Mulheres que não depilam. “O que eu quero é que não exista um juízo de valor feito à mulher que decide não depilar-se”

Joana, Catarina e Teresa não se depilam e vivem bem com isso. Mas não dão a cara, porque ninguém é "imune aos olhares".

A imagem é de Ben Hopper, que com este ensaio pretendeu desafiar as normas sociais femininas

Ben Hopper

Joana Marques, 28 anos, natural de Lisboa, começou a questionar a obrigatoriedade da depilação ainda na adolescência, quando os olhos dos outros ainda são mais importantes do que os nossos. Doía, tirava-lhe tempo e gerava stresse porque, em dias de vésperas de praia, a coisa tinha de estar toda no sítio — ou absolutamente fora dele, de preferência, nas bandas de cera, despejadas no lixo — mesmo que em causa estivessem “aqueles três pelos que ficavam no tornozelo”. Perguntava-se, secreta e quase inconscientemente, sobre porque é que tinha de fazer aquilo, mas, ainda assim, nem punha a hipótese de não o fazer.

“Não senti que era uma coisa que pudesse não fazer. Sempre ouvi comentários em casa, particularmente da minha mãe. Lembro-me que ela tinha uma amiga que não se depilava e dizia que era mesmo feio quando ela levantava os braços em reuniões. Aquelas coisas ficavam-me na cabeça”, diz à MAGG.

Mais de dez anos depois, para a UX designer, a viver em Londres, ter pelos é absolutamente normal, pelo menos no meio em que se insere, onde esta decisão é simplesmente uma não questão. Mas, explica, não lhe são indiferentes as impressões dos outros. “O facto de eu não me querer depilar, não significa que não seja imune aos olhares, aos comentários e até a alguma insegurança sobre o que é que as pessoas vão achar. Sabendo, precisamente, que posso ter sido condicionada, desde cedo, a sentir isso.”

O dia em que percebeu que ter pelos podia ser uma realidade foi em Portland, nos Estados Unidos, numa Liberal Arts Collage, quando foi visitar o namorado que aí estudava, em 2011. “Foi quase como um interruptor”, diz. Tinha 20 anos e, pela primeira vez, conversou sobre papéis de género, sobre raça, sobre interseccionalidade. “Lá conheci miúdas que não se depilavam e vi pela primeira vez isso ao vivo: pessoas da minha idade, que considerei super interessantes, que escolhiam ter pelos, coisa que não era estranha para os amigos delas.”

Percebi que só quero estar com pessoas que não pensem ou reflitam sobre isso. Alias, que reflitam, mas que ativamente rejeitem e se consigam descondicionar destas coisas.”

Viu, como uma espécie de observadora exterior, e percebeu que aquilo, contrariamente ao que lhe tinha sido incutido desde sempre por uma espécie de manual de normas tácitas, se podia fazer. “E que isso não queria dizer nada: não queria dizer nada sobre a minha orientação sexual, não queria dizer era desleixada, que não me lavava, estes preconceitos que me foram metidos na cabeça desde criança.”

Nesse verão, distante de casa, num sítio onde ninguém a conhecia, onde ninguém esperava nada dela e, mais importante, onde qualquer que fosse a sua decisão, seria encarada com normalidade, deixou os pelos crescer. “Foi super libertador. Ninguém pestanejou.”

Ao regressar a Portugal, voltou a depilar-se. E foi neste registo on and off que se foi mantendo. “O meu primeiro empregador [em 2014] era super liberal. Agora tenho noção de que podia ter feito o que quisesse [deixado os pelos crescer]. Achava que as pessoas iam achar pouco profissional — lá está, outra vez a voz da minha mãe. Em cima disto tudo, havia ainda o facto de ser emigrante e de termos de provar mais do que os locais. Não queria atenção, não queria que me fizessem perguntas.”

Um post no Instagram "Janu_Hairy", criado por Laura Jackson, a estudante que disse: "Só quero que as mulheres se sintam confortáveis nos seus próprios corpos"

Quando terminou o relacionamento com o americano, que lhe deu “total apoio” na sua decisão, também teve receios. “Comecei a questionar sobre futuros parceiros”. Porém, foi percebendo que esta seria, na realidade, uma excelente técnica para “separar o trigo do joio.”

