Danielle deu o seu primeiro beijo escondida atrás de um autocarro que, infelizmente, estava cheio de gente. Ela bem queria passar despercebida, mas acabou apanhada por uma pequena multidão. Já Miah tinha a turma inteira a olhar para ela, a gritar “beija”, enquanto Sara ouviu do outro lado um “precisas de treinar mais”.

No Dia dos Namorados, a MAGG recorda histórias mais ou menos fofinhas de primeiros beijos. Toda a gente se lembra do seu, mesmo que não seja uma memória agradável. O primeiro beijo — a sério, os chochos na primária não contam — é uma recordação que fica para sempre, mesmo que esteja carregada de embaraço ou tenha sido simplesmente terrível.

Ou encantador. No caso de Paula Carvalho, o homem que lhe deu o seu primeiro beijo voltou anos mais tarde à sua vida — e hoje continua por lá. Já Patrícia Cabral recordou-nos a primeira vez que beijou uma mulher: foi exatamente há oito anos, num Dia dos Namorados, que tudo mudou.

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Danielle Miranda (36 anos, Seixal)

“Tinha 9 anos e era apaixonada pelo Beto, um capoeirista gordinho que treinava na igreja em frente à minha casa. Não tenho ideia de quanto tempo isso durou, se semanas, meses ou anos… Só me lembro de gostar dele até aos 12 anos. Um dia combinámos encontrar-nos. Para os meus pais não sonharem com o que se passava, duas amigas minhas iam chamar-me à janela de casa. Era o sinal de que o Beto estava à minha espera na paragem.

Todo decidido e afoito, espeta-me um beijo tão grande que eu até ia caindo. Não tenho a certeza do que o fez dar o primeiro passo”

Sentámo-nos na escada e esperámos que um autocarro parasse em frente de nós para esconder a “sem-vergonhice”. Porém, todo o autocarro ficou parado a olhar para nós, em choque. Eram duas crianças a dar um beijo de língua! Eu amava o Beto, mas odiava aquela língua que ia parar à minha garganta [risos]. E foi assim que aprendi a beijar.”

Catarina Fartaria (40 anos, Cascais)

“Devia ter uns 15 anos. Eu era muito tímida e não estava nada interessada em namoros, mas na minha turma havia um rapazinho muito giro e tão tímido (ou mais) do que eu. A pressão das amigas levou-me a fazer uma aposta inocente… Apostei com elas que, até ao fim daquele período, arranjaria coragem para ir falar com o dito rapazinho, se não iam elas ‘denunciar-me’.

É claro que o tempo passou e eu nada. Certo dia, sem que eu soubesse de nada, vejo o rapazinho a vir na minha direção. Todo decidido e afoito, espeta-me um beijo tão grande que eu até ia caindo. Não tenho a certeza do que o fez dar o primeiro passo, mas acho que as minhas duas amigas devem tê-lo incentivado vivamente.

É claro que fomos motivo de chacota o resto do ano, e até hoje ainda não sei quem ficou mais vermelho — se eu, se ele. E é esta a história do meu primeiro beijo, perdi a aposta e ganhei um namoradinho.”

Miah Tossani (32 anos, Faro)

“Lembro-me do meu primeiro beijo como se fossem ontem. Tinha 11 anos e estava a ‘namorar’ um menino da escola, mas só dávamos a mão. Um dia os nossos amigos trancaram-nos na sala de aula e disseram-nos que só saíamos de lá depois de nos beijarmos. Ficámos uns dez minutos ali, cada um num canto da sala. Como nada acontecia, os nossos amigos, uns 30 miúdos, começaram aos gritos à janela: “Beija, beija”.

Foi muito vergonhoso. Como nós tínhamos que ir para casa, acabámos por nos beijar. Foi uma gritaria, aplausos… Mas até foi bom. Já estou com 32 anos e ainda me recordo da roupa que usávamos. Ele estava com uma camisa polo vermelha com uma faixa azul na horizontal e uns jeans. Eu usava uma camisa amarela clarinha com um gato estampado na frente e umas bermudas verde-limão com umas sandálias pretas.”

Paula Carvalho (27 anos, Vila Nova de Gaia)

“O meu primeiro beijo foi dado ao grande amor da minha vida quando tinha 16 anos. Uns dias mais tarde ele resolveu voltar para a namorada da altura e acabámos. O tempo foi passando. No ano seguinte comecei a namorar, entretanto casei e tive um filho. Não funcionou. Voltei a reencontrá-lo um mês antes de sair de casa — infelizmente, era vítima de violência doméstica. Morávamos no mesmo prédio e no mesmo bloco, e não sabíamos. Ele ajudou-me a sair daquela situação.

