Victoria’s Secret vai fechar 53 lojas — e a culpa é do #MeToo

Os maus resultados das vendas ditaram o fecho de dezenas de lojas. Num mundo marcado pelo #MeToo, a marca tem vindo a perder relevância.

A era dos "anjos" parece ter ficado para trás

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Mulheres lindas de morrer, estrelas pop, lingerie de cortar a respiração e até soutiens avaliados em milhões de euros. O desfile anual da Victoria’s Secret era um evento tão popular que conseguia as modelos mais requisitadas do momento, as estrelas da música mais em voga e a sua transmissão televisiva tinha audiências incríveis.

Mas se houve uma época em que muitas mulheres queriam ter peças da Victoria’s Secret, nem que fosse para se sentirem um autêntico anjo, tal como Tyra Banks, Alessandra Ambrósio, Adriana Lima, Heidi Klum e Gisele Bündchen, numa era marcada pelos movimentos #MeToo e de aceitação do corpo feminino em todas as suas formas, a hegemonia da marca norte-americana parece ter ficado para trás.

Esta quarta-feira, 27 de fevereiro, a Victoria’s Secret anunciou que vai fechar 53 lojas, tudo devido aos maus resultados de vendas que a marca apresentou em 2018 — de acordo com uma notícia do site “Business Insider”, a Victoria’s Secret teve uma redução de 3% nas vendas do ano passado, em relação a anos anteriores.

Nos últimos anos, a marca tem vindo a perder relevância junto do público, com muitos consumidores a criticarem a imagem hipersexualizada da publicidade e dos desfiles da Victoria’s Secret.

Numa entrevista à revista “Vogue” em novembro de 2018, Ed Razek, o responsável de marketing da L Brands, a empresa detentora da marca, afirmou que não acreditava que o desfile anual da marca devesse incluir modelos transsexuais porque o evento é uma “fantasia”. “São 42 minutos de entretenimento muito especiais”, afirmou Ed Razek, declarações que causaram polémica e obrigaram o executivo a emitir um pedido de desculpas formal.

Também as audiências televisivas do desfile da Victoria’s Secret sofreram um golpe. Segundo a ABC, rede televisiva responsável pela transmissão do evento, o desfile de 2018 teve 3,3 milhões de pessoas a assistir — em 2017, o mesmo evento tinha chegado a cinco milhões de espectadores, e em 2016, 6,7 milhões de pessoas viram o programa.

Em Portugal, o desfile costuma ser transmitido pela SIC Caras e existe apenas uma loja física da marca, na zona de embarques do Aeroporto de Lisboa.

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