“Percebi que só quero estar com pessoas que não pensem ou reflitam sobre isso. Alias, que reflitam, mas que ativamente rejeitem e se consigam descondicionar destas coisas. É ótimo para afastar as pessoas com quem não quero estar, pessoas que não veem para além das regras de género. Quero estar com pessoas que não se prendem com isso”, diz. “Acho que se uma pessoa decide rejeitar essas regras incutidas enquanto crianças e adolescentes, o que requer algum trabalho de casa, sentido reflexivo, então é porque desenvolve pensamento crítico, não só em relação ao corpo dos parceiros, como da vida no geral.”

Hoje raramente se depila. E não é a única na ONG ligada ao ambiente em que trabalha. Mas, “foi todo um processo”, conta. “Da última vez que me depilei foi para dois casamentos, cá em Portugal, em 2017. Já não fazia a depilação há um ano. Achei que as pessoas iam levar a mal e não queria tornar-me no centro das atenções. Não quero isso, muito menos num casamento. Não faz sentido.”

Depilação implica tempo e dinheiro. A mulher tem menos tempo e menos dinheiro

“Às vezes sinto que é um statement, mas, no fundo, queria que não fosse”, responde-nos Joana, quando lhe perguntamos sobre as motivações que a levam a deixar os pelos crescer. “Isto é simples, mas acaba por ser complexo.”

Não se trata de preguiça ou de desleixo, porque dizer isso seria “assumir que a depilação é uma tarefa obrigatória da mulher”. Ou seja, para Joana, usar este argumento é sustentar a tese que defende que um dos papéis da mulher, como ser feminino, passa por depilar-se — e que não o fazer é sinónimo do seu incumprimento. E esta ideia ela rejeita “absolutamente”.

Em 2014, a marca American Apparel pôs as manequins de uma montra em Manhattan com pelos púbicos

Joana gostava de dizer que não se depila por motivos tão banais como gostar dos seus pelos, não lhe apetecer, doer-lhe, preferir usar o tempo e o dinheiro de outra forma. Mas, dadas as circunstâncias, não pode ser só isso. Acaba por se tornar numa espécie de causa, pelo simples facto de não ser socialmente aceite.

Catarina, 26, por outro lado, assume que é frequente deixar os pelos crescer, que não é raro ir para a praia “mais peluda”, mas, por outro lado, assume desde logo que é por “preguiça” e que se sente consciente dela própria quando está assim.

Não houve nenhum momento em que tenha pensado: “Não me vou depilar mais”. A coisa simplesmente acontece desta forma. Também acontece ir à depilação, sobretudo se souber que vai estar duas ou três semanas na praia. Ainda assim, não faz manutenção no decorrer desse tempo. 

Sobre aquilo que a leva a passar um inverno absolutamente despreocupada e um verão ligeiramente mais alerta, a designer a residir em Londres explica que não há imunidade face aos olhares dos outros. “Não quero ter de dar explicações e ter de lidar com as pessoas que olham e questionam”, diz Catarina.

“Acho que é uma regra que não faz sentido e é opressiva”, diz Joana. Mas porquê? “Por várias razões: porque as mulheres, de uma maneira geral, recebem menos do que os homens para desempenharem a mesma profissão e a depilação é uma coisa que exige dinheiro.”

É mais fácil depilar. Levamos com menos merdas. Isto é uma escolha com bagagem e eu só queria que fosse livre como hoje, por exemplo, as tatuagens são. Só queria que a reação a uma perna com pelos e sem pelos fosse igual.”

Continua: “Depois, porque a mulher desempenha maioritariamente o trabalho familiar, o que exige tempo e a depilação também é uma coisa que exige tempo.” Mais: “Porque me retira a autonomia de escolha. Porque é que não hei de poder escolher que não quero fazer?”. Por último: “Dói e não me sinto mais sexy. A única coisa que sinto — e que também é importante — é a ausência de julgamento. Percebo que ninguém goste de ser julgado.”

Foi um caminho de trabalho. Foi preciso “desaprender” aquilo que lhe tinha sido incutido. Foi necessário “desacondicionar-se” de tudo o que a condicionava. Não é da brigada anti-depilação. Não se trata de ativismo contra as pernas lisas e sedosas. A guerra é outra e nela os pelos são apenas um símbolo, que refletem uma realidade, em que o livre arbítrio, até numa questão aparentemente supérflua, é alvo de julgamentos.

