10 coisas que pode (e deve) aprender com o seu gato

Em "Meu Gato, Meu Guru", Stéphane Garnier reúne tudo o que aprendeu com Ziggy nos últimos 15 anos.

"Meu Gato, Meu Guru" chegou às livrarias a 7 de fevereiro

Mikhail Vasilyev/Unsplash

Traduzido em 25 línguas e com mais de 150 mil exemplares vendidos, “Meu Gato, Meu Guru” chegou a Portugal a 7 de fevereiro e mostra-nos que não é preciso investir balúrdios para ter aulas com um coach. Às vezes, basta mesmo só olhar para o que nos rodeia — no caso do autor, Stéphane Garnier, para Ziggy, o gato que o acompanha há 15 anos.

Editado pela Albatroz, “Meu Gato, Meu Guru” junta 40 ensinamentos que o escritor francês aprendeu com o felino. Um olhar atento revelou que ele era um ótimo coach, melhor do que muitos que andam por aí. A ideia para este livro surgiu com as interrupções ocasionais de Ziggy quando Stéphane Garnier se sentava para escrever. Era como se lhe dissesse: “Não achas que está na altura de fazer uma pausa?”. Estava. Ele tinha razão.

Os gatos passam o dia relaxados. Têm uma postura elegante, silenciosa, contemplativa, curiosa e independente. Pensam em si primeiro do que tudo, aceitam-se como são e têm capacidades de liderança únicas. Ainda acha que não tem nada para aprender com o seu gato?

A MAGG reuniu as 10 coisas que pode (e deve) aprender com o seu gato, segundo o livro “Meu Gato, Meu Guru”.

1. O gato é livre

“No mais fundo de nós, somos todos movidos pelas mesmas urgências. Os gatos têm a coragem de viver sem se preocuparem com elas” (Jim Davis)

“Liberdade, querida liberdade! Quem não sonha com ela, como motor de cada instante da sua vida?

Ser livre de ir onde lhe apetecer, de fazer apenas aquilo que lhe agrada, livre nas ações, desejos, caprichos, livre de espírito como de movimentos! Livre!

Paradoxalmente, todos temos uma grande propensão a colocar entraves à liberdade e, muitas vezes, a construir cadeias para nós mesmos, seja na forma de empréstimos bancários que nos obrigam a trabalhar cada vez mais, de objetos fúteis que consideramos valiosos, de hábitos que se transformam em obrigações, sem nos apercebermos, de pessoas tóxicas que mantemos ao nosso redor… Talvez seja tempo de varrer o lixo da sua vida!

E porque não conservar apenas aquilo de que gosta, preservar só as relações que lhe agradam, dedicar-se unicamente às atividades e à profissão que o apaixonam? Seguir apenas a sua cabeça, obedecer somente aos seus desejos?

Um sonho, estará com certeza a pensar. Mas não para o gato, que decidiu ser livre – livre de ter, livre de ser, livre de viver como lhe parece melhor em cada instante da sua vida.

É uma constante no gato, aliás, é o próprio centro da sua conduta: ser livre. O resto pouco lhe importa, ao passo que nós, com frequência, adiamos este ideal para umas eventuais férias bem gozadas se tal for possível, e se a agenda assim o permitir…

Lição: Quer viver como um gato? Seja livre como o vento! E faça apenas o que decidiu fazer!”

2. O gato sabe impor-se

“Para o gato, é uma questão de honra não servir ninguém, o que não o impede de, em casa, reclamar para si um lugar melhor que o do cão” (Michel Tournier)

“Muitas vezes, por timidez ou falta de autoconfiança, temos receio em afirmarmo-nos diante dos “outros”. Apagamo-nos, calamo-nos, porque achamos que “os outros” são intelectualmente superiores, ou pelo menos suficientemente seguros de si para esmagarem a audiência com a sua presença, o seu conhecimento… ou a sua estupidez, se os ouvirmos bem, com toda a atenção!

