O mundo pode ser um lugar inóspito para as pessoas que odeiam abraços. O culpado? Os estranhos seres que adoram abraços — e encaram qualquer situação como a oportunidade perfeita para abrir os braços e espremer um ser humano dentro deles.

De forma repetida com os amigos ou apanhando desprevenido um estranho, os que odeiam esta forma de contacto humano só têm duas soluções: ou estendem a mão e passam por mal-educados ou aceitam o abraço indesejado e morrem um bocadinho por dentro. 

A ciência ainda não descobriu a solução para acabar de vez com estes momentos constrangedores. Mas já conseguiu explicar porque é que há pessoas que detestam algo tão simples como um abraço. Da educação à cultura, mostramos-lhe 4 razões porque algumas pessoas odeiam este tipo de contacto.

1. A forma como foi educado é importante

De acordo com um estudo de 2012, publicado na revista “Comprehensive Psychology”, a educação na infância tem influência. “A tendência para nos envolvermos em contacto físico — seja abraçar, dar palmadinhas nas costas ou tocar num amigo — é muitas vezes um produto das nossas experiências iniciais”, explicou Suzanne Degges-White, da Universidade do Norte de Illinois.

Portanto, crianças que cresceram com pais ou educadores habituados a dar abraços, têm maior propensão para gostar deste ato em adultos. Já os que experenciaram pouco deste afeto muito provavelmente vão sentir-se extremamente desconfortáveis.

Ainda assim, não é regra: de acordo com a investigadora, a ausência de toque físico na infância pode ter o efeito oposto. “Algumas crianças crescem e sentem-se ‘famintas’ pelo toque”.

2. E não podemos ignorar a importância da oxitocina

Em 2014, um estudo de Darcia Narvaez com órfãos romenos provou o impacto duradouro da negligência no desenvolvimento humano. As crianças tinham baixos níveis de oxitocina, uma hormona que, entre muitas outras coisas, está relacionada com a relação entre mãe e filho. Ouvir a voz da mãe numa situação de stresse, por exemplo, aumenta os níveis de oxitocina na criança.

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Ora como estas crianças viviam num ambiente onde os afetos eram poucos ou inexistentes, careciam desta hormona. Sem ela, pode tornar-me mais difícil apanhar certas pistas sociais ou até ser sociável.

3. A ansiedade social e baixa auto-estima também não ajudam

De acordo com Suzanne Degges-White, problemas de auto-estima e com o corpo podem interferir na vontade de abraçar alguém. “As pessoas que estão mais abertas ao contacto físico com os outros geralmente têm níveis mais altos de confiança”, explica.

Já as pessoas que têm níveis mais altos de ansiedade social, em geral podem hesitar em envolver-se em toques carinhosos, mesmo que com os amigos.

4. O abraço também é cultural

Um estudo de 2010 do Greater Good Science Center na UC Berkeley analisou a componente cultural na hora de dar um abraço. As pessoas nos Estados Unidos e Reino Unido, por exemplo, tocam com menos frequência do que os franceses ou porto-riquenhos.