Barman sugere os 7 melhores sítios para beber um copo em Lisboa no inverno

As escolhas são de Fernão Gonçalves, um dos maestros de cocktails no panorama lisboeta. Há opções no Príncipe Real e Bairro Alto.

O barman falou com a MAGG sobre a sua carreira, sobre o universo dos bares em Lisboa e ainda deixou 7 sugestões para aproveitar bem as noites

Se algum dia vir um caroço de abacate a refrigerar o seu cocktail, então é porque, provavelmente, tem mão de Fernão Gonçalves. É o barman responsável pela carta de bebidas do mais recente mexicano de Lisboa, o Coyo Taco, e o barman residente do Pesca, um dos fine-dinnings do Príncipe Real, em Lisboa.

Com 28 anos, está, desde 2014, a deixar a sua marca — sazonal e sempre próxima de produtores locais — nas cartas de bebidas de espaços bem conhecidos no panorama gastronómico lisboeta. “Comecei há cinco anos, quando lançámos o projeto Casa de Pasto no Cais Sodré com o chef Diogo Noronha [atual chef do Pesca]”, conta à MAGG. “Desde então tenho feito projetos que para mim são muito especiais, como o Rio Maravilha, O Pesca, a Sala de Corte e mais recentemente o Coyo Taco.”

Mas nem sempre foi assim. Aliás, se recuarmos cerca de 12 anos, vemos um Fernão Gonçalves de 16 anos num vaivém frenético, típico de quem trabalha nas empresas que prestam serviço aos bares das faculdade — o que significa ter estofo para aguentar as selváticas festas onde há cerveja barata, vodca ao preço da chuva e estudantes a cambalearem como se estivessem numa tempestade em alto mar.

Fernão Gonçalves é natural de Lisboa. Aos 28 anos, já deixou a sua marca em vários espaços de Lisboa: do Rio Maravilha, à Casa de Pasto, Coyo Taco ou Pesca

“Comecei em 2006, em bares de faculdade. Era o rapaz dos eventos, fazia de tudo: desde coffee breaks até concertos do Quim Barreiros”, lembra. Em 2011 entrou para a equipa da antiga discoteca BBC, onde fazia por acompanhar os barmans convidados para aprender as técnicas necessárias, aquelas que viriam a ser o ponto de partida para assinar as suas próprias bebidas.

De acordo com o barman, o panorama dos bares em Lisboa “evoluiu muito nos últimos anos”. Aponta três motivos principais: o “desenvolvimento do setor do turismo”, a “valorização da gastronomia nacional” e “clientes mais exigentes e informados”, que fazem com que os barmans tenham que estudar e perceber sobre o assunto. “Já não chega ter só uma cara bonita.”

Prevendo que as zonas de Marvila, Beato e ainda o Porto dos Cruzeiros sejam alvos de crescimento nos próximos tempos — juntando-se ao Cais do Sodré, Príncipe Real ou Avenida da Liberdade —, podemos considerar que a quantidade, diversidade e ritmo de aparecimento trouxeram um problema ao consumidor: escolher.

Porque sabemos que a parte mais dura do processo é conseguir decidir para onde ir — sobretudo no inverno, quando não há rooftops e esplanadas — pedimos a Fernão Gonçalves que identificasse os sete melhores spots de Lisboa para ir beber um copo. Tome nota.

Red Frog

“Para quem não conhece, este speakeasy bar [uma alusão aos bares que vendiam álcool ilegalmente onde se devia “falar com calma”, para que as autoridades não descobrissem] fica na Rua do Salitre. Tem um sapo à porta e tem que se tocar a uma campainha para entrar. Tem ótimos cocktails, criados pelo barman e proprietário Paulo Gomes, uma das maiores referencias nacionais.”

Grande destaque: “[Paulo Gomes] trabalha os cocktails no seu laboratório, o que faz com que apresente menus super criativos e cheios de pormenores. Sugiro a Fukushima Colada.”

Morada: Rua do Salitre, 5A

Toca da Raposa

“O novo bar de cocktails de Lisboa é da Constança Cordeiro, recém-chegada de Londres. Apresenta as suas criações, cocktails com produtos locais, com nomes de animais.”

Destaca: “Eu aconselho o Lobo, um cocktail com vermute, whisky eucalipto e ananás. A Toca da Raposa tem também um balcão de mármore cor-de-rosa, lindo. O melhor lugar para sentar é o número 12.”

Morada: Rua da Condessa, 45

Cinco Lounge

“Quando falamos de cocktails em Lisboa temos que falar do Cinco Lounge, no Príncipe Real. É o bar de Dave Palethorpe, um dos pioneiros no mundo da coquetelaria moderna em Portugal. É um sitio descontraído, ideal para um cocktail depois de jantar.”

Destaca: “A baixa iluminação não é um problema para ler os menus, porque temos capacetes de mineiro com luzes para nos ajudar, uma solução divertida para quebrar o gelo. Um dos cocktails mais divertidos é o Finders Keepers, servido numa lata de conserva.”

Morada: Rua Ruben A. Leitão, 17A

Foxtrot

“Um bar familiar com muita história e com todos os requisitos para ser uma boa escolha quando se fala em bons cocktails para o inverno — são sempre surpreendentes os de Hugo Gonçalves.”

Destaca: “O Foxtrot tem uma decoração com muitos pormenores — incluindo uma mesa lareira — e salas com ambientes diferentes, onde se encontra desde uma mesa de bilhar até um jardim de inverno.”

Morada: Travessa Santa Teresa, 28

Bistro 100 Maneiras

Fabrice Demoulin/100 Maneiras

“O Bistro 100 Maneiras, do chef Ljubomir Stanisic, tem nos comandos do bar a dupla antiga Jorge Camilo e Daniel Zamith, que lançou em dezembro o seu novo menu.”

Destaque: “Vale a pena visitar, e beber um cocktail ao balcão que serpenteia a sala. Sugiro o Honey White, com aberfeldy, soro de keffir, especiarias, sumo de limão e goma de canela.”

Morada: Largo da Trindade, 9

Pensão Amor

CNN Traveler

“Um bar animado com um tema curioso associado à sedução.Traz à memória os antigos bordeis do Cais Sodré. Tem duas entradas, na rua ‘Cor de Rosa’ e fica num primeiro andar. Quem assina os cocktails é o barman João Silva, que se baseou em personagens do antigo bordel para desenvolver as bebidas.”

Destaca: “Além dos cocktails, vale mesmo a pena prestar atenção à decoração — sem esquecer a casa de banho do primeiro andar.”

Morada: Rua do Alecrim, 19

Pavilhão Chinês

“O Pavilhão Chinês é um dos mais emblemáticos bares da cidade de Lisboa, no Príncipe Real. Tem uma decoração com milhares de brinquedos nas prateleiras das variadíssimas salas.”

Destaca: “O ambiente, que parece que não foi alterado pelo tempo, nem pelas novas modernices. Os cocktails super clássicos e antiquados não deixam de fazer valer a visita.”

Morada: Rua D.Pedro V, 89

Texto de Ana Luísa Bernardino e joaomartins.
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