Quem são “os outros”? É você, sou eu, todos somos “os outros” de alguém. Se “os outros” ocupam mais espaço em si do que você, é porque o permitiu. É como numa casa: quanto mais armários temos, mais nos dispersamos!

“Os outros” invadem o seu espaço, começam a pisar-lhe os calos até eventualmente lhe passarem por cima? Pense no gato!

Experimente pisar a pata de um gato e verá a sua reação! Vai ouvi-lo e talvez senti-lo quando ele lhe enterrar as garras na barriga da perna!

Pare de deixar que o pisem! “Os outros” não têm qualquer legitimidade para se imporem. Têm apenas o espaço que lhes dá. Têm apenas o que o seu nível de “tolerância” permite, que pode ou não deixar que o desrespeitem, lhe façam trinta por uma linha e ainda, no fim, lhe batam quando já está deitado no chão.

Existe uma diferença efetiva entre ter carisma e uma personalidade forte, como o gato, e impormo-nos fortemente a quem está mais a jeito. O gato ocupa o lugar que lhe é devido sem passar por cima dos vizinhos, mas não tolera que venham invadir o seu espaço. Impõe-se assim, serenamente – não brinca aos tiranos, mas também não aceita um papel secundário!

Lição: Saiba impor-se tranquilamente e defenda a sua posição à primeira tentativa de intromissão! Merece muito mais do que desempenhar um simples papel secundário!”

3. O gato pensa em si mesmo primeiro que tudo

“O gato não nos acaricia, acaricia-se a si mesmo servindo-se de nós” (Rivarol)

“Para o gato, a maior parte da vida é passada a cultivar o seu bem-estar antes de tudo. À sua semelhança, também nós, às vezes, precisamos de ser um pouco egoístas e pensarmos apenas em nós mesmos.

Isto não significa sermos egocêntricos, narcisistas ou egotistas, mas permitirmo-nos colocar o bem-estar pessoal à frente dos outros. Não podemos dar nada aos outros se não soubermos dar a nós mesmos.

Seja física ou psicologicamente, cuide de si antes de tudo – é esta a chave para a sua felicidade. Se se sentir feliz e realizado saberá dar e partilhar.
Não fique à espera dos outros para criar uma bolha de bem-estar e doçura, isto depende apenas de si. Ninguém vai fazê-lo em sua vez e ninguém saberá melhor o que é relevante para o seu bem-estar.

Assim, tome as rédeas da situação e, como o gato, construa o seu território, a sua zona de conforto e as suas possibilidades de realização pessoal.

Cultive os pequenos prazeres todos os dias e nunca perca uma oportunidade de passar um bom momento ou de oferecer um pequeno presente a si mesmo – porque, efetivamente, merece! Nunca duvide disso!

Lição: Pense em si, pense no seu bem-estar, cuide-se. Ninguém o fará melhor, nem fará mais por si do que você mesmo.”

4. O gato sabe delegar

“Os gatos são astutos e têm consciência disso” (Toni Ungerer)

“Está permanentemente preocupado com os seus amigos e à disposição de toda a gente? Ou, pelo contrário, acha que todos devem estar ao seu serviço e dar resposta mesmo às suas mais pequenas exigências?

Não caindo em excessos, mas sabendo fazer-se servir como um gato pode, por vezes, tornar o seu quotidiano mais leve. O gato não faz nada, como toda a gente sabe, e passa o tempo a ser servido! Ele é o rei!

Claro que não pode nem deve levar à letra esta atitude real e dominadora, mas tão-pouco precisa de ser um lacaio, sempre às ordens da família e amigos!

Editado pela Albatroz, o livro custa 14,40€

Satisfazer todas as expectativas, caprichos e desejos dos seus filhos e do cônjuge não é propriamente a coisa mais relaxante do mundo.

Como o gato, aprenda a fazer-se servir. Comece por delegar pequenas tarefas diárias. Por exemplo, deixe de ser o servo ou a criada dos seus filhos, e ajude-os a tornarem-se algo autónomos, delegando-lhes algumas tarefas, de forma a garantir o bom funcionamento do lar. Isso não lhes vai fazer mal nenhum! Pelo contrário, trará benefícios para todos, inclusive para si que ganhará tempo e sentir-se-á menos cansado.

