“O pequeno-almoço não é essencial”, garante um nutricionista

Um estudo revela que a refeição mais importante do dia pode não ser assim tão importante. Hugo Amaro explica porquê.

O estudo verificou a existência de uma ligeira diferença no peso favorecendo os que não tomaram o pequeno-almoço

Rachel Park/Unsplash

Quantas vezes é que já ouvimos dizer que não devemos saltar o pequeno-almoço? Que esta é a refeição mais importante do dia? Muitas. Ideias como estas são, muitas vezes, perpetuadas por anúncios publicitários, nomeadamente pela indústria dos cereais “de pequeno-almoço”.

Contudo, um estudo divulgado a 30 de janeiro indica que, em certos casos — como por exemplo, quem se encontra numa fase de perda de peso — o pequeno-almoço pode não ser benéfico. Na verdade, até pode prejudicar os resultados pretendidos.

O estudo baseia-se numa revisão sistemática e de meta-análise (procedimento estatístico que combina resultados de vários estudos) de ensaios clínicos realizados entre janeiro de 1990 e janeiro de 2018. Verificou-se uma ligeira diferença no peso, favorecendo os que não tomaram o pequeno-almoço. “Este estudo sugere que a inclusão do pequeno-almoço pode não ser uma boa estratégia para a perda de peso (…). É necessário ter cuidado ao recomendar o pequeno-almoço para perda de peso em adultos, pois isso pode ter o efeito oposto”, pode ler-se.

Em entrevista à MAGG, o nutricionista Hugo Amaro considera que a primeira refeição do dia é necessária, no entanto é preciso ter em atenção a questão individual e nunca generalizar. “Não se trata de dizer que deve ser tomado ou não [o pequeno-almoço]. Aquilo que defendo é que devemos olhar sempre para a questão individual. Devemos olhar para um plano alimentar com o intuito de personalizá-lo, tendo em conta a pessoa que temos à nossa frente, pois para essa pessoa poderá fazer todo o sentido tomar o pequeno-almoço e para outra não”.

Do mesmo modo, há que ter em atenção outros fatores que fazem parte do dia a dia de cada pessoa, como os horários, o tipo de trabalho e até as próprias preferências pessoais. A partir daí, é necessário perceber que refeições é que “podem potenciar o estilo de vida de cada pessoa”.

Tal como qualquer outra refeição, o pequeno-almoço não é, assim, fundamental. “O pequeno-almoço não é essencial, mas sim a forma como conjugamos todas as nossas refeições ao longo do nosso dia, de modo a promover o objetivo corporal que queremos e o objetivo de saúde que pretendemos”.

Contudo, não há obrigatoriedade em saltar o pequeno-almoço mesmo para pessoas que se encontram em fase de perda de peso, sendo antes necessário garantir que se está em défice calórico, isto é, está a “ingerir uma menor quantidade de calorias do que aquela que gasta por dia”. Para Hugo Amaro, este é mesmo o principal fator.

“Tomar o pequeno-almoço pode ser uma boa estratégia para as pessoas que comecem o seu dia bastante cedo;, que tenham dificuldades em ingerir alimentos em horas mais tardias do dia e que seja algo natural e se tenha gosto em fazê-lo”, afirma o nutricionista.

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