Leonor Godinho tem um boné com a palavra “Tacos” escrito a vermelho e Edgar Bettencourt tem uma malagueta tatuada no braço. A comida está-lhes no estilo, no sangue, na cabeça, no palato e nas mãos de onde todos os domingos saem os almoços que a Musa serve a quem, habitualmente, só lá vai beber cerveja.

São uma dupla em casa — namoram há dois anos — e agora é também a dois que trabalham a criar menus diferentes todas as semanas na cozinha da fábrica de cerveja de Marvila.

Não têm o exclusivo dos menus da Musa — já por lá andaram os chefs Hugo Brito, Leopoldo Calhau e é também lá que são servidos os únicos almoços do Gana em Lisboa — mas já se podem considerar líderes em part-time de uma cozinha que, apesar de pequena, alimenta 50 pessoas todos os domingos.

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Edgar chegou mesmo a ser estagiário de Leonor no restaurante Mensagem e dividiram bancada no Feitoria. Agora, Edgar trabalha no Estrela da Bica e Leonor é uma das cabecilhas do grupo que gere as cozinhas dos restaurantes do Altis Belém.

E ainda que ambos considerem que a formação Michelin dê técnicas, no rigor, organização e ajude na boa apresentação dos pratos, Leonor chega-se à frente e admite que o que gosta mesmo é de fazer boa comida, “daquela que as pessoas fiquem felizes a comer”, conta à MAGG.

É por isso que, ao trabalho diário nos restaurantes do Altis, junta pequenos apontamentos de prazer gastronómico. Começou por fazer as quesadillas para acompanhar os sets do DJ Quesadila na Musa e foi aí que a equipa da cervejeira percebeu que estava ali o tempero necessário para os almoços que servem desde agosto.

Começaram pelos menus temáticos, com cada domingo dedicado a um país. Passaram pelos Estados Unidos, Tailândia, Brasil e Itália mas, para 2019, a ideia é mostrar comida made in Leonor e Edgar. “As pessoas já conhecem o nosso trabalho e queremos mostrar aquilo que gostamos mesmo de cozinhar”, explica Edgar. E o que é isso? “Comida bem feita, mas simples e, principalmente, sem ser aborrecida”, acrescenta Leonor.

É por isso que no início do ano, quando a Musa os desafiou a fazer um almoço de Reis, nem sequer pensaram no bacalhau com todos ou no peru recheado. “Que grande seca”, exclamam os dois. O menu — que custa sempre 15€ — começava com caldo verde, pataniscas de bacalhau e maionese de coentros, porco recheado com ameixa e farinheira com puré de maçã e batata gratin. Para sobremesa, um pudim de bolo-rei. Aiás, Leonor e Edgar querem começar um movimento pela defesa do bolo-rei. “Não estamos a brincar”, garantem, “já repararam que o bolo-rei, que não tem piada nenhuma, é sempre o último a ser comido na mesa de Natal?”. De facto, é verdade, e esta dupla quer reinventar a receita com a criação deste pudim, torná-la conhecida, para que o mal fadado bolo passe a ser a primeira sobremesa a acabar na noite de consoada.

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Este domingo, 27 de janeiro, Leonor e Edgar voltam a assumir a cozinha da Musa e o almoço de domingo continua com o toque pessoal de quem só quer fazer “comida que deixe as pessoas felizes”. Da ementa faz parte um trio de broa de milho, sourdough e chapata da nova padaria Terrapão, acompanhada com azeite de ervas aromáticas, manteiga de chouriço, requeijão e citrinos e tapenade de tomate. Ainda nas entradas estão os peixinhos da horta com molho picante e, como prato principal, preparam umas bochechas de porco com polenta, alho francês fumado e parmesão. Já está mais feliz só de ler, não está? Espere então até saber o que é a sobremesa. Bolo de caramelo e laranja com nata de alecrim.