Quando Virginie Viard, diretora de estilo da Chanel, encerrou o desfile da marca francesa em Paris, em janeiro, estava longe de pensar que, um mês depois, viria a assumir o lugar de Karl Lagerfeld enquanto diretora criativa da casa de moda. Apesar de serem vários os rumores que a indicavam como a sucessora natural, a confirmação só foi adiantada esta terça-feira, 19 de fevereiro, depois do anúncio da morte de Karl Lagerfeld.

Virginie Viard chegou à Chanel em 1987, quatro anos depois da entrada de Lagerfeld, através de uma recomendação para um estágio. Desde então que os dois se tornaram inseparáveis, ao ponto de colaborarem juntos em todo e qualquer contexto — como quando Lagerfeld trocou a Chanel pela Chloé, em 1992, antes de regressar em 1997.

Foi nessa altura que se empenharam em reafirmar a posição da Chanel no mercado, garantindo e supervisionando a criação de, pelo menos, oito coleções por ano da marca.

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Numa entrevista exclusiva à revista “Elle”, em dezembro do ano passado, a então diretora de estilo da Chanel revelou ter como trabalho principal “ajudar a tornar realidade a visão de Karl”, o que obrigava a todo o tipo de tarefas como escolher ao pormenores os modelos que participariam em cada desfile ou tratar dos retoques finais dos eventos.

Virginie Viard encerrou o desfile de moda da Chanel em Paris, em janeiro

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“A minha maior preocupação é tentar antecipar aquilo que ele [Karl Lagerfeld] gostaria de ver acontecer. Ele é muito sensível, como todas as pessoas criativas o são, mas também é muito fiel e generoso, ao contrário do que todos possam imaginar”, disse ainda à mesma publicação.

Da mesma forma, Karl Lagerfeld nunca escondeu o apreço pela colega, amiga e confidente com quem trabalhava desde 1987. “Ela é a minha diretora, a minha mão direita e a minha mão esquerda. A nossa relação é essencial para o sucesso e qualidade da Chanel, e é marcada por uma amizade e um carinho muito forte e real”, revelou o estilista à “Elle” em novembro de 2018.

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Ao assumir o novo cargo, Virginie Viard torna-se, assim, na primeira mulher desde Gabrielle Chanel, a fundadora, a assumir o controlo da casa de alta costura, e diz a marca que a decisão foi apoiada por Alain Wertheimer, um dos maiores investidores da marca.

O objetivo? “Continuar o legado artístico e cultural da casa de alta costura de maneira a que as criações de Gabrielle Chanel e Karl Lagerfeld sobrevivam no tempo”, lê-se no comunicado de imprensa citado pelo “The Independent”.