“O que eu quero é que não exista um juízo de valor feito à mulher que decide não depilar-se”, diz. “É mais fácil depilar. Levamos com menos merdas. Isto é uma escolha com bagagem e eu só queria que fosse livre como hoje, por exemplo, as tatuagens são. Só queria que a reação a uma perna com pelos e sem pelos fosse igual.”

Mas não é. Quem fala de pernas, fala de virilhas ou de axilas. Em Portugal ou em Inglaterra, Joana Marques já sentiu os olhares, o gozo, a surpresa, talvez o choque, por decidir não tirar os pelos. Recorda um dia em que estava num parque a estender uma toalha e de um homem dizer: “Olha, aquela tem mais pelos do que eu.”

Também já usou os pelos como escudo. “Estava numa festa a dançar e um homem começa a aproximar-se e a dançar em cima de mim. Eu, já prevendo a reação, levantei os braços para o afastar”, conta. “Ele foi embora. Gozou comigo, mas a realidade é que quem se ficou a rir fui eu.”

“Eu depilo-me porque quero.” Será mesmo uma escolha?

Teresa (nome fictício), 27 anos, natural de Lisboa, mas a trabalhar no Alentejo, na área da agricultura, também não tem por hábito depilar-se, algo que foi acontecendo de forma “muito natural”. Acredita que a depilação pode ser um ato consciente, distante das imposições da sociedade.

Mas é preciso que se reflita. “Não acho que haja sempre um poder invisível. É difícil pôr os limites entre o que está aprendido socialmente e a nossa própria decisão. Mas, a partir do momento em que questionamos e pensamos, então acho que se trata mesmo da opção da pessoa. Acho que nestas questões do corpo é importante ter a atitude de ‘eu posso tomar a minha decisão’. É este tipo de ambiente devemos criar.”

Joana já suspeita mais disto. “As pessoas dizem que sim, que é a escolha delas. Mas será mesmo uma decisão? Se nós vivêssemos num outro planeta, em que todos fossem peludos e a depilação fosse estranha, será que isso surgia nas nossas cabeças?”, pergunta. “Dizem que adoram a sensação de pernas suaves, que se sentem mais limpas e mais bonitas. Mas será isto parte de nós ou de imagens feitas, daquilo que vemos ao crescer, daquilo que ouvimos?”.

Eu gosto de me tratar, de fazer esfoliações à pele, de ir ao spa, de fazer yoga. Mas sinto-me bonita com pelos. Não me incomodam.”

Isto das imagens é importante. Para Teresa é importante ir buscar outras referências, longe da televisão ou da publicidade, que estão sempre a bombardear-nos com estereótipos tão conhecidos que se tornam numa espécie de objetivo a alcançar. “Há ensaios fotográficos”, sugere. E de facto há.

Ben Hopper questionou as normas em relação à feminilidade e a objetificação do corpo, em 2014, publicando um ensino fotográfico chamado “Natural Beauty”. Aqui várias mulheres jovens apareceram com axilas com pelos. O intuito era o de chamar à atenção para aquilo que considerou ser sinal de uma sociedade “brainwashed”, isto é, que sofreu uma lavagem cerebral — provocada pela indústria da beleza. Há mais exemplos, mas já lá vamos.

Uma das fotografias de Ben Hopper, parte do ensaio "Natural Beauty"

Já Catarina assume que é capaz de sentir a tal pressão das normas invisíveis. “Se calhar compreendo que, esteticamente, se estou com mini saia, eu própria gosto mais de ver pernas que não estão com pelos”, diz. “Talvez esteja entranhada em mim a pressão social ou a ideia de que pelos são feios. É complicado dar uma resposta definitiva e direta de porque é que no verão me sinto mais compelida. Se é só por mim, pela sociedade ou se existe algo intrínseco que sente essa necessidade  — que claramente existe.”

Apesar de opiniões com nuances diferentes, nenhuma das mulheres rejeita o ato de depilar. Quando sentem que querem fazer, fazem. Mas não deixam de usar uma saia ou de ir à praia porque têm pelos. “Sempre pensei um bocado assim”, conta Teresa. Apesar de também referir aquele momento da adolescência em que a opinião dos outros é fundamental, sabe que sempre deu menos importância ao assunto. “Sempre fui relaxada e lembro-me de achar chocante as pessoas deixarem de fazer coisas porque iam à depilação.”

