábis diariamente em comparação com aqueles que raramente a utilizaram.

Da mesma forma, também os utilizadores diários de canábis de alta potência eram mais propensos a ter um transtorno psicótico, em comparação com aqueles que usavam canábis de baixa potência todos os dias.

Em cidades como Londres e Amesterdão, onde esta droga é legalizada e está amplamente disponível, o estudo concluiu que 30% dos casos de transtorno psicótico estão associados ao uso diário de canábis, nomeadamente de alta potência.

“O uso de canábis de alta potência foi um forte indicador do distúrbio psicótico em Amesterdão, Londres e Paris, onde esta droga está amplamente disponível, em contraste com cidades como Palermo, onde esse tipo ainda não está acessível”, pode ler-se no documento.

Se és uma psicóloga como eu, que trabalha nesta área de abrangência e vê pacientes com o primeiro episódio de psicose, isso tem um impacto significativo nos serviços e, também diria, na família e na sociedade”, afirmou Marta Di Forti, a principal autora da pesquisa, da universidade de King’s College London, ao jornal britânico “The Guardian“.

O estudo envolveu 901 pacientes com idades entre os 18 e os 64 anos que se apresentaram nos serviços psiquiátricos com um primeiro episódio de psicose, em dez locais na Europa e um no Brasil. Os dados foram recolhidos entre meados de 2010 e meados de 2015.

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