Esta mulher via sexo e corpos nus 16 horas por dia

Rose Cartwright sofre de um raro transtorno obsessivo-compulsivo. A sua história foi transformada agora em série.

História de Rose deu origem ao novo drama "Pure", do Channel 4

Imagine o que era acordar todos os dias e só conseguir ver imagens de corpos nus e de cariz sexual. Todos os dias, lá estão elas, recusando-se a deixá-lo em paz. E o pior? Não há como evitá-lo — nem de manhã, nem ao longo do dia. Mentalmente, vai estar sempre a despir todos com quem fala, sejam amigos, colegas ou até mesmo familiares.

Este Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), conhecido como Puro O, é uma condição que envolve pensamentos intrusivos internos angustiantes. Rose Cartwright faz parte do 1% da população mundial afetada com esta doença.

A sua experiência fez com que escrevesse uma biografia, “Pure”, que deu origem a uma série com o mesmo nome que estreou esta quarta-feira, 30 de janeiro, no canal Channel 4. Foi escrito por Kirstie Swain e tem um total de seis episódios.

"Pure" pertence ao canal Channel 4

A personagem principal de “Pure” chama-se Marnie, e é uma jovem de 24 anos com Puro O. A série de drama e comédia levou mais de dois anos a ser concluída, e baseou-se em dezenas de entrevistas com pessoas com TOC, instituições de caridade e psicólogos.

Achou que era pedófila, mais tarde homossexual

Os sintomas começaram quando Rose tinha apenas 15 anos. Do nada, a imagem de uma criança nua surgiu na sua mente. A jovem lutou contra os sintomas por mais de uma década, chegando a temer ser pedófila.

“Esta foi a grande e premente questão da minha adolescência”, contou num texto na primeira pessoa, publicado no “The Guardian” em 2013. “Numa tentativa de purgar a ansiedade, comecei a dissecar a minha memória em busca de pistas sobre a minha identidade. Analisei cada beijo e carinho que tive em festas do pijama; quando eu e os meus amigos encenámos o casamento dos vizinhos”.

As imagens foram-se alterando com o tempo. De repente, a imagem da criança foi substituída por mamas e vaginas. Estavam em todo o lado. Poderia ser homossexual?

Os sintomas agravaram-se de tal forma que Cartwright viu-se obrigada a deixar a universidade. “Aos 20 anos, acreditava que estava trancada numa crise irrecuperável de identidade sexual. Saí da universidade e pensava em suicídio diariamente”.

A frustração levou-a a pesquisar na internet um possível significado por detrás das imagens pornográficas que a atormentavam 16 horas por dia. Foi nessa altura que descobriu uma página com informações sobre o Puro O e levou ao médico o auto-diagonóstico.

Seis meses depois, Rose Cartwright iniciou um curso de terapia de reestruturação cognitiva, que ajuda as pessoas a racionalizar os seus pensamentos, de maneira a conseguirem perceber quais eram, ou não, reais.

Infelizmente não funcionou e Rose entrou numa depressão. Depois de se mudar para Londres e começar um relacionamento, Cartwright viajou pela América. O caso mais grave foi quando teve de conhecer o ator Jake Gyllenhaal, numa sessão fotográfica para um videoclipe. Só conseguia ver o rosto de Jake na forma de uma vagina.

“Na verdade, devo muito à cara de vagina de Gyllenhaal, porque a espiral suicida que ela provocou em mim foi o catalisador necessário para iniciar a minha busca de terapia particular.”

A terapeuta aconselhava Rose a forçar-se a ser exposta a imagens sexuais cada vez mais explícitas e a assistir pornografia três vezes ao dia.

Rose Cartwright diz que agora a doença está mais controlada, e que não tem pensamentos como tinha anteriormente.

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