O bombadão fofinho, o charrado e mais 9 padrões de homens que encontrei no Tinder

A heterogeneidade e de gostos são fascinantes. Nada contra os lesados, exceto aquele que tinha uma arma. De ti não gosto mesmo.

Nenhum destes senhores apareceu no meu feed. Não vos revelo as identidades, amigos

Olá pai. Não sei se sabes o que é o Tinder. Se não souberes, não procures. Se souberes, digo-te já que aquilo é jogo só para um dia. Sabes que és o homem da minha vida. Gosto muito de ti. Não contes à mãe.

Disclaimer feito, que comece a carnificina. Estou a brincar. Mais ou menos. Confusos? Eu também. Passemos à frente.

O mundo é um sítio fascinante. Digo-o sem ponta de ironia. Uma das coisas que mais adoro nisto da existência é o facto de pessoas tão parecidas poderem gostar de coisas tão diferentes, de pessoas tão diferentes terem exatamente as mesmas preferências, de todas as variáveis possíveis nisto da diversidade. A heterogeneidade — benigna e aceite de forma absolutamente natural (importante referir isto nos dias que correm) — amplia a nossa visão e dá-nos mais mundo.

O Tinder, uma aplicação de encontros (ou engate), é por si só um mundo, acreditem. A heterogeneidade está lá, ainda que não seja absolutamente fidedigna — ou será que aquele bíceps está assim sempre tão inchadão?

A minha missão aqui foi muito simples. Identificar diferentes padrões de homens na forma como os candidatos se apresentam, incidindo sobretudo (apenas, pronto) naqueles que resultaram num swipe direto para a esquerda (o lado da rejeição), não sem antes tirar umas notas, rir-me ou, por outro lado, não me rir nada — porque, vá lá, quem é que se lembra de tirar uma fotografia a agarrar em duas espingardas?

Algumas pessoas vão identificar-se com as minhas preferências, outras nem tanto. Por isso, peço aos lesados que não se preocupem. Exceto se usarem armas nas imagens. Alguém pode denunciar estas pessoas?

O radical

Ele é surf, ele é bodyboard, ele é skate, ele é escalada, ele é bungee jumping, ele é queda livre, cannyonning e até arborismo, assim mesmo, tudo seguidinho. É um espécime perigoso, porque costuma ter aquele estilo negligee super natural, com um cabelo maravilhosamente despenteado, um pouco queimado pelo mar, o que acaba por ser sexy, não podemos negar. Só que ele também parece saído da crew do “Jackass” e tanta adrenalina deixa-me com palpitações no coração. Das más. Eu preciso de serenidade. Os tempos são loucos o suficiente. Adeus.

A metamorfose

Uau, és super giro. Calma, aqui estás mais gordo. Pronto, não faz mal. Ena, quem és tu? Ok, estás careca. Serás o Benjamin Button? Não, a vida rolou normalmente. Passaram 50 anos.

O bombadão

Grande six pack, sim senhor. Só que a mim não me enganas. Mesmo com 37 quilómetros a separarem-nos, esse cheirinho a anabolizantes está fortíssimo.

O bombadão fofinho

És um espécime semelhante ao anterior, mas com uma nuance. Também levantas aqueles 500 quilos, fácil, porque esses abdominais denotam uma trabalheira gigante e a força vem do core, toda a gente sabe disso. Só que, pronto, és mais meiguinho. Vê-se pela fotografia, tirada com aquele plano picado básico, em que nos enterneces com esses olhos meigos de cachorrinho abandonado. És fofo, mas, vá lá, levantas 500 quilos. Parece-me incongruente.

O bombadão ao espelho

Mais uma nuance, mas aqui a coisa agrava-se. O homem aparece quase nu, por vezes envergando apenas aquela cueca branca básica, tão pequena que nos impossibilita de escrever no plural. A pièce de résistance: a flashada no espelho, que nem deixa ver a cara. Impecável.

O charrado

Maninho, o problema nem está em bafares umas. Está em achares que isso é um bom engate.

O bêbado

Cinco fotografias, cinco bezanas épicas. Na mão esquerda está o copo de vodka, na direita a cintura de alguém, provavelmente da miúda que decidiste cortar da imagem. No canto da fotografia, a marca de água da discoteca em que te divertiste à brava. Esta foi no Urban, a outra foi no Main. Esta foi há 15 anos, quando o Paradise Garage ainda bombava.

O que contempla

O que contempla até pode ser uma pessoa interessante, porque observar é importante. Só que nunca lhe vemos bem a cara, porque está sempre a contemplar. A contemplar o mar, a serra, o monumento, o cão, o gato, o periquito, o sinal de trânsito. Por aí fora.

Aquele que salta para a vida real

Credo. O plano de todas as tuas fotografias está tão aproximado que parece que vais sair do meu telemóvel. Assustador.

Nature lover

Um indicador muito importante, por vezes mais do que a fotografia, é a frase que a acompanha. O que se afirma como “animal lover” eu até entendo, porque há pessoas que não apreciam muito a bicharada. Mas a natureza? Temos de tornar isso num statement? Não é suposto todos amarmos a natureza? Eu amo-a. Preciso de escrever isso? Mas pronto, não é grave. Gostar da natureza é fixe.

O que pergunta pelos hobbies

Ok, aqui passamos à fase seguinte. O match deu-se e surge aquele “olá” tímido na janela de chat. Depois de um “tudo bem?”, eis que surge a pergunta: “Quais são os teus hobbies?”. Vá lá, vocês conseguem melhor.

O homem que ama armas

Bem, fora de brincadeiras, nunca me vai sair da cabeça a imagem de um rapaz com duas espingardas, uma em cada mão, a rir-se com um ar diabólico. E não foi o único a aparecer com este acessório, o que torna tudo ainda mais grave. É avisar as autoridades, porque dali não vai sair coisa boa. Este não entra na teoria de heterogeneidade fascinante.

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