O cérebro é complexo e difícil de entender — quando achamos que já sabemos tudo o que há para saber, ou pelo menos o básico dos básicos, eis que chega uma nova teoria que nos troca as voltas.

Muitas pessoas assumem que percebem o mundo tal como ele é realmente — como se olhos e ouvidos fossem janelas que nos permitem aceder a uma realidade objetiva. Mas a perceção não é um reflexo preciso de um mundo que real.

Segundo o neurocientista Anil Seth, citado pelo “The Atlantic“, a perceção e a alucinação têm muito em comum. “Poderia dizer que estamos a alucinar o tempo todo e, quando concordamos com as nossas alucinações, é o que chamamos de realidade”.

Num vídeo produzido por Carolyn Merriman, do Future of StoryTelling, e animado por Steve West, do Lazy Chief, Seth explica como é que o nosso cérebro trabalha com crenças implícitas, acumuladas ao longo de milhares de anos de evolução humana.

Na maioria das vezes, todos podemos concordar com as perceções que temos. Mas às vezes esse consenso não acontece, como no caso dos fenómenos da internet do vestido branco e dourado Vs. preto e azul, ou do clipe de áudio “ laurel” versus “yanny”. Estes são alguns exemplos que Seth descreve como a “perceção neurológica que acontece nos bastidores”. Nesses momentos, a cortina é erguida sobre o teatro — não a janela —da nossa realidade.

“O nosso cérebro está a fazer o seu melhor para dar sentido ao estímulo sensorial ambíguo”, disse Merriman, produtor do vídeo, ao “The Atlantic”. “De certa forma, a nossa perceção do mundo é apenas a história que os nossos cérebros nos contam, com base nos nossos sentidos.”

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A capacidade da mente em criar narrativas congruentes da realidade continua a surpreender o neurocientista Seth. “Eu inspiro-me em como uma pequena máquina biológica dentro da minha cabeça — dentro da cabeça de todos — consegue criar um universo interno tão rico para cada um de nós, a partir da matéria-prima dos sinais sensoriais”, disse.“Esta é uma conquista monumental, que está muito além do escopo de qualquer máquina artificial ou computador que já construímos.”