“Dirty John”. Conheça a história real que inspirou a série da Netflix

Ameaças e tentativas de rapto foram algumas das armas utilizadas por John Meehan para extorquir dinheiro a várias mulheres.

Apesar dos traços de ficção, a maior parte da história é retirada da experiência vivida por Debra Newell

dizistbiri / Instagram

Na lista de estreias dedicada ao Dia dos Namorados na Netflix constava a série “Dirty John“. Contando com Connie Britton e Eric Bana nos papéis principais, o enredo revela a história de Debra Newell, uma designer de interiores que conhece John Meehan na internet e rapidamente se encanta pelas qualidades físicas e psicológicas apresentadas pelo homem. Em cada um dos oito episódios que compõe a série, um aviso surge —“baseado em eventos reais. Algumas personagens foram ficcionadas.” Então, qual é afinal a história verdadeira que inspirou a criação e produção da trama?

Com 59 anos, Debra mantinha um negócio bem sucedido na área da decoração mas, depois de quatro casamentos fracassados, a solidão era um sentimento que teimava em não desaparecer. Na tentativa de superar esse estado de espírito, Debra começou a frequentar um site de encontros, onde viria a conhecer John Meehan. Estávamos em 2014 quando Meehan se apresentou como sendo um médico respeitado, dono de várias propriedades e que tinha anteriormente feito serviço no Iraque, conseguindo facilmente chamar a atenção de Debra. Aquilo que a designer oriunda da Califórnia não sabia era que o maior pesadelo da vida dela estaria prestes a começar.

Segundo o jornal “Metro“, John Meehan nunca foi bem visto pelos filhos de Debra, principalmente por Jacquelyn (intitulada de Veronica na adaptação da Netflix) e Terra. As suspeitas começaram a surgir quando, algum tempo depois do início da relação, nunca terem visitado nenhuma das inúmeras casas que John afirmava ter e o mesmo estar constantemente a utilizar os carros de Debra. No entanto, isso não impediu que a relação fosse oficializada com um casamento em segredo, dois meses depois do início do namoro.

Uma fotografia de John Meehan e Debra Newell

A queda da máscara

Com a ajuda de Shad, sobrinho de Debra, Jacqueline seguiu os seus instintos e começou a investigar o passado do padrasto, confirmando as suas suspeitas. No final dos anos 80, Meehan, ou “Dirty John”, como era chamado pelos amigos na faculdade, já tinha vários registos na polícia, que incluíam tentativas de extorsão e tráfico de drogas. Descobriu ainda que durante o casamento com Tonia Sells, enfermeira, John começou a exercer na área da saúde, uma carreira que viria a terminar devido ao vício em analgésicos e outras drogas. Foi aí que Jacqueline percebeu que Meehan seduzia e posteriormente atacava e ameaçava mulheres, sempre com as mesmas pretensões: extorquir dinheiro que financiasse o seu estilo de vida.

Passado um ano e meio desde a descoberta do passado negro de John Meehan, Jacqueline conseguiu convencer a mãe do perigo que todos corriam, depois de Meehan exigir que fossem instaladas câmaras de segurança em casa, de forma a controlar a vida e rotinas da família. Durante todos esses meses, John ameaçou e perseguiu Jacqueline.

Em 2016, Debra colocou um ponto final na relação, mas isso não tornou a vida da família mais fácil. O comportamento do ex-marido tornou-se ainda mais obsessivo, ao ponto de roubar e incendiar o carro da designer.

A história viria a acabar numa noite em que Terra, na altura com 25 anos, saiu de casa e foi seguida por Meehan, que tinha na sua posse facas, fita adesiva, drogas injetáveis e um passaporte, tudo numa tentativa de sequestrar a filha de Debra. Depois de ser atacada, Terra reagiu, conseguiu tirar a faca da mão de John e usá-la em sua defesa, esfaqueando-o 13 vezes. Ao fim de quatro dias ligado a mecanismos de suporte de vida no centro médico de Orange County, as máquinas foram desligadas e John faleceu.

Os registos no tribunal mostraram que Meehan teria perseguido várias mulheres, todas elas inscritas em sites de encontros. A posse e ameaça de exposição de fotografias íntimas era um dos métodos usados mais frequentes para extorquir dinheiro.

Terra nunca foi acusada de homicídio, já que o juiz considerou que a mesma agiu em autodefesa. Debra vive atualmente no estado do Nevada, onde tem uma loja de mobiliário e decoração.

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