Nunca esqueci aquele beijo! Passaram-se oito anos e nunca esqueci aquele beijo. Agora, vai fazer três anos que estamos juntos. Mais maduros e com uma grande história de amor.”

Sara Maria (25 anos, Pinhal Novo)

“Gostava de um rapaz há já um ano. Éramos inseparáveis mas também nos fartávamos um do outro muitas vezes. Crianças, não é verdade? Nesse verão ele convidou-me para ir passar um fim de semana à Lagoa de Albufeira, na casa da avó dele. Nunca esperei aquele convite, e os meus pais também não gostaram muito, mas lá me deixaram ir porque os pais dele também iam, obviamente.

Quando cheguei, também estavam lá as primas dele, que eram mais novas do que nós e só queriam brincar. Depois de jantar fomos a um café e passou uma estrela cadente no céu. Nunca tinha visto uma mas pedi um desejo: que ele gostasse de mim tanto quanto eu gostava dele. Voltámos para a casa da avó dele e as primas quiseram fazer uma luta de almofadas em cima de uma das camas. Estivemos horas naquilo, às gargalhadas e na brincadeira. Até que uma delas escorregou e bateu com o queixo no chão, começando logo a sangrar.

Entrei em pânico porque os pais dele tinham saído entretanto e eu não sabia como lidar com aquela situação — sou filha única e a mais nova da família. Ele, ao contrário de mim, foi super rápido a tomar uma decisão e foi buscar papel higiénico para tentar parar o sangue. Ela chorava de dores e eu dava-lhe festinhas no cabelo, dizendo que a tia estava quase a chegar e que depois víamos se era preciso ir ao centro de saúde.

Sendo sincera, ouvi metade daquilo que ele disse porque passei o tempo inteiro a pensar: ‘Beijo? Não beijo?'”

Quando eles chegaram, levaram a menina para o centro de saúde e nós ficámos os dois sozinhos. Eu estava com uma dor de cabeça descomunal por causa dos nervos e acabei por me ir deitar. Estava quase a adormecer quando ouvi alguém a entrar no quarto. Ele anunciou-se e deitou-se ao meu lado, por cima dos lençóis. Olhou-me diretamente nos olhos, mexeu-me no cabelo e beijou-me. Eu estava a espera de um chocho mas aquilo acabou por envolver língua e eu não fazia a mínima ideia do que era suposto fazer. No fim, ele disse-me que eu precisava de treinar mais e ficou ali até eu adormecer. Quando os pais dele chegaram, expulsaram-no do meu quarto e ele ainda levou uma descasca. E eu nunca me tinha sentido tão feliz como naquela noite.

Uns dias depois fiz anos e ele nem sequer se lembrou.”

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Miriam De Las Astúrias (25 anos, Loures)

“Foi no dia 26 de janeiro de 2017. Ele era um rapaz que eu tinha conhecido três meses antes pois ambos começávamos um novo trabalho, na Netflix. Ele gostou logo de mim e fez logo as suas peripécias e técnicas de engate para ficar comigo. Eu fui sempre muito reticente porque tinha medo — nunca tinha tido um namorado antes e tinha muito receio.

Depois de muita insistência por parte dele, lá fomos a um encontro — eu que pensava que um encontro era um compromisso! [risos] Nunca me ocorrera que um encontro é apenas um test drive sem compromisso. Fomos ao Amoreiras, a um cafezinho fofo que há lá. Falámos durante imenso tempo, eu mais calada e nervosa. Sendo sincera, ouvi metade daquilo que ele disse porque passei o tempo inteiro a pensar: ‘Beijo? Não beijo?’.”

A determinado momento, sinto uma adrenalina no meu corpo. Sem saber exatamente o que estava a fazer, levanto-me, pego na cara dele e dou-lhe um beijo. Claro que ficou incrédulo, do género ‘isto acabou de acontecer?’. E foi assim que passei de ‘ai que medo gostar de alguém’ para ser eu a beijar alguém. Foi nesse momento que me libertei de todos os macaquinhos que tinha na cabeça e fui em frente com a nossa relação”.

