“Leaving Neverland” da HBO foi lançado em duas partes, a 3 e 4 de março. O documentário conta a história de dois homens que foram alegadamente abusados sexualmente por Michael Jackson, e revela detalhes assustadores sobre a propriedade do cantor — o suposto paraíso para crianças, inspirado na Terra do Nunca do Peter Pan, parecia ser afinal um paraíso para atos de pedofilia.

O documentário polémico é um dos temas mais falados no momento, e não importa se estamos a ver notícias, a navegar nas redes sociais ou até apenas a conversar com amigos. “Leaving Neverland” levanta muitas perguntas, inicia debates e faz-nos pensar se aqueles que idolatramos são assim tão perfeitos quanto pensávamos que fossem.

Apesar de muitos detalhes serem divulgados no documentário, há coisas sobre Michael Jackson, assim como sobre aqueles que estão envolvidos no caso, que foram deixadas de fora. Alguns desses detalhes ou eventos aconteceram após a estreia do filme. A MAGG fez uma lista de 20 curiosidades relacionadas com o polémico “Leaving Neverland”.

1. Os realizadores do documentário não contactaram a família de Michael Jackson

Para quem já viu este documentário, é evidente que o foco principal é em torno de Wade Robson e James Safechuck, bem como as suas famílias. Ninguém na família de Michael foi contactado pelos cineastas, para grande contestação dos familiares, que sentem que tinham o direito de defender o cantor.

O realizador Dan Reed queria que o único foco fossem as vítimas e como as ações de Michael Jackson as afeteram durante o resto das suas vidas.

2. A família do cantor acreditava que a polémica iria surgir aquando da celebração do 10.º aniversário da morte do cantor

Michael Jackson faleceu em junho de 2009, o que significa que estamos a chegar ao 10.º aniversário da sua morte. A família achava que estas acusações seriam levantadas novamente por volta dessa época.

“Pensei: ‘Pronto, lá vamos nós outra vez”, disse a 26 de fevereiro o irmão mais velho da família Jackson, Jackie, na altura em que soube da existência documentário. “Foi a primeira coisa que disse”. “Ia ser no 10.º aniversário”, continua Taj Jackson, sobrinho do cantor. “Lembro-me de pensar há um ano: ‘Isto é demasiado apetitoso para os media. Eles vão fazer alguma coisa.”

Os familiares da estrela da pop negaram veementemente as acusações contra Jackson, achando que tudo isto é um grande estratagema para dinheiro e fama.

3. Oprah e Michael Jackson tinham uma relação complicada

No programa especial designado “After Neverland”, Oprah entrevistou o diretor de “Leaving Neverland”, Dan Reed, assim como os acusadores de Michael Jackson, Wade Robson e James Safechuck. “A questão do abuso sexual é demasiado importante para permanecer em silêncio, não importa o quanto enfureça os fãs” , disse a apresentadora.

Não é assim tão surpreendente que o tenha feito — Oprah foi sempre bastante iquisidora sobre esta questão. O cantor foi entrevistado várias vezes pela apresentadora e, em 1993, Oprah conseguiu mesmo convencer Michael Jackson a abrir as portas da sua Terra do Nunca. Mas a relação entre os dois nunca foi fácil: Oprah falou várias vezes sobre os alegados abusos sexuais do Rei da Pop, como se estivesse a provocá-lo sobre o tema e, quando este morreu, disse: “Nunca teremos como saber a verdade”.

Michael Jackson com a maquilhadora e amiga Karen Faye

“Se visse as lágrimas nos olhos de Michael a falar da dor que a Oprah lhe causou”, revelou Karen Faye, amiga e maquilhada de Michael. “Ficaria chateado. O Michael chorou na minha frente a falar da crueldade de Oprah em relação a ele. Ela causou-lhe muita dor”, cita o site “MJ Beats“.

4. O rancho Neverland de Michael Jackson está à venda por 27 milhões de euros

O famoso Rancho Neverland de Michael, agora Sycamore Valley Ranch, está atualmente à venda por apenas 27 milhões. O complexo californiano de 1.300 hectares de terreno teve dificuldades em ser vendido, já que originalmente estava avaliado em 87 milhões, e teve uma queda de preço significativa devido à falta de interesse.

