“Não brincar e não repreender”. Guia de 1940 diz como é que os patrões devem tratar as mulheres

Sugerir em vez de repreender, não brincar e não mudar os turnos muitas vezes são algumas das coisas presentes neste guia dos anos 40.

Quando os Estados Unidos entraram pela primeira vez na Segunda Guerra Mundial, havia 12 milhões de mulheres a trabalhar

O mundo laboral é complicado. Os departamentos de recursos humanos são essenciais para qualquer empresa, uma vez que orientam a cultura das empresas, funcionários e até mesmo dos chefes. Mas ainda temos um longo caminho a percorrer: muitas mulheres continuam a sofrer represálias quando engravidam, e não nos podemos esquecer que elas ainda ganham menos do que eles. Ainda assim, estamos melhor do que na década de 40.

O blogue “Retronaut”, cita o “Bored Panda“, descobriu um manual antigo do supervisor, criado pela RCA — importante empresa americana de eletrónicos — na década de 1940. O guia dizia aos patrões do sexo masculino como deviam interagir com as novas colegas de trabalho.

A Segunda Guerra Mundial desencadeou a necessidade de as mulheres se juntarem em massa ao mundo do trabalho, especialmente nas fábricas. O manual intitulado “Quando você supervisiona uma mulher” dá-nos uma ideia de como é que elas eram tratadas. Alguns tópicos são surpreendentes, outros apenas elementares — sejam homens ou mulheres, todos os funcionários devem ver asseguradas as suas condições de trabalho.

Como supervisionar o trabalho de uma mulher

  • Deixar claro o seu papel no processo ou produto em que trabalha;
  • Permitir a sua falta de familiaridade com o processo da máquina;
  • Ver se o seu local de trabalho é confortável, seguro e conveniente;
  • Fazer uma supervisão gentil e cuidadosa;
  • Evitar brincadeiras, ela pode ressentir-se;
  • Sugerir em vez de repreender;
  • Quando ela fizer um bom trabalho, deve dizer-lho;
  • Ouvir e ajudá-la nos problemas de trabalho.

A Segunda Guerra Mundial mudou tudo. Mesmo antes de os Estados Unidos se juntarem à guerra, o governo assinou contratos para fornecer equipamento de guerra aos Aliados, fazendo com que a indústria da guerra causasse um “boom” de empregos e cargos a serem preenchidos por todos os cidadãos saudáveis — incluindo mulheres. No entanto, isto era visto apenas como uma solução temporária.

O guia continua, abordando agora pontos a ter em consideração quando se contratava uma mulher.

  • Ter uma pausa no trabalho;
  • Ter em consideração a sua educação, experiência de trabalho, e temperamento antes de lhe atribuir o trabalho;
  • Ter os equipamentos necessários, ferramentas e abastecimentos prontos para ela;
  • Experimentar a sua capacidade e familiaridade com o trabalho;
  • Designá-la a um turno de acordo com a sua saúde, obrigações de casa, e questões de transportes;
  • Colocá-la num grupo de trabalho com um passado e interesses parecidos;
  • Informá-la sobre as regras de segurança e de saúde, regras da empresa e objetivos da mesma;
  • Ter a certeza de que ela sabe a localização das salas de descanso, almoço;
  • Não mudar os turnos dela muitas vezes e nunca sem avisá-la.

Para incentivar as mulheres a juntarem-se ao trabalho, foi lançada uma campanha de publicidade estrelada por “Rosie the Riveter”, que espalhou o slogan “Nós podemos fazer isto” para todas as mulheres do país. Lenta mas seguramente, as mulheres foram respondendo ao “chamamento”. As de classe baixa, que já estavam a trabalhar, mudaram para empregos que pagavam salários mais altos. Depois foi a vez das que acabavam de se formar no ensino médio e, mais tarde, até as mulheres casadas começaram a trabalhar.

Rosie the Riveter” espalhou o slogan “nós podemos fazer isto” para as mulheres de todo o país

Apesar de alguns homens não quererem que as suas mulheres trabalhassem, a demanda por trabalhadores tornou-se tão alta que até mesmo mães com filhos pequenos se foram juntando aos postos de trabalho disponíveis. Quando os Estados Unidos entraram pela primeira vez na Segunda Guerra Mundial, havia 12 milhões de mulheres a trabalhar. Até ao final da guerra, este número subiu para 18 milhões — um terço da força de trabalho.

Quando se empregar uma mulher

  • Limitar as horas de trabalho a 8 horas diárias, 48 horas semanais, se possível;
  • Arranjar períodos de descanso entre os turnos;
  • Tentar fazer refeições nutritivas disponíveis nas horas de almoço;
  • Tentar providenciar um lugar limpo para almoço, longe do local de trabalho. Ter água potável disponível;
  • Verificar se as casas de banho e locais de descanso estão limpos e adequados:
  • Verificar os perigos de trabalho — máquinas movidas, poeira e fumos, levantamentos inadequados, serviço de limpeza descuidado;
  • Promover bons assentos de trabalho, ventilação e luz;
  • Recomendar roupa adequada para cada trabalho, calçado seguro e confortável; tentar providenciar cacifos e um local para trocar de roupa;
  • Aliviar a monotonia do trabalho com períodos de descanso. Se possível usar muúica durante os períodos de cansaço.

Ter uma conselheira mulher no departamento da empresa para:

  • Descobrir o que as mulheres pensam e querem;
  • Descobrir causas pessoais para mau trabalho, faltas e rotatividade;
  • Assistir as mulheres na resolução dos seus problemas;
  • Interpretar as atitudes e reações das mulheres;
  • Ajudar no ajustamento das mulheres no trabalho.

Mesmo com os esforços da guerra, a maioria das mulheres trabalhava tradicionalmente em “empregos femininos”, como cargos no setor de serviços. O único setor de trabalho que viu uma mistura completa de géneros foi o fabril. As mulheres trabalhadoras da guerra foram uma parte crucial, mas não chegaram para mudar a visão das sociedades sobre o papel da mulher. Empregos em fábricas ou serviços eram vistos como contribuições temporárias aceitáveis, mas depois da guerra ficou claro para as mulheres que elas deviam voltar para a casa.

Partilhe
Fale connosco
Se encontrou algum erro ou incorreção no artigo, alerte-nos. Muito obrigado. [email protected]