Sofia Silva (41 anos, Torres Vedras)

“Eu morava numa rua sem saída, onde todos os fins de semana vinham os amigos da cidade com casa na aldeia junto à praia (Boavista, Santa Cruz). Estávamos a brincar às escondidas. Ele era giro! Todas as miúdas tinham uma paixoneta por ele. Acho que tinha uns 11/12 anos, e sim, ainda brincávamos às escondidas. Foi muito engraçado: havia um pinheiro muito largo e nós fomos esconder-nos no mesmo sítio. O silêncio, a proximidade, a cumplicidade que havia provocou um beijinho. Foi um beijinho simples nos lábios, mas para uma menina naquela fase da vida foi magia.

Patrícia Cabral (38 anos, Porto)

“Em 2011, trabalhava num call center enquanto não surgia nada melhor. Modéstia à parte era a melhor operadora deles. Nessa altura começam uns sussurros de que iria integrar na equipa de uma tal Dora que também obtinha óptimos resultados. Desconfiei e fiquei atenta a quem vinha aí. Uma semana depois, a Dora entra na equipa e fica mesmo na minha frente. Lembro-me perfeitamente o que vestia, como caminhava e da forma delicada com que tirou o casaco, sempre muito focada e concentrada.

Nesta fase eu tinha namorado. Sabia já há muito que o que me encanta é a pessoa, é-me indiferente o hardware se o software me tocar. Contudo nunca me tinha apaixonado por uma mulher. Em retrospectiva consigo perceber que me encantei por ela assim que a vi, mas na altura pensei que fossemos só amigas. Fomos as melhores amigas durante um ano. Trocámos de projeto mas não nos cansávamos uma da outra — tínhamos as mesmas referências, os mesmos amores e implicações, a mesma sensibilidade. O trabalho terminava e nós ficávamos horas a conversar.

Um dia, a 14 de fevereiro, após o trabalho, convidei-a para jantar. Já não tinha namorado e não conseguia pensar em melhor companhia para um jantar animado. Comemos, bebemos, rimos e ficámos até o restaurante fechar. Eram muitas da manhã e sentia-me tão feliz, tão plena, que percebi: estou a apaixonar-me. “Mas não te preocupes que lido bem com isso”, disse-lhe quando a deixava no carro dela. Ela brincou e eu fui para casa com o melhor dos sorrisos. No dia seguinte voltei a tocar no assunto, mas como sempre pus-me na defensiva — que devíamos estar malucas, que não era boa ideia confundir as situações.

Por incrível que pareça, pombos ou pombas levantaram voo à frente do carro dela, o que nos pareceu um sinal do universo.”

Passámos uma semana a evitar-nos, mas o universo juntava-nos e parecia que havia eletricidade entre nós. O tempo encolhia e distendia sem a mínima lógica. No final dessa semana confessámo-nos uma à outra, mas não nos beijámos tal era o nervosismo. Dois ou três dias depois fiz-lhe uma maldade: como tinha sido eu a confessar a minha paixão, seria ela a decidir quando seria o nosso primeiro beijo. Ela disse que sim e depois fez-me esperar.

Ainda hoje não sou conhecida pela minha paciência. Concluí que, face à falta de iniciativa por parte dela, aquela paixão estava na minha cabeça. Um dia estamos nós no carro, comigo a tirar conclusões, e ela literalmente atreve-se e dá-me o chamado beijinho (um selinho) e sai do carro entrando no dela.

Fiquei chateada, ou melhor, frustrada — aquilo não era beijo que se desse. Liguei o carro num impulso para me ir embora, mas quando dou por mim estou a entrar no dela a barafustar e eis que nos calámos com um beijo, cheio de emoção, de entrega, de beleza. Por incrível que pareça, pombos ou pombas levantaram voo à frente do carro dela, o que nos pareceu um sinal do universo. E foi o início de um grande amor e de uma relação maravilhosa que já está a caminho de completar oito anos.”

Daniela Beiçudo (25 anos, Cuba)

“Eu andava a falar com um rapaz e combinámos um dia ir à piscina. Tinha 13 ou 14 anos. Havia um espaço mais escondido atrás das piscinas, por isso fomos para lá e aconteceu o beijo. Sinceramente, achei aquilo super nojento e nem sabia o que estava a fazer — mas tinha treinado no meu joelho antes; sim, é estranho. Lembro-me de andar lá com a língua, sem saber bem onde a tinha que meter, e lembro-me também de ter ficado toda babada porque ele tinha aparelho e uma boca enorme. Resumindo, foi tudo péssimo. Além disso, era um rapaz — naquela altura eu já sabia que não gostava de rapazes, mas tentei à mesma. Fiquei chocada que nunca mais lhe falei. Até hoje!”