Às vezes, perder peso é uma luta inglória. Enquanto contabilizamos as duas colheres de arroz que podem acompanhar a posta de salmão grelhada e a porção interminável de legumes, ou tentamos encontrar satisfação num lanche à base de uma maçã e três nozes, aparece “aquele” alguém.

“Aquele” alguém é o rapaz ou rapariga impecavelmente magro. Sem um quilo a mais que seja, jura a pés juntos que nunca foi a um ginásio e come um bolo todas as manhãs. Também não dispensa um refrigerante às refeições, traz porções abismais de massa para o almoço e passa a tarde a comer bolachas.

Repetimos: às vezes, perder peso é uma luta inglória. Como se não bastasse, a sociedade olha para os gordos como pessoas descontrolados, sem força de vontade. Já os magros são exatamente o oposto — controlados, equilibrados, carregados de motivação.

Não estamos a querer desmotivar ninguém: perder peso é possível e, ao final do dia, é tudo uma questão de matemática. Tem de gastar mais do que consome, ponto final. No entanto, é verdade que há pessoas geneticamente abençoadas. Pelo menos é isso que prova um estudo realizado pela Universidade de Cambridge, que chegou à conclusão de que a magreza está no ADN.

Com base na análise de ADN de 14 mil participantes com pesos variáveis, o estudo conseguiu identificar uma série de genes capaz de aumentar o metabolismo de algumas pessoas — que é como quem diz, queimar gordura mais facilmente.

Dois terços dos participantes disseram ter pouco interesse por comida, o que os cientistas suspeitam que seja um resultado dos seus genes. Já 40% afirmou adorar comida e comer tudo o que quer sem olhar a calorias, conseguindo, ainda assim, manter o peso.

“Isto prova que há grupos de pessoas que podem de facto comer o que querem e manterem-se magras”, explicou o autor principal do estudo, Sadaf Farooqi, ao “The Daily Mail“. “A investigação mostra, pela primeira vez, que estas pessoas são saudáveis e magras porque não têm os genes que levam ao excesso de peso, e não porque são ‘moralmente superiores’.”

Os investigadores estão agora a preparar novos estudos, nomeadamente para perceber o que acontece no corpo das pessoas naturalmente magras quando comem demais. Estas conclusões podem levar a novos medicamentes capazes de reproduzir os “genes da magreza”, e ajudar os milhões de pessoas em todo o mundo que lutam contra a obesidade.