Videojogo para violar e matar mulheres causa polémica

"O assassinato foi normalizado na ficção, enquanto a violação ainda não foi", afirma o criador do jogo, indignado com as reações negativas.

O controlo dos jogadores recai sobre um violador serial killer durante um apocalipse zombie

“Rape Day”. É este o nome do videojogo que está a provocar indignação depois de ter sido apresentado na Steam, a popular plataforma de jogos online. O jogo está a ser acusado de querer normalizar a violação, uma vez que encoraja os jogadores a violar e matar mulheres. 

O controlo dos jogadores recai sobre um violador serial killer, durante um apocalipse zombie, onde há imagens sexualmente explícitas e uma descrição que alerta sobre “violência, agressão sexual, sexo não consensual, linguagem obscena e incesto”.

Desk Plant, criador do jogo, afirma que este é uma “comédia sombria” que obedece às regras da Valve, proprietária da plataforma. “O assassinato foi normalizado na ficção, enquanto a violação ainda não foi”, afirma.

Segundo o jornal “Independent“, uma petição online a pedir que o jogo fosse banido recebeu mais de mil assinaturas desde que foi lançada, na semana passada. “A violação não é um jogo e os responsáveis ​​por isso não devem ganhar dinheiro promovendo a violação e o assassinato de mulheres”, afirma.

“Isto só vai desrespeitar a violação e a violência contra as mulheres. Estamos a tentar impedir que isso aconteça em todo o mundo e, no entanto, este ‘jogo’ está a ser vendido a qualquer pessoa, de qualquer idade, que tenha acesso a um cartão de crédito”, pode ler-se ainda na petição.

Uma petição semelhante feita por pais de vítimas de tiros na escola, que se opuseram à inclusão de um videojogo anunciado como “simulação de tiro na escola” na plataforma, recebeu mais de 200 mil assinaturas para ser removido. A Valve finalmente retirou o jogo do mercado, mas disse não querer envolver-se em debates no futuro sobre como a empresa gere a plataforma.

Se o jogo fosse banido do Steam, o criador do jogo Desk Plant disse que procuraria outras formas de distribuir o “Rape Day”.

“Eu não violei nenhuma regra, portanto não vejo como é que o meu jogo pode ser banido, a menos que a Steam mude as suas políticas”, disse o criador. “No entanto, se a Steam mudar a sua política, farei o que puder para tentar criar e/ou encontrar uma forma alternativa de vender e comercializar os meus jogos”.

Apesar de afirmar que o objetivo do jogo é permitir que os jogadores experimentem coisas que “não podem ou não deveriam na realidade”, o mentor do jogo revelou que uma cena de assassinato de bebés foi removida devido a protestos públicos. “Lamento a quem a existência desta cena causou sofrimento”, escreveu. “Estou a aprender a encontrar o meu equilíbrio artístico entre produzir os jogos que amo e não causar uma avalanche de indignação.”

Valve não vai distribuir o jogo

A verdade é que a Valve já disse que não vai distribuir a novela visual, num comunicado publicado esta quarta-feira, 7 de março. Numa mudança de política anunciada no ano passado, a Valve disse que deixaria publicar praticamente qualquer coisa na plataforma, desde que não fosse ilegal ou, muito obviamente, trolling para reações negativas ilícitas do público em geral. Até agora, a única categoria que atendia a essa definição incluía romances visuais e outros jogos sobre a exploração sexual de crianças, que a Valve baniu em dezembro passado. Neste caso, a Valve diz que a violação representou “custos e riscos desconhecidos”, sem esclarecer que regra foi quebrada.

Segundo o “The Verge“, apesar do incentivo moral e comercial óbvio em não estimular a distribuição de um jogo sobre violação, a resposta da Valve gerará controvérsia entre a comunidade de jogos, alguns dos quais sentem que qualquer forma de conteúdo, seja violência ou violência sexual, é uma forma de expressão livre, digna de proteção.

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