Portugal é um dos países mais ricos em água de qualidade, e a oferta de estâncias termais é extensa. Este tipo de tratamentos teve um ligeiro aumento na procura nos últimos anos, sobretudo entre crianças e jovens. Dados do jornal “Público” dizem que, no ano de 2017, as termas receberam 123 mil pessoas, mais 0,3% do que em 2016.

Há mais: o governo anunciou que o financiamento dos tratamentos, suspenso em 2011, vai ser novamente retomado este ano. A partir de março, o reembolso pode ir até 35% do preço dos tratamentos, num máximo de 95€ por pessoa. Para serem comparticipados, porém, têm de ser prescritos obrigatoriamente pelo médico de família.

Mas afinal o que é isto do termalismo? Segundo as Termas de Portugal, trata-se do “uso da água mineral natural e outros meios complementares para fins de prevenção, terapêutica, reabilitação ou bem-estar”. Por outras palavras, o termalismo é a utilização da água como principal elemento terapêutico. Através das suas diversas particularidades, ela pode ser útil no tratamento de doenças e relaxamento muscular. 

Portanto, longe vão os tempos em que se pensava nas termas como uma espécie de mezinha da avó. Para saber mais sobre o tema, a MAGG criou um guia completo com tudo o que precisa de saber. Que doenças beneficiam do tratamento termal? O que é a crise termal? Qual é a altura do ano mais indicada para este tipo de tratamentos? E o custo médio? O reumatologista António Vilar explica.

Primeiro, um pouco de história

Desde o tempo dos romanos que as termas são usadas no tratamento das doenças reumáticas — não só para curar doenças, mas como modo de prevenção. Na opinião do reumatologista António Vilar, a experiência tem demonstrado que “no tratamento dos doentes reumáticos, as águas mais aconselhadas são as sulfurosas, em particular as sódicas.”

“Os resultados indicam que mais de 80% dos doentes com doenças reumáticas, que realizam terapias nas termas, reduzem a toma de anti-inflamatórios durante o ano que se segue ao da Cura Termal”, explica.

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Em Portugal, estes tratamentos eram utilizados já no tempo da rainha Leonor (1481-1495), que usava as águas das Caldas da Rainha para a cura de doenças. No século XV, a rainha fundou um estabelecimento de banhos e um hospital termal na região.

As termas são de facto aconselhadas no tratamento de doenças reumáticas — mas nem todas

Quando falamos em termalismo, há uma associação imediata com as doenças reumáticas, isto é, doenças que afetam os músculos, ossos, cartilagem, e/ou estruturas peri-articulares (como tendões, ligamentos, fáscias, entre outras). É verdade que as termas são úteis nestes casos, particularmente no tratamento de artroses.

Mas nem todos os doentes que sofrem de reumatismo podem beneficiar do termalismo. António Vilar explica que as termas estão contra-indicadas a pessoas com doenças reumáticas inflamatórias agudas e crónicas agudizadas, bem como a doentes com certos problemas cardíacos, renais ou hepáticos. Portanto, antes de iniciar qualquer tratamento termal deve consultar um médico ou especialista.

Mas para além das doenças reumáticas, que outras doenças podem ser tratadas através do termalismo?

De facto, os doentes com osteoartrose (doença que atinge sobretudo o tecido que se encontra nas extremidades dos ossos) são os que mais beneficiam deste tratamento termal, seja da coluna, seja dos membros. No entanto, as termas são também indicadas para doenças respiratórias, circulatórias e para algumas alterações do sistema nervoso.

É também aconselhado o tratamento termal a pessoas com asma, rinite alérgica, problemas de pele (como psoríase) e pedras nos rins. São ainda, como explica o reumatologista, “uma das melhores alternativas contra o stresse, contribuindo para recuperar a energia perdida, já que nelas o relaxamento é palavra de ordem.”

Que diferentes tratamentos existem?

Nas termas é possível fazer tratamentos de banhos, jatos de água e massagens, dentro e fora de água. É comum a utilização de lodos e argilas, e terapêuticas adicionais como sais, sauna e banho turco.

Mostramos-lhe se seguida alguns tratamentos, mas pode consultar mais no dicionário do termalismo no site das Termas de Portugal.

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Outros benefícios do termalismo

Apesar destes tratamentos serem mais utilizados nos doentes, as termas fazem também parte do programa termal em saúde, sendo uma forma de “recuperação de aptidão física e relaxamento”. Para o reumatologista o programa termal é ainda uma boa alternativa “ao campo e à praia, evitando a excessiva exposição solar”.

Crise termal — sabe o que é?

Se ao segundo ou quinto dia começar a sentir fadiga, acompanhada de um agravamento dos sintomas, não se preocupe: é normal. António Vilar explica que é comum os doentes sentirem a necessidade de “fazerem uma sesta, sentirem-se cansados e até terem um aumento das queixas”. A isto se chama “crise termal, frequente no início da cura termal”.

Quando é mais aconselhável realizar este tipo de tratamentos?

O tratamento termal pode fazer-se em qualquer altura do ano. Os resultados otimizados são após três semanas, mas o reumatologista aconselha no mínimo duas semanas de tratamento, se possível em dois períodos durante o ano, nos meses de março/abril e/ou setembro/outubro.

O Estado só comparticipa os tratamentos a partir de um mínimo de 12 dias.

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Quanto custam em média estes tratamentos?

Os preços variam consoante a prescrição médica, o tipo de tratamentos e o local escolhido para os realizar. Portugal é um dos países mais ricos em água, e, por isso, existem estâncias termais espalhadas por todo o País, desde Caldas de Airogo, no Minho até às Caldas de Monchique, no Algarve.

As Termas de São Pedro do Sul são uma das mais conhecidas em Portugal e uma das mais frequentadas. Aqui, mais precisamente no Balneário D. Afonso Henriques, o preço de uma consulta médica é de 40€, e o de inscrição clínica de 29€. Os preços variam consoante a época e os tratamentos, mas vão desde 2,50€ a 20€. Já no Balneário Rainha D.ª Amélia, a inscrição clínica tem o valor de 39€ e os tratamentos variam de 4 a 25€.