Youtuber anuncia que abandona o veganismo depois de problemas de saúde

Tim Shieff, campeão de free running e fundador da marca ETCHS, anunciou a decisão no canal de YouTube. A comunidade vegana não gostou.

O campeão de free running defendeu durante muito tempo o veganismo. Por motivos de saúde, voltou atrás e passou a consumir produtos de origem animal

Em 2012, Tim Shieff tomou uma decisão: abandonar o consumo de alimentos de origem animal. O americano, campeão de free running (uma modalidade semelhante ao parkour) e elemento do concurso American Ninja Warrior defende, desde então, um estilo de vida que seguia a filosofia vegana — tanto por motivações de saúde, como pelos princípios éticos, ligados à sustentabilidade social, ambiental e respeito pelos animais.

Com 30 anos, o fundador da marca de roupa ETHCS (que assenta nos mesmos princípios por que se rege Shieff) é seguido por mais de 85 mil pessoas no Instagram e por mais de 175 mil subscritores no YouTube. Foi, aliás, através desta plataforma que informou a 15 de fevereiro que, depois de muitos anos a defender a causa, tinha abandonado o veganismo — meses após de ter admitido ter consumido ovos crus e salmão, depois de uma dieta de 35 dias em jejum, só a beber água.

A saúde em primeiro lugar

No vídeo “Am I Still Vegan?“, ao longo de 16 minutos, Shieff explica como tudo aconteceu. Na base da decisão estiveram questões de saúde, causadas, percebe agora, pelo regime que andava a seguir. Tinha “problemas de digestão, depressão, cansaço, confusão, falta de energia”. Explica ainda que acordava com as articulações muito rígidas e com os músculos frágeis. “Não conseguia fazer duas flexões sem me magoar”, disse.

É através da comida que ele vai em busca da sua cura, fora dos hospitais e sem tratamentos com medicamentos. Nos últimos três anos, com a sua “saúde em declínio”, como descreveu, experimentou várias dietas, incluído jejum só com fruta e ervas, um regime alto em hidratos de carbono e baixo em gordura; tomou vários suplementos e, durante dois anos, bebeu a sua própria urina — tratamento de urinoterapia, que usa a urina com fins medicinais.

Continuando a sentir-se fraco, depois de todas estas experiências, tentou outra dieta, ainda mais extrema: durante 35 dias esteve em jejum, bebendo apenas água. É aí que entram os produtos de origem animal. De acordo com o que explica, foi depois disto que comeu ovos locais e crus e salmão selvagem. Apesar da “enorme crise de identidade” em que mergulhou, assume que, fisicamente, se sentiu muito melhor. Nesta parte, Shieff admite que teve uma ejaculação pela primeira vez, depois de muitos meses sem conseguir.

A ação pretendia ser pontual, tanto que o desportista voltou ao seu regime vegano. Mas o seu estado de saúde piorou novamente. É aí que ele questiona pela primeira vez: “Será que o veganismo está a afetar a minha saúde?”, pergunta. Percebendo que sim, tomou uma decisão: “Escolhi voltar a consumir produtos de origem animal”.

Afastado da marca que criou

Feitas as pazes consigo e com a sua escolha, no mesmo vídeo, Tim Shieff revela que se afastou da marca de roupa que fundou, a ETHCS.

No Instagram, a própria marca confirmou, alegando que não seria ético ter alguém que consumia carne a dar a cara pelo projeto. “Isto tem sido muito questionado nos últimos tempos, e queremos confirmar com um sim muito grande que ainda somos uma empresa vegana e ética, dirigida por veganos, e que é assim que vamos permanecer sempre“, pode ler-se. “Para que a ETHCS continue a ter os valores com que foi fundada, foi preciso tomar uma decisão para o futuro da empresa. Após a decisão de Tim de voltar a comer produtos animais, foi decidido que seria melhor que ele se afastasse completamente do ETHCS”.

Noutra publicação, a marca agradeceu a todos os que a apoiaram.

“Lamento pelo Tim, e pelos animais que vão sofrer às suas custas”, disse um cliente da marca.

As mensagens de ódio começaram a chegar às redes sociais do influenciador, logo após do episódio com os ovos crus e o salmão.

“Não devias estar a publicitar a ETHCS, já que a estás a ferir. Devias ter saído silenciosamente, em vez de levares todo o movimento ao descrédito”, pode ler-se, num deles.

Mas, por outro lado, houve quem o apoiasse, porque a saúde tem de estar em primeiro lugar.

“Fui vetado durante três anos e tive muitas experiências parecidas com as tuas durante e no período em que deixei de ser. É inspirador ouvir alguém retratar aquilo que foi uma mudança difícil. Continua o trabalho honesto.”

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