Mulher perde a memória de curto prazo depois de uma infeção cerebral rara

Tudo começou com dores de cabeça e febre. Clair Bennett precisa agora que a recordem de comer ou que tem de tomar banho.

Foi em janeiro de 2015 que Clair Bennett, na altura com 24 anos, começou a sentir-se mal, com fortes dores de cabeça e febre

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Já imaginou não se lembrar que tem de comer? Ou de tomar banho? Ou que esteve com os seus amigos e familiares há cinco minutos ainda que agora não se recorde disso? É isto que acontece a Clair Bennett, natural de Swanley, no Reino Unido.

A mulher, agora com 29 anos, perdeu por completo a memória de curto prazo, que se caracteriza pela capacidade que uma pessoa tem em reter uma quantidade limitada de informação na mente e que está disponível num curto período de tempo. Este probelma surgiu depois de uma infeção cerebral rara — uma encefalite, que consiste num inchaço e numa inflamação do cérebro —, e que se suspeita ter sido causada por um vírus. Agora, o pai é o seu cuidador a tempo inteiro.

Segundo o jornal britânico “Daily Mail“, foi em janeiro de 2015 que Clair Bennett, na altura com 24 anos, começou a sentir-se mal, com fortes dores de cabeça e febre. Dirigiu-se ao hospital e o médico que a atendeu pensou tratar-se apenas uma gripe e, portanto, precisava de repouso. Mas a 12 de fevereiro do mesmo ano a situação piorou.

Mark Bennett, o pai de Clair Bennett, que agora é também o seu cuidador, está a falar e a divulgar a história da filha a propósito do Dia Mundial da Encefalite

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“Telefonaram do trabalho da Clair para uma colega de casa a dizer que ela não tinha ido trabalhar e perguntaram se ela estava bem”, contou o pai Mark Bennett, ao jornal “Daily Mail”. A colega foi perceber o que se passava e Clair Bennett estava desorientada e perguntava se estava nos Estados Unidos. Mais tarde, e já no Queen Elizabeth Hospital em Woolwich, Londres, Clair Bennett foi diagnosticada com uma encefalite.

Voltámos na manhã seguinte e ela estava acordada, mas muito desorientada. Perguntava se sentíamos falta do Natal e, quando perguntei se ela sabia quem nós éramos, respondeu que não“, disse Mark Bennett.

Sobre a encefalite:

– é mais comum no primeiro ano de vida;
– as formas mais graves da doença acontecem no adulto jovem e no adulto idoso;
– as causas mais comuns são as infeções virais;
– a exposição ao vírus pode acontecer através da respiração (por uma pessoa infetada), água ou alimentos contaminados, picadas de mosquitos ou outros insetos ou pelo contacto direto com a pele;
– a encefalite mais comum é a causada pelo vírus herpes simplex;
– sintomas: febre, dores de cabeça, fadiga e perda de apetite, confusão, desequilíbrio, desorientação, irritabilidade, sensibilidade à luz, rigidez da nuca e do pescoço, vómitos;
– quando há alguma lesão cerebral, a audição, a memória, o controlo muscular, a sensibilidade, a fala ou a visão podem ser afetados.

Depois de estar duas semanas no hospital, Clair Bennett recebeu alta hospitalar, mas a sua memória de curto prazo tinha sido afetada. A mulher de 29 anos apenas conseguia lembrar-se das situações que tinham acontecido num passado mais distante.

“Felizmente, ela recuperou um pouco nosprimeiros dias e começou a reconhecer-nos e conseguia lembrar-se de coisas como o local onde cresceu e quem eram os seus velhos amigos. Mas ela não conseguia ter as memórias de curto prazo. Os amigos vinham visitá-la e ela esquecia-se logo que eles tinham estado cá”, disse o pai de Bennett.

A saúde de Clair Bennett piorou apenas três dias depois de ter saído do hospital, como uma nova crise de encefalite. “Nessa manhã, ela parecia muito instável, como se pudesse cair a qualquer segundo”, disse o pai Mark Bennett. A mulher de 29 anos foi novamente para o hospital de urgência, onde esteve internada cerca de dois meses. Os médicos confirmaram que Clair não terá provavelmente “melhorias significativas” na memória.

Agora, Clair Bennett tem um diário onde regista todos os acontecimentos diários e onde estão vários lembretes para as necessidades básicas, como comer ou tomar banho. “Por exemplo, ela ainda adora cozinhar, mas precisa de seguir as receitas com uma lista onde possa assinalar o que já fez, caso contrário, ela vai esquecer-se que já terminou um passo e vai começar a descascar batatas ou a preparar vegetais novamente”, conta Mark Bennett.

Clair Bennett necessita também de um calendário rigoroso onde tem estipulado que, por exemplo, segunda-feira é dia de ir ao ginásio, que às terças-feiras vai visitar os avós e que às quartas-feiras volta a ir ao ginásio e tem aulas de piano.

‘Mesmo que a minha memória de curto prazo volte, continuarei a manter o meu diário. Assim, posso olhar para trás, a qualquer dia da minha vida nos últimos quatro anos e saber exatamente o que fiz — mesmo que não consiga lembrar-me”, disse Clair Bennett ao jornal “Daily Mail”. “Procuro sempre os aspetos positivos e, embora não consiga criar novas memórias, sei que ainda estou a receber muita coisa da vida agora.”

Clair Bennett e o pai Mark Bennett estão a divulgar a história a propósito do Dia Mundial da Encefalite, que se assinala esta sexta-feira, 22 de fevereiro, com a finalidade de aumentar a consciencialização sobre a encefalite e o impacto que esta pode ter na vida de uma pessoa.

De acordo com o jornal norte-americano “New York Post”, que se baseia em dados da The Encephalitis Society, associação que presta apoio a pessoas que sofram da doença, “cerca de 500 mil crianças e adultos em todo o mundo são afetados por encefalite todos os anos, ainda que as estatísticas do YouGov sugiram que 78% do público nem sabe do que se trata.”

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