Saber delegar é o grande segredo! Mas para isso precisa de pedir e parar de fazer as coisas em vez de… ou porque é mais rápido se…

Isto é igualmente válido para as pessoas que ocupam cargos de chefia em empresas, com dificuldades em confiar, em delegar, com uma necessidade constante de verificar e validar o trabalho de cada colaborador. Trata-se de um mau hábito que se transforma num sistema, pois a seguir esses colaboradores, habituados a um tratamento tão “maternal” no seu trabalho, virão validar cada vírgula daquilo que fazem. Tantas horas e tanta autonomia perdidas, e uma sobrecarga de trabalho para você que pode estar a ocupar essa posição de liderança!

Aprender a delegar é, antes de mais, libertar tempo para si próprio, para fazer o que quiser, em vez de ser um escravo permanente das necessidades diárias daqueles que o rodeiam.

Adicionalmente, delegar é uma prova de confiança que alguém dá a quem lhe é próximo, aos funcionários, ao cônjuge, aos filhos. É outra maneira de ver as coisas.

Claro que daqui a assumir que é para nosso próprio bem que o gato se faz servir permanentemente já seria exagerar! Se bem que…?

Lição: Seja um gato no emprego e em casa: aprenda a delegar!”

5. O gato escolhe quem o rodeia

“Nós nunca escolhemos um gato, é ele que nos escolhe” (Philippe Ragueneau)

“Uma coisa é certa, o gato nunca suporta relações com outros gatos, ou pessoas, que não lhe convenham. Escolhe os membros do seu mundo um a um, e preza-os adequadamente.

Por que motivo então nós, animais humanos, passamos uma grande parte das nossas vidas a aturar pessoas às vezes insuportáveis, antípodas dos nossos valores?

Porquê, por conveniência social e, às vezes, por covardia, nos obrigamos a multiplicar vénias e sorrisos, gastando o tempo e energia mantendo, quase sob stress, todos estes relacionamentos que nos intoxicam?

Escolher como o gato – eis o que seria mais simples fazermos!

Escolher com quem nos damos, escolher com quem partilhamos o nosso tempo, de quem gostamos, com quem queremos passar a vida.

O gato que o escolheu testou primeiro o seu afeto, a sua personalidade, a sua lealdade. Só depois se entregará, se assim entender, se sentir que você é essencial na sua vida presente e futura, e permanecer-lhe-á fiel, porque foi ele que o escolheu.

A vida é demasiado curta para partilhar com imbecis: será que somos assim tão estúpidos?

Tão estúpidos mas não o suficiente para igualarmos o nível dos animais, ao que parece!

Lição: Pare de aturar idiotas – escolha com quem se quer dar, escolha os seus amigos!”

6. O gato sabe evitar os conflitos (na medida do possível)

“As pessoas que gostam de gatos evitam medir forças” (Annie Duperey)

“À exceção do território que tem de defender e da gata do vizinho que gosta de cortejar, alturas em que pode assestar uma bela pancada ao felino que tente rapinar a sua sorte, o gato não gosta de conflitos.

Alguma vez viu uma horda de gatos juntar-se para desancar outra horda de gatos? Sob falsos pretextos de anexação territorial ou defesa de recursos naturais? Liderados por dois grandes gatos com galões de líderes militares? Nunca!

E quanto mais velho é o gato, mais usa de estratagemas para afugentar o inimigo de forma a evitar conflitos. O Ziggy usa um truque infalível quando algum gatarrão vem até ao seu território à noite. Quando sente o perigo aproximar-se, esconde-se e espera. Ao princípio, ouvia-o roncar com um vozeirão rouco (é assustador!), ia lá fora e do Ziggy nem sinal, via apenas um gato a fugir do jardim sem ousar ripostar. Chamava-o, mas ele não aparecia.