5. Mães dos acusadores têm sofrido com o documentário

Algumas das maiores questões levantadas pós o documentário são: “Onde estavam as mães durante tudo isso?” e “Porque é que não suspeitaram do que estava a acontecer?” Devido a essa linha de pensamento, muitos são os que culpam as mães das crianças alegadamente vítimas de Michael Jackson.

As mães sentiam que eram “cuidadas” por Michael tanto quanto os seus filhos, mas ainda há muitas pessoas que não conseguem entender como eram tão cegas para o que aparentemente estava a acontecer durante tanto tempo.

6. Uma sobrinha de Michael Jackson diz que namorou com Wade Robson

A sobrinha de Michael Jackson

Brandi Jackson, 37 anos, garante que Wade Robson está a mentir e que só quer fama e dinheiro. “Eu e o Robson estivemos juntos durante mais de sete anos, mas obviamente que isso não aparece no documentário porque não encaixa na versão dos acontecimentos”, disse no Twitter. “Já disse que foi o meu tio Michael quem nos apresentou? Wade não é uma vítima, Wade é um mentiroso”.

7. A braçadeira preta de Michael Jackon que passava sempre pelas crianças

Michael Jackson foi visto quase sempre a usar uma braçadeira preta onde quer que ia, e aparentemente, havia uma razão para a utilizar tantas vezes. Segundo o cantor, usava-a para as crianças à volta do mundo que estavam a lutar contra alguma coisa.

Aqueles que acreditam que Jackson é inocente acham que este é um traço cativante, representatitivo do seu caráter.

Cassetes de sexo, roupa interior e vaselina nos quartos. Empregada de Michael Jackson garante que ele era pedófilo

8. Documentário divide opiniões — e os fãs ameaçam o realizador

Depois de o documentário ter ido para o ar, várias opiniões se formaram. Há a base de fãs extremamente dedicada a Michael, que nega todas as alegações contra o Rei do Pop, mas há também aqueles que estão no extremo oposto do espectro, que acreditam nas vítimas e nas histórias que contaram. Isto fez com que o Twitter explodisse com debates após debates, desde a exibição deste documentário.

Dan Reed tornou-se num alvo, mas desvaloriza a situação. “Já recebi todo o tipo de emails desagradáveis e ameaças, mas não as levo muito a sério”, disse o realizador ao site “Music News“.

9. Cantor estava a ter dificuldades financeiras antes de morrer

De acordo com os guarda-costas da época, antes da morte repentina de Michael Jackson, o cantor estava a ter dificuldades financeiras. Os guardas disseram que mandaram pôr dois Óscares numa mala de prata, para o caso de Michael precisar de dinheiro.

As estatuetas eram de “… E o Vento Levou“, compradas em 1999 por 1 milhão de euros. O cantor estava tão preocupado em ir à falência que as levava consigo para todo o lado.

10 . O advogado que representou Michael em 2005 é bem conhecido

Qualquer pessoa que tenha assistido ao documentário não ficou indiferente ao advogado do cantor. O rosto é-lhe familiar? Thomas Mesereau ajudou Michael a absolver-se no julgamento de 2005, onde enfrentou alegações semelhantes às apresentadas no documentário, mas também é conhecido por defender muitas outras celebridades. A sua lista de réus inclui Mike Tyson, Robert Blake e Bill Cosby, entre muitos outros rostos famosos.

Thomas Mesereau, advogado de Michael Jackson

11. O advogado acusa o movimento #MeToo

O mesmo advogado que defendeu Michael Jackson de várias alegações no passado, agora suscitou controvérsia com as suas opiniões sobre o documentário. Aparentemente, o ex-advogado de Jackson está a culpar o movimento popular #MeToo como a razão por detrás de “Leaving Neverland”.

Mas de acordo com os homens apresentados no documentário, o processo começou mesmo antes de existir o movimento #MeToo.

