A cidade proibida ou o centro militar nazi abandonado há 20 anos

Serviu Adolf Hitler, teve capacidade para mais de 40 mil soldados e hoje só está acessível através de visitas guiadas. Veja as fotografias.

Na cidade proibida, nome dado pelas tropas Soviéticas, os cidadãos alemães não entravam e poucos sabiam o que se passava ali dentro

AP

A 40 quilómetros de Berlim, na Alemanha, um complexo militar permanece abandonado há 20 anos desde a desocupação das forças soviéticas, e afastado dos olhares mais curiosos. É gigante, está vedado e foi um dos centros estratégicos mais importantes das forças nazis durante a Segunda Guerra Mundial. Na porta, o sinal “Não entrar” parece dissuadir os mais aventureiros mas não afugenta Werner Borchet, 67 anos, o responsável por cuidar do espaço e oferecer visitas guiadas ao turistas interessados no local e na história militar da região.

Segundo conta ao jornal britânico “Independent”, o complexo que hoje está abandonado foi inaugurado em 1916 e serviu vários imperadores, generais e forças militares. O primeiro a servir-se do espaço, que hoje ganhou o nome A Casa dos Oficiais, foi Wilhelm II — o último imperador alemão que abdicou do poder pouco tempo antes da derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial.

“O Kaiser, Hitler, os Soviéticos… todos eles foram militarmente ativos aqui. Um depois do outro”, revela e aponta para dimensão de um complexo com mais de 100 anos.

Além de um teatro, um museu, várias lojas, uma piscina e ainda vários armazéns para guardar armas e fardas, cabiam naquele espaço mais de 40 mil soldados.

Apesar de o nome oficial fazer jus à história do património, é o anterior que parece atrair cada vez mais turistas às visitas guiadas de Borchet. É que todo este terreno, que conta com mais de cinco quilómetros quadrados, antes era conhecido como a cidade proibida — precisamente porque, durante a ocupação das forças soviéticas, os cidadãos alemães raramente lá podiam entrar.

À mesma publicação, Borchet diz que na altura muitas pessoas desconfiavam que o complexo teria alguma coisa ligada à guerra e às forças militares mas eram poucos os que sabiam aprofundadamente sobre o que se tratava.

A realidade de hoje não diverge muito da de há 75 anos, a não ser pelas janelas partidas, a falta de eletricidade e a presença de animais selvagens que deixam vestígios da sua passagem pelo complexo. Fora isso, são poucos os cidadãos locais que dão com o pavilhão.

Apesar de ser um pedaço histórico valioso para a cultura alemã e para a cultura do mundo, está ao abandono. Já foi leiloado várias vezes mas nunca ninguém se mostrou interessado no património e nunca foi encontrado ninguém que decidisse investir e requalificá-lo.

Em entrevista ao “Independent”, Sylvya Rademacher, outra guia turística, diz que é importante que se renove o complexo. Não só pela sua importância histórica e cultura, mas também como forma de reavivar a memória de um passado não tão longínquo assim.

“É um memorial importante que também serve como aviso. Um aviso que temos de dar aos nossos jovens para que as atrocidades que foram praticadas e ensaiadas neste complexo não se voltem a repetir”, explica.

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