Foi na obscuridade do interior da casa que compreendi a sua técnica: o meu gato escondia-se no ângulo escuro do parapeito da janela, atrás de alguns ramos pendentes de uma trepadeira-da-virgínia e, fazendo voz grossa (não riam, parecia um tigre!), advertia o intruso do seu potencial enorme tamanho, sem nunca se mostrar. Se o outro não se ia embora, Ziggy sabia como enfrentar a luta que se avizinhava. Mas, nove vezes em dez, o estratagema funcionava. O gato fugia, Ziggy não se movia do posto de vigia até ter a certeza de que o outro cruzara a fronteira do seu território e, depois, retomava a ronda noturna. Podia só ter três patas, mas à noite usava o truque, a estratégia e o simulacro como armas para evitar conflitos.

O gato não é beligerante nem conflituoso, é orgulhoso, e, na medida do possível, desde que o seu território não esteja em perigo, evita ter de lutar. Este é um dos princípios presentes em A Arte da Guerra, de Sun Tzu; talvez também Sun Tsu se tenha inspirado num gato, há mais de quinhentos anos antes da nossa era.

É bastante lamentável que, aparentemente, os mais “finos” estrategas e líderes militares atuais tenham deixado de ler.

A maneira como o gato reage ao conflito é bem mais interessante que aquela a que o homem recorre, com uso de armas. Uma prática tão milenar quanto inútil!

Num conflito existem tão-somente dois perdedores, e isto é algo que o gato já sabe há muito tempo.

Lição: Tanto quanto possível: evite os conflitos!”

7. O gato é sempre prudente

“Gato escaldado de água fria tem medo!” (provérbio popular)

“O gato não é nenhum doidivanas e as suas desventuras servem-lhe sempre de lição. Nunca se aproxima de um novo lugar, de um carro ou de um objeto sem primeiro o observar durante muito tempo e tomar as devidas precauções. O gato evita colocar-se em perigo desnecessariamente.

Tudo o que é novo é minuciosamente inspecionado, analisado.

Ser cuidadoso pode evitar muitos problemas, conflitos e acidentes. No entanto, certamente por falta de instinto, ao longo das eras o ser humano tem construído o seu conhecimento e experiência enfiando a mão no fogo… para perceber que queima! Uma mecânica bastante estranha, se virmos bem.

O Homem não sabe nada até que lhe tenham ensinado. Imagina um gato caminhando sobre cinzas incandescentes?

Quantos de nós ficaram doentes pela ingestão de alimentos estragados, sem o percebermos?

Agora pense: quantas vezes viu o seu gato torcer o nariz e não tocar na comida porque esta secou um pouco? Ou quantas vezes o viu cheirar de todos os ângulos a fatia de fiambre que lhe estendeu antes de a comer?

O gato corre poucos riscos de se envenenar, usa os sentidos e é cuidadoso. Já o homem é destemido por natureza, portanto, imprudente, à imagem da criança que deve ser protegida de tudo, a quem devemos ensinar todas as coisas e a quem devemos proteger de todos os perigos.

Por comparação, quem ensinou ao gato que o fogo queima, que na água pode afogar-se, que deve evitar aproximar-se do cãozarrão que lhe ladra? Quem lhe disse que aquelas coisas enormes que andam e fazem barulho são carros que o podem esmagar? Instintivamente, ele sabe tudo isto, ele sente o perigo, ao contrário da criança.

Perdemos muitos dos nossos instintos, muitos dos nossos sentidos… Mesmo nos nossos relacionamentos com as pessoas. Quantos de nós não disseram a si mesmos, um dia: “Tinha a certeza de que ele me ia fazer isto, desde o começo que tenho um mau pressentimento!” Não há dúvida de que a sua intuição se manifestou. A verdade sobre esta pessoa deu-lhe razão e, contudo, seguiu o instinto quando esta má sensação se lhe impôs? Não. Muitas vezes, preferimos a “racionalidade” ao instinto.

À medida que o tempo passa, percebemos que o nosso instinto nunca nos engana e que nos guia sempre para o que é melhor para nós.

