Aconteceu na ilha Samatra, na Indonésia, numa altura onde já só existem cerca de 13.400 orangotangos na região. Um orangotango foi encontrado no sábado, 16 de março, muito debilitado e com ferimentos graves. Os vários exames realizados pelos veterinários do Programa de Conservação de Orangotangos de Samatra revelaram o pior: o animal tinha sido vítima de várias agressões e disparos com armas de pressão de ar.

As imagens de raio-X mostraram que o orangotango fêmea, a quem os veterinários chamaram Hope (que significa esperança, em português), tinha pelo menos 74 esferas de aço no corpo e terá ficado cego depois de os disparos terem acertado ambos os olhos.

Além disso, o veterinário Yenny Saraswati revelou à revista “Time” que o orangotango apresentava várias feridas no corpo devido ao uso de objetos cortantes — o que poderá indicar que o animal terá sido perseguido e torturado.

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Junto a Hope estava a sua cria que, devido à falta de comida, acabou por morrer pouco tempo depois de os dois terem sido encontrados pelos veterinários.

Apesar de o animal estar a recuperar de uma operação para tratar a rutura da clavícula, o veterinário responsável por Hope diz que é muito improvável que esta seja capaz de regressar ao seu habitat natural.

“Esperamos que Hope seja capaz de ultrapassar este período tão crítico, mas nunca mais será possível devolvê-la ao seu habitat natural devido às lesões de que foi alvo”, explicou Saraswati à mesma publicação.

Não é a primeira vez que o veterinário encontra animais da espécie com os mesmos tipo de ferimentos presentes em Hope. Na verdade, só nos últimos dez anos Yenny Saraswati já terá tratado mais de 15 orangotangos com um total de 500 esferas de aço no corpo.

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Em 2018, por exemplo, o Programa de Conservação de Orangotangos de Samatra reportou a morte de um orangotango que não terá resistido aos ferimentos depois de ter sofrido cerca de 130 disparos com uma arma do mesmo género.

A espécie é considerada uma das mais ameaçadas e em risco de extinção na região — muito devido aos conflitos com os seres humanos, mas também devido à exploração e extração de óleo de palma por parte da indústria que minimiza e destrói o habitat destes animais.