No final do primeiro ano de faculdade, recorda, lembra-se de ver as amigas com agendes muito calendarizadas e organizadas. “Quase que tiravam o dia todo para ir à depilação. Eu preferia ir a uma aula de ioga.”

Teresa também salienta que ter pelos não é sinónimo de desleixo. Esse preconceito, diz, é absurdo. “Eu gosto de me tratar, de fazer esfoliações à pele, de ir ao spa, de fazer ioga. Mas sinto-me bonita com pelos. Não me incomodam.”

Mas na generalidade dos casos não é assim. As mulheres sentem-se feias com pelos. Tanto que as relações e a depilação parecem andar lado a lado, por mais que se negue. “Se uma mulher tem um namorado novo, vem com muito mais frequência, tanto que estou sempre a dizer-lhes que gosto quando têm namorados novos”, diz Sofia Santos, 38, esteticista. “Sentem-se mais confiantes”.

Na opinião da proprietária da Oficina da Sofia, no que se refere aos pelos púbicos, há outros fatores que levam a que as mulheres se depilem, nomeadamente a higiene. “Principalmente por causa da menstruação.”

O laser (nesta zona do corpo, nas axilas e pernas) é, segundo Sofia — que já trabalhou no Sérgio Margarida, um salão de cabeleireiro e estética, onde se atendem cerca de cinco mil mulheres por dia — uma tendência crescente, ou seja, elas querem que os pelos desapareçam permanentemente.

Seja pelos namorados, pela higiene ou porque se sentem mais bonitas, para Joana o importante é que se trate de uma “escolha livre e sem juízos de valor junto destas decisões”. Porque, aquilo que de facto importa, é desbravar um caminho que nos leve a uma sociedade em que a “heterogeneidade seja absolutamente aceite e em que se saia do binário.”

E isto, na opinião da web designer, está a milhas da questão da depilação. “Isto é sobre o que é ser homem e sobre o que é ser mulher. Quando isto deixar de ser binário, também a depilação deixará de ser. Quando quebrarmos as regras de expectativa feminina, também as escolhas sobre o corpo ou sobre o valor enquanto mulher vão desaparecer. Vamos conseguir olhar para além disto. Vamos olhar para as pessoas e não para as listas, em que pomos certos e errados: o cabelo está certo, a cintura está no sítio, o rabo tem o tamanho perfeito, a perna está depilada.”

Porque é que nos passámos a depilar?

A culpa aqui reparte-se: algumas civilizações antigas (egípcios ou gregos) já optavam por um corpo livre de pelos, mas, no que se refere à nossa herança direta, a responsabilidade recaí sobretudo do mundo ocidental, algures após a Primeira Guerra Mundial. De acordo com a investigadora Christine Hope, retirar os pelos do corpo — sobretudo das axilas — começou a ser prática recorrente, entre 1915 e 1945, tempo em que uma pele suave passou a ser requisito obrigatório para a feminilidade. O universo da moda — a que se aliaram as revistas, a indústria e o marketing — teve um papel fundamental nesta nova ideia.

As tendências mostravam mais pele, nomeadamente das pernas e das axilas, através do encurtamento das saias, dos vestidos, dos fatos de banho. Ter pelos nestas zonas do corpo passou a ser associados ao “feio, sujo, desnecessário e pouco sexy”, de acordo com a mesma investigadora.

É a partir daqui que a coisa se inverte. A ausência de pelos declara-se como parte do novo ideal de beleza e ter pelos é mal visto, como escreve a investigadora holandesa Anneke Smelik, num trabalho referente ao tema. Ou seja, aquilo que era natural passou a ser tabu e o artificial passou a ser o socialmente aceite.

Mesmo assim, passado um século desde que a nova forma de pele imaculada apareceu, há quem tente voltar às origens e desmontar este medo dos pelos. E não falamos só de Joana, Catarina ou Teresa.

Em 2014 foi um ano forte na causa. A atriz Cameron Diaz lançou o livro “Body Book”, onde apelou a um “look mais natural”, o que incluía pelos — porque, como diz, eles servem para alguma coisa, pelo menos os da zona da púbis (e aqui apela a uma maior reflexão por parte de quem pensa fazer depilação definitiva, por laser). No mesmo mês, a marca American Apparel pôs manequins numa montra de Manhattan, em Nova Iorque, com roupa interior transparente, que deixava ver aquilo que seriam pelos púbicos.