A primeira impressão nunca mente. Se quiser ser mais prudente no futuro, volte a entrar em contacto com os seus instintos mais básicos, ouça a sua intuição, confie em si mesmo – verá que nunca se arrependerá.

Lição: Em caso de dúvida, não tenha dúvidas: siga o seu instinto!”

8. O gato é relaxado por natureza

“Não é preciso haver estátuas numa casa onde há gatos” (Wesley Bates)

“Movermo-nos, movermo-nos incessantemente, agitarmo-nos… É o fado de muitas pessoas, incapazes de parar para relaxar por instantes, de tal forma se encontram presas na espiral do ritmo incessante das grandes cidades. Vivem carregadas do stress urbano e levam-no, inclusive, para dentro de casa.

Para que o perceba melhor, diga-me: assim que chega a casa do trabalho, atira o casaco para o sofá e agarra-se de imediato à pilha de roupa e ao monte de contas atrasadas, com o aspirador numa mão e um pano de limpar na outra?
Tem noção que o seu gato o observa nessa agitação entre a cozinha, a sala de estar e o escritório? Olha para si com um ar estranho… Claro, por um lado, está a incomodá-lo e, por outro, ele questiona se não estará a ter uma crise qualquer de loucura!

Por isso, por favor agarre no comando do leitor de DVD e carregue na tecla “Pausa”! Não é uma metáfora, faça mesmo isso! Inspire profundamente e respire com calma. Nesse momento, sentirá um profundo apaziguamento, como se tivesse acabado de chegar ao lugar onde pertence. Verá um sorriso a desenhar-se no rosto. Com este sentimento, e prestando atenção ao olhar do gato que não se despegou de si por um segundo, tomará consciência do frenesim inútil que criou ao passar diretamente da jornada de trabalho para outra jornada de trabalho! Mantendo sempre os níveis de nervosismo e hiperatividade no auge.

A arrumação, a lavagem da roupa e a limpeza da casa têm de ser feitas, dir-me-á, mas acredite que também as poderá fazer no momento certo, sem stress e “numa boa onda”!

Stéphane Garnier é um escritor francês. Nasceu em Lyon em 1974

Caso persista em se manter a mil à hora, verá o gato erguer-se silenciosamente na procura de um local mais silencioso para dar início à sua higiene. Afastar-se-á, com um pequenino abanar de cabeça, desabafando: “É incorrigível! Cá temos de novo a pressão, mal volta a casa! Vou invadir o roupeiro, aninho-me em cima das camisolas, ele deve deixar-me em paz algum tempo!”

E, voltando-se para miar uma última vez, antes de se escapar em direção à pilha de roupas impecáveis que a seguir será preciso lavar, você poderá ainda subentender o restante desabafo: “Ah! E já que pareces estar em crise, e precisas de descarregar energia, não te esqueças de encher a minha taça de comida até cima e de me mudar a areia, que aquilo já cheira mal!”

Lição: Pare com essa agitação sem sentido! Tanta energia gasta inutilmente! Aprenda a relaxar!”

9. O gato é um amigo sincero

“Se for digno do afeto de um gato, este tornar-se-á seu amigo, mas nunca seu escravo” (Théophile Gautier)

“Se o gato o aceitar no seu universo, será um amigo fiel e presente. Cuidará de si todos os dias, virá ver como está com pequenos miados, ouvi-lo-á reclamar, saberá tranquilizá-lo, reconfortá-lo… Estará lá para si, em todos os momentos. E nós, seres humanos, estamos sempre presentes e prontos a ouvir os nossos amigos? Sejamos sinceros: não negligenciamos de vez em quando os nossos relacionamentos que demoraram tanto a construir?

Podemos melhorar os nossos relacionamentos aprendendo do gato a fidelidade, o sacrifício, a ternura, a amizade que nos dedica. As circunstâncias e as mudanças da vida fazem com que, muitas vezes, criemos hiatos, voluntários ou involuntários, no relacionamento com as pessoas que nos são mais próximas.

