Apesar de ainda não terem anunciado quem será o apresentador deste ano, já são conhecidos os nomeados para mais uma edição dos Óscares. Significa isto que esta é a altura certa para passarem os finais de tarde no cinema, a pôr todos os filmes em dia, para quando chegar a cerimónia já terem a lição bem estudada.

Um dado engraçado sobre os melhores filmes nomeados para este ano é que são todos compostos por histórias muito reais. Mas dos oito que chegaram à final, “Assim Nasce uma Estrela” e “Bohemian Rhapsody” são, sem sombra de dúvida, os filmes que me conquistaram. Se de um lado a história de amor entre Ally (Lady Gaga) e Jack (Bradley Cooper) faz-nos querer entrar em cena para consertar tudo o que está errado quando as coisas começam a desmoronar-se, por outro a exímia prestação de Rami Malek ao interpretar Freddy Mercury merece uma ovação de pé.

Confesso que nem sempre fui fã de Lady Gaga, apenas por não me identificar muito com o género musical produzido. Contudo, há uma particularidade que é inegável, goste-se ou não das suas músicas: a sua voz é única. Naquele corpo tão pequeno, há uma voz enorme e capaz de deixar uma sala em silêncio. E este poder de voz que Gaga possui, juntamente com uma história de amor sofrida, fazem de “Assim Nasce uma Estrela” um drama ao qual ninguém fica indiferente. Confesso que também fiquei impressionada com o seu talento na representação; surpreendeu-me.

Desta vez (visto que a última versão deste filme tinha sido estrelada por Barbra Streisand e Kris Kristofferson), Bradley Cooper, que não só realizou o filme como interpretou o papel principal, explica-nos ao detalhe a vida de Jack. Elucida-nos sobre as razões que o levaram a tomar a atitude que tomou no final do filme e mostra-nos o que por vezes pode significar amar alguém. São minutos e minutos emergidos numa montanha-russa de emoções, que nos levam a divagar que tem de existir uma química além dos ecrãs, dada à intensidade com que ambos desempenham os papéis em causa.

Ao mesmo tempo, mostra um lado muito verdadeiro sobre a ingratidão do mundo da música. Por muito talento que se possa ter, as editoras exigem sempre um certo caminho para que os lucros possam ser maiores. Mesmo que isso signifique abdicar da identidade e personalidade de alguém. E a cereja no topo do bolo é que o filme, ao mesmo tempo que é tão simples e tão cru, com imagens tão sinceras, não precisou de nenhum floreado para se tornar especial. Ficamos de coração cheio mas também desfeito.

Já no que diz respeito a “Bohemian Rhapsody”, o drama mexe connosco, mas é essencialmente porque nos dá uma lupa para descobrir a vida íntima de Freddy Mercury, vocalista da banda de rock Queen. Mas tal só é possível devido à excelente prestação de Rami Malek. E, tendo em conta o peso que tinha em cima de si para dar vida a este papel, só se pode dizer uma coisa: bravo, bravo! Do início ao fim, questionei-me várias vezes como é que ele estava a conseguir reproduzir tão bem outra pessoa. Como é que conseguiu assemelhar-se a Freddy da maneira que fez. Razão pela qual já ganhou o Globo de Ouro e também pela qual está nomeado para Melhor Ator nestes Óscares.

Penso que este foi um filme que dividiu muito a crítica: ou se amou ou se odiou. Dizem os entendidos que o realizador escapou a detalhes demasiado importantes na vida da banda. Só que eu faço parte do clube que amou. A quantidade de música exibida e que me faz andar a cantarolar Queen dias após ver o drama. Os momentos de criatividade da banda que nos mostram como chegaram até músicas que são hoje verdadeiros hinos. O crescimento de Freddy, como pessoa e como músico – o desconhecido, depois a luta com a sua identidade, como lidar com o sucesso, a entrega às drogas e a descoberta da pessoa em que se tornou. O amor de Mary que Freddy fez questão de assumir até ao fim da vida. O mítico concerto do Life Aid, a relação com os pais e, depois, o trágico desfecho de uma vida carregada de vida.

É isso mesmo: uma vida carregada de vida. Além disso, o filme ofereceu às camadas mais jovens a oportunidade de entrar na vida da banda e do explorar aquele que foi um longo caminho.

Agora que já sabem por quem vou estar a fazer figas, digam-me quais são os vossos preferidos. Este ano, há estilos para todos os gostos, o que torna mais fácil as nossas escolhas.

Deixo-vos aqui a lista dos nomeados para “Melhor Filme”:

  • “Bohemian Rhapsody”
  • “A Favorita”
  • “Assim Nasce Uma Estrela”
  • “Black Panther”
  • “BlacKKKlansman: O Infiltrado”
  • “Roma”
  • “Green Book”
  • “Vice”