Uma escola de Matosinhos fantasiou as crianças de “africanos” e há acusações de racismo

Miúdos desfilaram com a cara pintada e roupas coloridas. Associação de Pais rejeita acusações de racismo, BE fala em ridicularização.

A Associação de Pais defende-se dizendo que no desfile foram representadas várias culturas e países, como Brasil, China e África

Caras pintadas de preto, perucas e lenços na cabeça, corpos envoltos em panos coloridos. Era esta a indumentária escolhida pela da Escola Básica do Godinho, em Matosinhos, para o desfile de Carnaval, que aconteceu no dia 1 de março.

“Este ano os nossos alunos deverão ir fantasiados de africanos, uma vez que o tema do agrupamento são as raças”, lia-se na nota que todos os pais receberam em casa e que indicava ainda que, para a fantasia, as crianças deviam levar umas leggins pretas, peruca e acessório para a cabeça e cara pintada.

O desfile aconteceu e os problemas só surgiram dias depois quando algumas fotos do evento e a nota enviada aos pais começaram a circular nas redes sociais, nomeadamente num grupo chamado “Blackface Portugal“, que se dedica a divulgar imagens daquilo que consideram ser “representações ofensivas e comentários racistas”. Se forem lá agora, a publicação mais recente é a de um leite achocolatado da Leitaria Lisboa, com uma peruca e uns óculos, a desejar um feliz Carnaval.

Foi esta a mensagem enviada aos pais com indicações para o desfile de Carnaval

A Associação de Pais da escola sentiu necessidade de usar as redes sociais para explicar a situação e, depois de apagar todas as fotografias do desfile, escreve que “no desfile estavam presentes escolas do agrupamento, e foram representadas várias culturas: África, China, Brasil, entre outros, com o objetivo de celebrar a diversidade cultural”.

A associação explica ainda que este tema culminou no desfile, mas que tinha sido abordado anteriormente durante as aulas. “Neste pressuposto, foi decidido que a Escola do Godinho iria estar presente no desfile com o tema África. Para tal, as vestes usadas tentaram representar a riqueza da sua cultura, com os tecidos tradicionais africanos. Lamentando que tenha sido interpretado por alguns como ‘Blackface’. Não foi essa a intenção, nem nunca esteve subjacente, qualquer comportamento racista. Contudo decidimos eliminar a publicação”.

As opiniões dividem-se e há quem comente a publicação em sinal de apoio e quem não concorde com o termo “raça”, utilizado com o tema do desfile, nem com a forma como as crianças se apresentaram. 

O Bloco de Esquerda já reagiu e, em declarações ao “Notícias ao Minuto“, o deputado Luís Monteiro fala em “caricatura” e em “racismo estrutural”, que se manifesta “das mais variadas formas, uma delas é a ridicularização ou padronização daquilo que é um imaginário sobre o outro, aquele que nos é estranho. Esse imaginário, muitas vezes, não corresponde minimamente à verdade ou é uma simples caricatura sobre a ‘raça negra’”.

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