É um fenómeno. Apaixonámo-nos perdidamente por catos e suculentas, não só porque são bonitas e ficam bem na decoração de uma casa, mas porque são as plantas mais difíceis de assassinar. São o equivalente aos gatos, só que no universo da flora: são mais independentes, mais resistentes, não precisam de muita atenção, mas fazem companhia e nós gostamos disso.

Ainda assim, e tal como os gatos, os catos e as suculentas têm de ser cuidadas, com regras específicas, de acordo com as suas especificidades. É isso que nos explica Gynelle Leon, a autora do novo manual que se dedica exclusivamente a este fenómeno.

Chama-se “Picos — Guia para Escolher, Cuidar e Dispor Catos e Suculentas”, é editado pela Arte&Plural e chegou às livrarias portuguesas a 15 de março. Tem tudo o que precisa de saber sobre estas plantas: as espécies, com história e origem; um guia de cuidados e ainda dicas de decoração.

O livro está à venda nas livrarias portuguesas por 15,5€

Paulo Caraças

Podem parecer imortais, mas não. Podem ser resistentes, mas até estas plantas têm um calcanhar de Aquiles. Por isso, com a ajuda do livro de Leon — que, além de ser fotógrafa, e de dedicar parte da sua vida à arte e design, tem carreira na área financeira e paixão por floricultura — reunimos as principais dicas para que consiga manter os seus catos e suculentas o mais saudáveis e felizes possível.

Ambiente quente e seco

Para que os catos e suculentas sejam felizes em sua casa — tanto como seriam na deles — é fundamental que replique o seu habitat natural. É que, “ainda que sendo mais resistentes e menos exigentes do que as outras plantas domésticas, a crença de que é impossível matá-las é um equívoco popular”, escreve a autora.

Elas também querem um lugar ao sol

Portanto, tendo em conta que foi num ambiente quente e seco que estas plantas se desenvolveram há milhares anos, é fundamental que siga algumas regras e que esteja consciente de que nem todos os cantos da casa são os melhores. Uma delas refere-se à luz solar. Não tendo uma estufa — o sítio ideal porque têm luz em todo o lado — deve escolher uma zona da casa que tenha sol — junto a um parapeito, por exemplo — o elemento essencial para que cresçam e sejam felizes.

Além de ser fotógrafa, e de dedicar parte da sua vida à arte e design, Gynelle Leon tem carreira na área financeira, trabalhando ainda em floricultura

Rode as plantas

Se não o fizer, é normal que fiquem tortas. Porquê? Porque, como querem luz, vão começar a inclinar-se na sua direção. Por isso, já sabe: vá rodando o vaso, a cada duas semanas, de acordo com o que sugere a autora.

Temperatura

Se estivessem no seu habitat natural, as plantas conseguiriam distinguir as estações do ano. Estando fechadas em casa, esta tarefa torna-se mais difícil. É por isso que tem de simular as estações de crescimento (início da primavera até meados outono) e de dormência (de meados de outono até ao início da primavera).

Portanto, para a fase em que é suposto descansarem, faça por manter estas plantas num local fresco e arejado da casa, expostas a uma temperatura mais fria, mas que não seja inferior a sete graus. Nos meses de verão, quando a temperatura é mais quente é quando é suposto crescerem, por isso faça por dar-lhes uma boa ventilação.

Entre meados da primavera e meados de outono, não regue os seus catos

Regar e não regar

Andava a regar aleatoriamente os seus catos, todas as semanas? Péssima ideia. Novamente, por causa da tal réplica do habitat natural. “Para imitar o habitat natural dos catos durante o seu inverno nativo, tente mantê-los tão secos quanto possível, não os regando desde a segunda metade do outono até ao início da primavera” — vá apenas borrifando com água, para que as raízes não sequem totalmente, caso tenha aquecimento central em casa. Nos restantes meses, regue com bastante água e só volte a repeti-lo quando a terra estiver completamente seca.

No caso das suculentas, deve começar a regá-las no início da primavera, mas de “forma gradual.” No final desta estação, deverá estar a regá-las uma vez por semana e é assim que deverá continuar a fazer ao final do verão. A ideia é que deixe o solo do vaso secar antes de voltar a regar, sem esquecer que os mais pequenos secam mais rápido do que os maiores. No início do outono deverá começar a diminuir a rega, para as preparar para o inverno.

Saiba diagnosticar as doenças

Os catos e as suculentas também podem ficar doentes. Esteja atento aos seguintes sinais, apontados pela autora do livro:

  • Crescimento com uma ponta ou com forma desfigurada é causada pela falta de luz;
  • Enrugamento da pele durante o inverno é natural, ou seja, não estranhe — a planta não está doente;
  • A descoloração do lado da planta que estiver virado para o sol é sinal de superfície queimada. Rode a planta ou leve-a para um sítio com menos luz;
  • Uma faixa sem cor no caule da planta significa que ela está magoada do frio, o que significa que o ambiente está mais frio do que é suposto;
  • Se a planta tiver uma “substância branca e fofa nas folhas”, quer dizer que está com cochonilha, uma praga comum em plantas domésticas, que pode ser removida com álcool. A autora sugere ainda que utilize um inseticida aerossol duas vezes por ano, de forma a evitar isto — chamando ainda a atenção para o facto de excesso de inseticida atrair os insetos para a planta;
  • Se a planta estiver muito murcha e acastanhada, preta ou branca, quer dizer que já não tem solução possível e que conseguiu o praticamente impossível: matar o cato ou a suculenta.