Na hora de fazer o currículo, quantas vezes já ficou na dúvida em relação ao número de páginas? Será que uma é pouco? Duas são o suficiente? Três serão demais? Um estudo realizado em dezembro do ano passado pela ResumeGo — uma empresa que fornece serviços de redação de currículos — revela que os profissionais de recrutamento preferem currículos de duas páginas e, portanto, que estes são os mais eficazes. Os recrutadores têm 2,3 vezes mais probabilidade de escolher currículos de duas páginas em comparação aos que têm apenas uma.

“Embora a grande maioria dos especialistas em carreira afirmem que os currículos de duas páginas só devem ser usados caso o candidato tenha muitos anos de experiência em diversas empresas, os nossos resultados contradizem essa ideia”, disse Peter Yang, cofundador da ResumeGo e autor do estudo, ao site do jornal “The Huffington Post”. “Os participantes do estudo ficaram impressionados com a quantidade de informações que pode ser transmitida em duas páginas, considerando que as versões de uma e duas páginas continham níveis similares de experiência e formação académica.”

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A investigação realizada pela ResumeGo decorreu de 15 de outubro a 2 de novembro e envolveu 482 profissionais das áreas de recrutamento, contratação e profissionais de recursos humanos.

A investigação também concluiu que os recrutadores leem currículos mais longos: em média, estes profissionais passam 2 minutos e 24 segundos a ler currículos de uma página e 4 minutos e 5 segundos com os de duas páginas. “Estes resultados mostram que os recrutadores realmente gastam mais tempo a analisar currículos mais longos, em vez de simplesmente vasculhar o conteúdo. Isto pode ajudar a explicar o porquê de os currículos de duas páginas serem geralmente preferidos em relação aos de uma página”, revela Peter Yang.

No que diz respeito ao modo como os currículos conseguem resumir a experiência profissional e os aspetos gerais do candidato, os currículos de duas páginas tiveram, uma vez mais, vantagem em relação aos de uma. Numa atribuição de notas de 0 a 10 por parte dos participantes do estudo, os currículos de duas páginas obtiveram uma nota média de 8,6 contra 7,1 dos de página única.

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Currículos muito extensos não despertam interesse

Cristina Rosa, senior manager do Grupo Multipessoal, concorda com a eficácia dos currículos de duas páginas. “Na minha opinião e pela minha experiência, diria que um currículo de duas páginas pode sim ser muito eficaz se estiver muito bem estruturado, objetivo, com as principais responsabilidades do profissional e informação base pessoal e académica”.

Contudo, considera que a definição de um número de páginas para um currículo é sempre “um tema controverso”, uma vez que depende em grande parte da experiência profissional do candidato. “Um currículo de uma página pode ser válido para um perfil muito júnior, mas se estivermos a falar de um profissional sénior, com experiência em várias empresas, uma página apenas acaba por não ser representativa daquilo que é a experiência da pessoa em questão”, diz à MAGG.

Já com 20 anos de experiência na área do recrutamento, Cristina Rosa entende que, no entanto, é necessário ter cuidado com a extensão do currículo. “Currículos com quatro ou cinco páginas são currículos que não são fáceis de ler. Quanto mais exaustivo e detalhado, menos interesse desperta”.

Formato Europass está em desuso?

No caso dos recém-licenciados, a especialista em recrutamento entende que uma página é o suficiente. “É um currículo clean, ou seja, com os dados pessoais, a formação académica (que é por aí que deve começar), alguma informação relevante na área dos idiomas, na informática. Deve mencionar sempre os programas de Erasmus ou outros programas que tenham sido feitos a nível de formação adicional, ou até os hobbies que também cabem num recém-licenciado se forem interessantes”.

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E quantas vezes também já se perguntou qual seria o modelo de currículo mais adequado? Europass ou algo mais criativo? “O formato Europass, naquilo que é a nossa sugestão ao nosso profissional, é algo que está em desuso”, declara Cristina Rosa, realçando ainda assim que algumas empresas mais tradicionais ainda valorizarem este tipo de currículo.

Se preferir currículos mais criativos, esses também são aceites. Porém, é necessário ajustar a originalidade à função a que se candidata, bem como ao setor de trabalho a que concorre. “Já recebemos currículos muito desajustados, por exemplo, no tipo de originalidade incutida pelo candidato porque, hoje em dia, há muito pressão social para termos currículos originais e criativos. Isso leva determinados profissionais a correrem o risco de apresentarem um currículo que nada tem a ver com esse profissional e desenquadrado com a sua realidade ou com aquele setor”, afirma Cristina Rosa.