As reguadas, os pais divorciados e a cataplana. Como foi a ida de António Costa à casa de Cristina Ferreira

O primeiro-ministro falou da grande "mancha negra" do seu mandato, os incêndios de Pedrógão, cozinhou e falou da infância.

O primeiro-ministro esteve à conversa com a apresentadora enquanto cozinhava uma cataplana de peixe

SIC

Depois de Assunção Cristas, presidente do CDS, foi a vez de o primeiro-ministro, António Costa, vestir o avental e mostrar que sabe alguma coisa de culinária no programa de Cristina Ferreira, emitido esta terça-feira, 5 de março. A seu lado esteve a mulher, Fernanda Tadeu, que disse que “estas coisas de as mulheres cozinharem todos os dias já tem os dias contados” e que António Costa cozinhava muito melhor do que ela.

De repente, a bancada de cozinha do estúdio deu lugar aos tachos, às cebolas e aos pimentos para uma cataplana de peixe. Mas antes disso, houve tempo para dar a conhecer o homem por detrás da figura de primeiro-ministro. E começou precisamente na infância, que foi tudo menos normal na altura — muito devido ao facto de ser filho de pais divorciados.

Apesar de ter tido uma infância feliz, não se lembra de ver os pais juntos. “Tenho boas recordações mas quando os meus pais se separaram eu já tinha um ano e, por isso, não tenho memórias deles juntos. Naquele tempo, era raro ser filho de pais divorciados. Era um bocadinho estigmatizante”, recordou.

Mas embora António Costa mantenha uma figura e uma posição assertiva e tranquila em todas as aparições que faz, a verdade é que nem sempre foi o aluno mais bem comportado na escola, e é com alguma graça que recorda as reguadas que levou. “Claro que levei reguadas [risos]”, respondeu quando Cristina Ferreira se mostrou surpreendida.

“Fiz várias asneiras e era com cada reguada que levava [risos], mas creio que é devido a um sorriso que eu tenho que é muito irritante porque as pessoas julgam que é de troça. Os professores às vezes julgavam que esse sorriso era uma de estar, de gozar. Mas não é”, explica.

“Não sei se foi uma coisa gerada pela timidez ou um mecanismo de defesa. Sei que há um sorriso e é um sorriso com o qual as pessoas não simpatizam”, continua.

Tachos à parte, houve ainda tempo para falar de política numa altura em que as Eleições Legislativas estão apenas a seis meses de distância. Confrontado com a pergunta sobre se os incêndios de Pedrógão eram “a grande mancha do seu mandato”, António Costa não tem de dúvidas que sim.

“Foram uma mancha negra e espero que não haja outros [incêndios]. Mas é uma coisa horrível, marcante. Aqueles dias de junho e de outubro vão ser sempre inesquecíveis”, e referiu que todos os dias pensa nas vítimas, no que falhou e no que poderia ter sido feito de forma diferente.

Como não poderia deixar de ser, António Costa referiu-se à generosidade dos cidadãos como “espontânea” mas diz ter percebido muito depressa que as coisas não iam correr bem quando viu todos os donativos fechados num armazém da autarquia de Pedrógão Grande — tal como foi mostrada numa reportagem da TVI.

“Na altura, nós criámos um fundo para organizar estes donativos e a generosidade das pessoas. Os cidadãos deram muito e acabaram, por razões várias, e provavelmente por falta de confiança no Estado, por dar diretamente às diversas entidades e não necessariamente através dos mecanismos que tínhamos criados.” Neste caso em específico, diz, a responsabilidade não é nem do Estado nem do Governo.

Quanto às novas eleições, António Costa mostra-se confiante mas reafirma aquilo que sempre disse: “Essa parte já não é comigo [risos]. Depende sempre dos cidadãos”. A conversa depressa foi interrompida por entre cebolas cortadas e uma cataplana recheada de peixe pronta a servir.

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