Ou então quando surge um novo romance no radar! Todos conhecemos aquela fase em que um casal recente, completamente apaixonado, esquece o mundo à sua volta durante semanas, ou mesmo meses… mas, passada a loucura inicial, logo se retoma o relaciona- mento com as pessoas que são próximas.

Contudo, foquemo-nos na fase em que, consciente ou inconscientemente, nos afastamos daqueles que estão presentes na nossa vida há muitos anos para nos dedicarmos apenas à nova paixão…. É uma espécie de egoísmo público, que, para quem nos é mais próximo, se traduz num sentimento de abandono, de quase traição.

“Depois de ela ter começado a namorar, deixei de a ver…”, quem nunca ouviu, em algum momento da sua vida, esta frase dita em tom de deceção?

O gato ensina-nos muito sobre a fidelidade na amizade, uma vez que, desde o início, permanece no mesmo patamar, sem jogos ou calculismos.

Os gatos conseguem, por vezes, demonstrar mais humanidade do que os próprios humanos, que cedemos à tentação de nos fecharmos sobre as nossas pequenas vidas, esquecendo tudo o que foi vivido com os outros.

A amizade é um relacionamento tão poderoso quanto o amor, na medida em que muitas vezes dura mais!

Sacrificá-lo por causa de um amor, sob o pretexto de entrar nos códigos de uma sociedade que, a partir de uma certa idade, exige que “encontremos um par” é já em si um cálculo, uma forma de “parecer”.

É, igualmente, a melhor maneira de assegurar que, se um dia a relação com essa pessoa terminar, os seus amigos já não estarão lá para apoiá-lo.

Lição: Alimente as relações de amizade, são um dos tesouros mais preciosos da vida – tal como o gato, nunca as sacrifique.”

10. O gato está à vontade em todas as situações

“O gato é feliz por ser, este é o verbo que melhor lhe assenta” (Louis Nucéra)

“Todos nós passamos por situações mais desconfortáveis ao longo da vida, a diferença é que, com o passar do tempo, a nossa autoconfiança cresce e con- seguimos ultrapassar esses momentos delicados mais facilmente.

Muitas vezes o que está por detrás de uma situação em que não nos sentimos à vontade é o sentimento de que não estamos à altura. Mas em relação a quem? A quê? Aos outros, é claro, e também à imagem que ostentamos!

Já viu algum gato pouco à vontade? Nunca! É de tal forma uma sensação humana, que é descabido atribuí-la a um gato. Não, um gato nunca se sentirá desconfortável porque, como fomos vendo ao longo deste livro, o gato não tem uma imagem a defender: ELE É.

Logo, o gato é transparente na sua atitude, e nenhuma mentirazinha sobre a sua personalidade ou talentos pode deixá-lo desconfortável, uma vez que ele nem sequer dá importância ao que lhe é dito.

Se formos naturais e verdadeiros não há razão para nos sentirmos desconfortáveis. Só o sentimos se estivermos a usar alguma máscara.

Há risco de sermos “descobertos”? De não estarmos à altura do que contamos, do que criamos, e que faz parte da imagem que os outros têm de nós?

Sentimo-nos desconfortáveis quando nos vemos encostados à parede, apanhados entre o que dissemos e aquilo que fazemos ou aquilo que somos. E quanto maiores as mentiras, maior o desconforto. Acredito que os grandes mentirosos vivem numa ansiedade tremenda.

O outro motivo que nos leva a sentir desconforto é não nos sentirmos à altura de alguma coisa. E isto já tem a ver com a tal falta de autoconfiança que já sabe- mos que podemos trabalhar. O seu gato vai orientá-lo durante esta aprendizagem até se sentir seguro e acreditar em si mesmo.

Se seguir as regras do gato, sentir-se-á à vontade em qualquer contexto e projetará uma imagem positiva.

Lição: Estar sempre à vontade? Nem sempre é fácil! Mas é uma grande vitória de gato!”

Partilhe
Fale connosco
Se encontrou algum erro ou incorreção no artigo, alerte-nos. Muito obrigado. [email protected]