Não se espere daqui uma receção gigante, com acesso direto a um spa ou a uma piscina aquecida. Não se espere também um pequeno-almoço buffet, com feijão em molho de tomate e 20 tipos de pão. E desengane-se se no quarto espera encontrar estores que abrem e fecham automaticamente ou um minibar cheio de bebidas dignas de estar em Lilliput. Nada disso.

No Gran Cruz House, a nova guesthouse do Porto, o espaço é limitado, mas as vistas são de uma grandeza que parece que o quarto se prolonga até ao Douro. Naquela que é a primeira aposta na hotelaria da maior exportadora de vinho do Porto do mundo, a Porto Cruz, os quartos são apenas sete, mas foram todos pensados ao pormenor. A começar pelos nomes — e não números — pelos quais são identificados. É que a cada um foi dado o nome das diferentes famílias do vinho do Porto: Pink, White, Ruby, Tawny, Reserve, LBV e Vintage.

Em comum têm a figura da Mulher de Negro, um ícone da marca, relacionado também com a mais recente campanha da Porto Cruz sob o slogan “País Onde Negro é Cor”. Para esse pormenor decorativo foram convidados sete artistas — Ângela Ferreira (Kruella D’Enfer), Albuquerque Mendes, João Jales, Jorge Curval, José Emídio, Rui Anahory e Tamara Alves —, para uma reinvenção dessa figura, que casa com o trabalho de decoração de interiores a cargo da Nano Design.

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E para fechar o capítulo da decoração, um pormenor que salta à vista. Ou melhor, na verdade não salta assim tanto e até obrigou o hotel a deixar uma nota na mesa que começa com “espelho meu, espelho meu…”. É que o espelho dourado mesmo em frente à cama serve de camuflagem a uma televisão em modo projetor, para que o aparelho tradicional não interfira num ambiente que se quer limpo de distrações.

Nesta guesthouse há vinho do Porto em todo o lado

Na receção, que também é um bar que vai passar a estar aberto ao público no verão, é-nos servido o primeiro cálice de vinho do Porto. Depois destas boas-vindas, no quarto temos também à espera uma garrafa “para fazer companhia durante a estadia”, como se lê na nota que a acompanha.

Estes pormenores vínicos prolongam-se até ao piso dois, onde está o Casario, o restaurante que, além de servir de espaço aos pequenos-almoços, tem à disposição uma carta de almoços e jantares a cargo da dupla Miguel Castro e Silva e José Miguel Guedes.

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Esta parceria resulta do trabalho conjunto dos dois profissionais ao longo dos últimos seis anos no restaurante De Castro Gaia, do Espaço Porto Cruz. Juntos, criaram para o Casario uma carta de homenagem à comida portuguesa, em versão fine dining.

Embora existam opções à carta, estão disponíveis menus de degustação, de quatro ou cinco momentos ao almoço (32€ ou 36€) e de cinco ou sete ao jantar (48€ e 58€), harmonizados com uma seleção exclusiva do universo de vinhos Dalva, Porto Cruz e Quinta de Ventozelo, entre as mais de 60 referências disponíveis.

Mas também fora do universo das bebidas se nota a ligação do restaurante a todo o universo Gran Cruz. O azeite é de produção própria e é usado tanto para cozinhar como no couvert, e até mesmo como ingrediente principal do pão de azeite que chega ainda quente à mesa. A compota do pequeno-almoço é de vinho do Porto e o mel para ser usado nas panquecas é também produzido pela marca.

Semea. A ideia é partilhar mas não quero dividir esta rabanada com ninguém

Já nos pratos principais, o novilho, por exemplo, é servido com puré de tubérculos e cogumelos com molho de vinho do Porto (22€) e, voltando às entradas, há uma terrina de foie gras servida, mais uma vez, com vinho do Porto (14€).

Nas sobremesas, a presença vínica é forte na opção de maçã assada, creme de canela e sorvete de Porto 10 anos (6€).

E quando tudo parece ter terminado, eis que chega à mesa o toque final, em forma de moscatel de produção própria que, juntamente com o espumante e o gin, prova que nem só do Porto vive a Gran Cruz, mas é a ele — e ainda bem — que vai buscar toda a inspiração.