Matou 30 mulheres, decapitou-as e a história é agora um documentário da Netflix

Ted Bundy foi um dos assassinos em série mais violentos dos EUA e a sua execução foi celebrada com música, cânticos e fogo de artifício.

O documentário estreia esta quinta-feira, 24 de janeiro, na Netflix. Tem como base gravações feitas pelo próprio assassino

Getty Images

Ted Bundy confessou ter violado e assassinado 30 mulheres entre 1974 e 1978, mas suspeita-se que o número real de vítimas seja muito superior. O caso atraiu a atenção mediática e lançou o pânico nos Estados Unidos, mas houve quem se sentisse encantado pelo assassino em série.

Prova disso foi a quantidade de clubes de fãs criados por mulheres que viam nele um homem charmoso e incapaz de fazer aquilo de que era acusado. Bundy foi executado em 1989, com 42 anos, e a sua história é agora um documentário que chega à Netflix esta quinta-feira, 24 de janeiro.

O modus operandi do assassino era quase sempre o mesmo: quando não tirava partido do seu charme natural para manipular as suas vítimas, fingia-se ferido ou fazia de conta que era um agente da polícia. O objetivo era levar as mulheres previamente escolhidas por ele para um local isolado — onde depois seriam atacadas, violadas e mortas.

Houve uma vítima que conseguiu escapar

A informação foi confirmada pela polícia, com base nas várias entrevistas que fez ao suspeito, e por Rhonda Stapley, a única vítima que conseguiu escapar a um ataque de Ted Bundy em 1974. Na altura, com apenas 21 anos, a jovem era estudante da Universidade do Utah e foi abordada por um “estranho simpático e sorridente” que lhe ofereceu boleia para casa.

“Ele era o rapaz do lado. Não tinha garras, dentes afiados ou olhos pintados de negro. Ele era normal e estava integrado na comunidade”, contou a sobrevivente no seu livro, “I Survived Ted Bundy: The Attack, Escape, & PTSD That Changed My Life”.

Ted Bundy apresentou-se como Ted e disse que teria de fazer uma paragem primeiro antes de deixar Rhonda em casa. Sem suspeitar, a jovem entrou no carro e depressa uma viagem que se esperava tranquila e rápida transformou-se num pesadelo.

Segundo escreve no seu livro, a simpatia de Ted desapareceu e deu lugar a uma pessoa silenciosa, fria e estranha, que conduzia o carro para zonas cada vez mais desertas e suspeitas.

“Depois de estacionar o carro, aproximou-se de mim e disse-me: ‘Sabes que mais? Vou-te matar'”, recordou. Bundy asfixiou-a tempo suficiente para que Rhonda perdesse a consciência e se sentisse perdida cada vez que acordava dos sucessivos desmaios. Quando, pela última vez, acordou e o viu distante de si, o instinto de correr e fugir dali foi mais rápido e urgente do que tentar perceber o que lhe estava a acontecer. Assim o fez, deixando para trás a morte certa.

Segundo o relatório da polícia, depois dos ataques o assassino cortava a cabeça das suas vítimas com uma serra elétrica e guardava-as em casa. Eram os seus troféus, as suas relíquias, que Ted Bundy expunha e cuidava com afinco.

Quando, durante os vários interrogatórios de que foi alvo, os investigadores lhe perguntaram porque guardava as cabeças, a resposta foi cruel e fria: “Quando trabalhas arduamente para fazer alguma coisa bem, nunca queres esquecer isso.”

O assassino maquilhava as mulheres mortas

Mas os detalhes mórbidos de um caso que demorou anos a ser resolvido não se ficam por aqui. É que além de lavar o cabelo das cabeças que cortava, e que tinha expostas em casa, Bundy fazia ainda questão de as maquilhar para, mais tarde, fazer sexo com elas.

Durante a sua confissão, aquele que hoje é considerado um dos assassinos em série mais violentos dos Estados Unidos revelou ter enterrado cerca de dez vítimas e cortado, pelo menos, uma dúzia de cabeças. A primeira vítima de Bundy a ser identificada foi assassinada a 31 de janeiro de 1974.

Em “Conversas Com Um Assassino: As Gravações de Ted Bundy”, o novo documentário da plataforma de streaming, dá-se a conhecer um caso que tinha tanto de complexo como de estranho.

A começar pelo facto de a defesa de Ted Bundy ter sido feita pela próprio, já que estava há vários anos a estudar advocacia — o que originou momentos insólitos em tribunal, como quando, num acesso de raiva, Bundy gritou e ameaçou agentes, advogados e jornalistas pelas acusações de que estava a ser alvo.

Mas foi por ser o seu próprio advogado que Bundy conseguiu escapar duas vezes do tribunal onde estava retido, já que o juiz designado para acompanhar o caso ordenou que o suspeito nunca fosse algemado sempre que estivesse na biblioteca do tribunal a pesquisar e a preparar a sua defesa.

Aproveitando o facto de estar na biblioteca sozinho, sem algemas e com um janela aberta, Ted Bundy fugiu em 1977, dando origem a uma enorme caça ao homem. Foi capturado uma semana depois, mas voltaria a escapar em dezembro do mesmo ano, até ser recapturado em fevereiro de 1978. Entre o tempo que esteve à solta pela segunda vez, matou cinco pessoas e feriu outras duas.

Os seus crimes e as descrições que fez deles aos agentes responsáveis pelas investigações chocaram o país. Tanto o é que, há 30 anos, enquanto era executado na cadeira elétrica da Prisão Estadual da Florida, foram vários os cidadãos que se juntaram para celebrar a sua morte com gritos, cânticos, música e fogo de artifício.

O documentário, de apenas quatro episódios, vai contar com várias entrevistas de pessoas ligadas à investigação, desde jornalistas a agentes da polícia. Mas a força condutora de toda a ação são as cassetes que Ted Bundy gravou na tentativa de provar a sua inocência.

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