Em março de 2014, o jornal francês “Libération” publicou um suplemento especial no Dia da Mulher, chamado “Féministes de Tout Poil”, que significa “feministas de todos os pelos.” No interior da edição especial surgiram várias mulheres nuas com perucas no lugar dos genitais, a representarem os pelos. Com este trabalho, o fotógrafo Rhiannon Schneiderman quis “interrogar as nossas normas, reconsiderando a feminilidade e a objetificação da mulher que ainda domina a sociedade.”

Uma das fotografias de de Rhiannon Schneiderman, no especial para o Dia da Mulher do "Liberation"

Rhiannon Schneiderman

Mas esta espécie de batalha continua. Em 2016 surgiu em França a hashtag “Les Princesses Ont Des Poils” (“As Princesas têm Pelos), como noticiou a revista “Femina“. E, em 2018, o Projeto Body Hair lançou um anúncio que mostra mulheres com pelos a depilarem-se (provavelmente o primeiro porque, note-se, todos os outros exibem pernas absolutamente suaves, mesmo antes de a lâmina fazer o seu trabalho.)

A abrir 2019, surgiu a conta de Instagram “Janu_hairy“, lançada por uma estudante de teatro inglesa, Laura Jackson, de 21 anos. Não só pedia às mulheres que mostrassem os pelos, como as incentivava a deixá-los crescer, tal como ela fez. “Embora eu me sentisse confiante comigo mesma, outras pessoas não compreendiam porque é que eu não me depilava. Percebi que ainda falta muito para nos aceitarmos uns aos outros verdadeiramente”, escreveu. “Só quero que as mulheres se sintam confortáveis nos seus próprios corpos.”

Apesar dos esforços, a generalidade das mulheres não pensa assim. Já vários estudos, citados por Smelik, vieram mostrar isto. Uma investigação dinamarquesa de 2014, por exemplo, mostrou que, entre 1.200 mulheres, 96% não tinham interesse em deixar de depilar as axilas e a zona da púbis. Na Austrália a esmagadora maioria (acima dos 90%) das inquiridas tinha a mesma opinião, assim como no Reino Unido e nos Estados Unidos.

Há uns anos a maioria das pessoas que faziam a virilha inteira faziam parte das camadas mais jovens. Eram miúdas entre os 19 ou 18 anos, até aos 20 e tais, 30 no máximo. A partir de uma determinada altura, mulheres com 30 e muitos aderiram e agora até aos 60 anos continuam a virilha toda.”

Em 2008 a tendência que se verificava era, aliás, a inversa: as mulheres depilam-se mais, em mais áreas, aumentando, por exemplo, a zona da púbis sem pelos (por vezes com depilação total) e ainda a das nádegas.

Investigadores também notaram que a preocupação diminui contrariamente ao avanço da idade. Segundo Debby Herbenick, quanto mais idade tem a mulher, sobretudo acima dos 50, menos ela tende a depilar-se.

No entanto, Sofia Santos denota uma alteração no padrão. “Há uns anos a maioria das pessoas que fazia a virilha inteira fazia parte das camadas mais jovens. Eram miúdas entre os 19 ou 18 anos, até aos 20 e tais, 30 no máximo. A partir de uma determinada altura, mulheres com 30 e muitos aderiram e agora até aos 60 anos continuam a depilar a virilha toda.”

Em muitas destas investigações, as motivações da depilação estavam ligadas à vontade de se sentirem femininas, juntamente com a preocupação com a sexualidade. Não ter pelos, segundo esta visão, é mais sexy do que ter — ainda que os pelos sejam sinal biológico de maturidade adulta.

Citados por Smelik, muitos outros académicos que estudaram o tema vão ao encontro daquilo que nos disse Sofia Santos. Não só as mulheres, como os próprios homens, pensam nos pelos no corpo feminino com nojo.

“A grande maioria dos homens prefere as mulheres sem pelos”, diz-nos a esteticista Sofia Santos. “Muitos até dizem: ‘Olha, não achas que está na altura de ires à Sofia tratar disso’.”

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