Um amigo ensinou-me a maior definição de amor que alguém me deu até agora: “Teresinha, quando amas vais sempre a 140km/h para casa”.

Mas eu sou de uma geração que, de tanto se achar especial, tem medo de correr de mãos dadas. Andamos a uma velocidade controlada, moderada, passo-a-passo, e se porventura tropeçamos acompanhados, é tempo de partir.

Medimos o caminho que faremos de forma milimétrica e trocámos os suspiros e a ilusão pela segurança que nos traz o “é melhor assim”.

Não creio que tenhamos perdido a vontade de amar, mas ganhámos ânsias, receios e uma confiança absurda no que fazemos e acontecemos sozinhos.

Uma violação não se esquece a troco de nenhum milhão

A ideia de sermos livres atrai-nos de uma forma desmesurada, quando sentimos alguma fraqueza recorremos a aplicações de acesso fácil e descartável, e no meio de algumas cervejas e poucas conversas fazemos “match”. Assim, lá teremos mais uma noite sem grande ciência mas muita química, e isso chega e isso basta, mas não para mim.

O amor é muita coisa. É feito de espaço, respeito, igualdade, poesia. Feito de parágrafos que nunca terão fim.

Sabem? Não vejo mal nenhum em assumir que tenho fraquezas. Que a minha mente é falida de saber ao fim de um dia longo e que, por vezes, a única coisa de que preciso é de um silêncio acompanhado. De uma respiração ao fundo que se faça ouvir no mesmo compasso que a minha e que, mesmo com a imensidão de inseguranças diárias que me inundam, assim os dias fazem muito mais sentido.

Somos aquilo que criamos, o que cultivamos e o que demonstramos por quem vivemos, e por quem deixaríamos amanhã de viver.

Ainda tenho de passar por muitas tempestades de alto mar. Mostrar fragilidades, assumir-me de pele e osso, mas vou sempre preferir fazê-lo tendo um sítio onde saiba que o meu coração possa, um dia, sossegadamente pousar.

É de mim, ou o mundo está a ficar aborrecido e asfixiante?

Chamem-me antiquada, mas tenho a certeza de que vou, para sempre, preferir morrer de amor do que olhar para trás e sentir quase como pecado ver o tanto que posso ter deixado de amar.

A vida para mim é simples assim.

Do pouco que vi, do (tanto) que ainda quero saborear por aqui, só almejo um dia dizer, “amor assim, nunca antes vivi”