As práticas sustentáveis (e não sustentáveis) da ModaLisboa

Se por um lado há caixotes para fazer a reciclagem e palhinhas de papel, por outro ainda há copos e pratos de plástico nas food trucks.

O lixo continua a ir para o chão

Numa altura em que existe cada vez mais consciência ambiental, a moda continua a ser uma das indústrias mais poluentes do mundo. Seja pelos materiais que utiliza, muitos deles inimigos do ambiente, pela quantidade de roupa que acaba desperdiçada em aterros ou simplesmente pelo cotonete de plástico que é usado no backstage de um desfile para retocar a maquilhagem de um modelo. Tudo tem impacto e, infelizmente, neste caso não é pouco.

Para a organização da ModaLisboa, a importância de pensar no meio ambiente não passou despercebida. Na quarta-feira, 6 de março, na véspera do início da 52.ª edição do evento, Eduarda Abbondanza, diretora da iniciativa, partilhou uma publicação no Facebook onde falava de todas as práticas que iriam ser adotadas durante os quatro dias seguintes.

“Conscientes de que a moda é uma das indústrias mais poluentes, assumir a responsabilidade e reconhecer a urgência em alterar práticas prejudiciais ao ambiente é imperativo”, escreveu Abbondanza. “A ModaLisboa está a promover e a sensibilizar parceiros, equipas, fornecedores e todo o público presente na Lisboa Fashion Week a adotar práticas de consumo mais sustentáveis.”

A acompanhar a publicação, deixou um guia onde constavam todas as medidas que iriam ser adotadas pela ModaLisboa durante os quatro dias do evento. Incentivar à reutilização de garrafas de água, substituir o plástico descartável por vidro, distribuir palhinhas de papel em vez de plástico e ter caixotes do lixo onde se pudessem separar (e reciclar) os resíduos, foram algumas das propostas da organização. Na alimentação, a organização prometia ainda disponibilizar “alternativas vegetarianas, vegans ou macrobióticas nas zonas de restauração e catering.”

Durante a ModaLisboa, a equipa da MAGG andou a tentar perceber quais destas práticas estavam, efetivamente, em vigor. É certo que existem diferenças em relação a edições anteriores, mas ainda há algumas práticas que não vão de encontro ao que organização promete. Se por um lado é mais fácil encontrar opções veganas e vegetarianas e as palhinhas de plástico foram substituídas por papel, por outro as food trucks na zona de restauração continuam a entregar a comida em embalagens de plástico não reutilizável.

Numa visita ao backstage, ficámos surpreendidos ao perceber que, por vezes, são as próprias pessoas que tomam a iniciativa de adotar práticas sustentáveis. Antónia Rosa, a maquilhadora responsável pela maquilhagem dos manequins da ModaLisboa, optou por trazer cotonetes de papel em vez dos tradicionais de plástico.

Já os caixotes do lixo para fazer reciclagem, apesar de serem uma boa iniciativa, ao final do dia são todos despejados para o mesmo saco, sem haver separação entre o papel e o plástico. Quando questionámos os funcionários que estavam a fazer a recolha se poderíamos deitar o lixo num saco só para papel, disseram-nos simplesmente para “deitar tudo para aí, que é igual”.

Veja na galeria algumas das práticas sustentáveis adotadas pela ModaLisboa durante os dias em que o evento esteve no Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa, e ainda algumas das que poderiam ser evitadas.

Texto de Ana Gordo, fotografia de joaomartins.
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