12. Vêm aí mais vítimas?

O realizador do documentário acredita que sim. Dan Reed disse ao site “NME”: “Acredito que ele abusou de muitos mais meninos ao longo da sua carreira de pedófilo.” Quando questionado sobre se essas crianças, hoje adultos, iriam falar, o realizador disse quem sim. “Acho que sim, eventualmente. Como os fãs de Michael Jackson dizem: ‘As mentiras correm sprints, a verdade maratonas’.”

13. Rádios banem músicas, mas aumentam os streamings

De acordo com dados da Billboard, nos dias a seguir ao lançamento do documentário, o stream de canções e vídeos do cantor aumentaram 6% — passaram de 18,7 milhões de visualizações (24 a 26 de fevereiro) para 19,7 milhões (3 a 5 de março).

14. “The Simpsons” retiram episódio com a voz do rei da pop

O episódio em questão intitula-se “Stark Raving Dad” e pertence à terceira temporada da série. Vai ser retirado dos serviços de distribuição e transmissão, depois do documentário sobre o cantor.

15. Jeramaine Jackson é “1000% seguro” da inocência do irmão

A lealdade não vacilou no clã Jackson, e isso vale para Jermaine também. Ele é citado como tendo “1000% de certeza” da inocência de Michael Jackson.

Irmã de Michael Jackson acusou o cantor de pedofilia em 1993

Numa entrevista de dez minutos dada ao “Good Morning America”, a primeira depois do documentário, o irmão do cantor pediu para deixarem a família em paz, bem como ao irmão: “Deixem-no descansar. Por favor, deixem-no descansar. Ele merece descansar”.

16. Os acusadores de Michael Jackson não foram pagos para fazer o documentário

Muito se tem dito sobre as supostas vítimas, incluindo que só estão nisto pelo dinheiro, mas, pelos vistos, nem sequer foram pagas para fazer o documentário.

Safechuck disse que “desde o início, não havia dinheiro oferecido e nunca esperávamos nada. Foi realmente tentar contar a história e lançar uma luz sobre ela”. Robson acrescentou: “Procuramos uma plataforma para poder dizer a verdade. Este filme não era nada que pensássemos ou procurássemos. Veio até nós individualmente”.

17. Macaulay Culkin não vai comentar o documentário

Macaulay Culkin, o famoso protagonista de “Sozinho em Casa”, era amigo de Michael Jackson desde muito jovem, o que foi mencionado em “Leaving Neverland”. Mas não só Culkin não fez parte do documentário, como se recusa a comentá-lo.

18. Corey Feldman falou sobre “Leaving Neverland”

Corey Feldman é um ator que foi especialmente famoso nos anos 80. Era um amigo próximo de Jackson e disse que achava que o filme era “unilateral” e que não havia nada sobre o Michael que ele conhecia.

Corey Feldman, 47 anos

No entanto, também disse que devemos deixar que as vozes de Robson e Safechuck sejam ouvidas.

19. The “Jackson Family” está a tentar desacreditar os acusadores

Desde que o documentário foi ao ar que os membros da família de Michael têm feito o que podem para defender o seu nome — inclusive tentar desacreditar os acusadores. Já disseram que os homens estavam com dificuldades financeiras, e que por isso é que decidiram falar agora, bem como acusaram Robson de se estar a vingar por não ter sido escolhido para o espetáculo do Cirque du Soleil sobre a vida de Michael. Mas nada disso foi provado até o momento. Robson afirmou que deixou o Cirque du Soleil devido a problemas nervosos que estava a ter.

20. Imitadores de Michael Jackson nunca tiveram tanto sucesso

Imitadores de Michael Jackson

O músico Mitchell Thomspon, de 38 anos, ganha a vida a imitar Michael Jackson. O britânico acredita na inocência do cantor, mas garante que desde que o documentário foi lançado, nunca teve tanto trabalho. “Tive um bom número de reservas quando as informações do documentário começaram a ser divulgadas”.

Não foi o único. Jay Kinds contou: “O meu telefone não para de tocar. Estou a fazer eventos, apresentações e espetáculos em empresas, dia após dia.”