De há uns tempos para cá, os noticiários abrem frequentemente com mais uma estrela acusada de “alegadamente” ter violado mais uma mulher.

Que assombração teatral esta em que vivemos.

Que sede anómala de mediatismo gratuito, desmedido e onde tudo vale em troca de uns milhões a mais. Que vergonha eu por vezes tenho da maior coisa com que a vida me prendou: ser mulher.

Por favor, parem de descredibilizar um assunto tão delicado, traumático e sério para os milhares de mulheres que efetivamente o sentem, o vivem e que, por tantos motivos, têm de disfarçar as marcas que o corpo esconde e que a alma não mais esquecerá.

Por dinheiro não vale tudo. Não vale a nossa luta, a nossa emancipação, os nossos anos nas ruas de pulso erguido e mãos ao ar. Nunca o dinheiro terá o sabor da nossa liberdade.

Há culturas que vivem de cara tapada e que têm de aceitar que os homens estejam rodeados pelos seus haréns, como se de algo normal se tratasse. Ainda temos tanto que gritar, tanto que nos erguer e é por elas que temos de barafustar, espernear e de esforçar os nossos pulmões até que nos falte o ar de tanto berrar. É por elas que temos de nos honrar.

Sou mulher e quero que nos façamos ouvir. Quero gritar tão alto quanto conseguir, dizer “já chega”. Basta de outras senhorarinhas, na esperança de encontrarem uma vida fácil, me envergonharem em tribunais com julgamentos à porta fechada.

Não estou a pôr nenhuma verdade em causa, mas tenho uma certeza: uma violação não se esquece a troco de nenhum milhão.
Peçam justiça, entreguem as provas, mas façam-se ouvir fora do mediatismo rasca que procuram alcançar. Não encontrem uma solução através de uma exposição baixa, medíocre e sem fundamentos lógicos nem comprovados.

Este é um assunto demasiado crespo para ser descrito em alta voz. Respeitem o espaço de quem sente. Não vale tudo, nunca valerá.

O corpo de uma mulher é a sua maior bênção, a sua fortuna e a sua fortaleza.

Preservem-no e poupem-nos a todas.

O mundo (infelizmente) já faz tão pouca questão de nos poupar.