De Paris Hilton com cabeça de chihuahua, às partidas em vários museus. 29 factos, alguns desconcertantes, sobre Banksy

Ninguém sabe quem é, mas há coisas que aconteceram mesmo: tentou manipular os votos de Theresa May e criou um novo sorriso à Mona Lisa.

A exposição dedicada ao artista será inaugurada a 19 de janeiro. Ficará na Alfândega do Porto até 31 de março

É oficial. Desde o início de 2019 que se sabe que a Alfândega do Porto vai ser invadida por imagens referentes ao trabalho do maior street artist do mundo. “Banksy, Dismaland and Others” é o nome da exposição que vai chegar a Portugal a 19 de janeiro, sábado, integrando 44 fotografias da autoria Barry Cawston. Estará patente até 31 de março.

A mostra vai incluir imagens do projeto de 2015 Dismaland (o parque de diversões melancólico, criado pelo artista britânico para satirizar a Disneyland), bem como fotografias de trabalhos que têm marcado a sua carreira, como o hotel palestiniano Walled Off Hotel, aquele que tem a “pior vista do mundo”. Vão ser ainda projetados documentários referentes a mais iniciativas do artista: “Banksy Does New York”, de 2014, e “Saving Banksy”, de 2017, vão ser dois dos destacados. Somam-se a isto vários trabalhos de outros artistas jovens portugueses do universo da arte urbana.

A identidade de Banksy permanece desconhecida, apesar de várias especulações. Há quem diga que o seu nome é Robin Gunningham, um artista de Bristol. Há outra teoria que diz que o street artist é um dos membros da banda Massive Attack, Robert Del Naja, natural da mesma cidade e envolvido no mundo do grafiti. Foi ele que, numa entrevista, deixou escapar o primeiro nome do street artist — Robert.

Mas enquanto não há certezas, passemos a factos sobre o artista plástico inglês, que é o rei da sátira social. A MAGG reuniu 29.

Natural de Bristol, ar desarrumado, um dente de prata

Poucos jornalistas tiveram a oportunidade de se sentar com o artista britânico. Uma das exceções terá sido Simon Hattenstone, do “The Guardian”, em 2003. “Banksy é branco, 28 [agora terá 44 anos], veste casual desalinhado — com jeans, uma T-shirt, um dente de prata, corrente de prata e brinco de prata. É um misto entre Jimmy Nail e Mike Skinner das ruas. Pergunta se pode fumar um cigarro e pedir uma cerveja Guinness”, pode ler-se.

Deu muito poucas entrevistas presenciais. Esta foi em 1995

Nunca gostou da escola

Na mesma reportagem do “The Guardian”, Banksy revela que entrou no universo do grafiti quando tinha 14 anos. “A escola nunca fez sentido para mim”, disse ao jornal britânico. “Teve problemas, foi expulso, esteve na prisão por crimes sem importância, mas não quer dar mais detalhes”, escreveu o jornalista. O artista terá começado a pintar no grupo de Bristol DryBreadZ Crew, formado por mais dois membros: com Kato e Tes.

Os pais não sabem que ele é o Banksy

Tanto o “The Guardian”, como o “The Telegraph”, dão conta do mesmo. O segredo está tão bem guardado, que nem os próprios pais sabem que o filho é mundialmente conhecido. “Eles pensam que sou pintor e decorador”, disse.

Foi guarda-redes numa equipa

De acordo com o “The Telegraph”, Banksy terá sido futebolista. “Sabemos que ele era guarda-redes da equipa de futebol do Bristol Easton Cowboys and Cowgirls”. Crê-se que esta experiência possa ter inspirado o pseudónimo pelo qual é conhecido, numa homenagem ao jogador Gordon Banks.

Porque é que começou a usar stencil

A inspiração terá vindo de uma fuga da polícia, por estar a fazer grafiti. Ele tinha estado a pintar e escondeu-se junto de um camião do lixo e notou no número de série que tinha sido escrito a stencil, adotando a técnica, que se transformou, entre outros aspetos, na sua imagem de marca.

Sátiras com adaptações de obras de artistas conhecidos

Os exemplos são vários. Mas nomeamos alguns: deu uma nova cara a Mona Lisa (sobrepondo a imagem de um ‘smile’ no rosto da figura de Leonardo da Vinci), ao conhecido trabalho de Andy Warhol, com a cara de Marilyn Monroe (que substituiu pela modelo britânica Kate Moss), ou do impressionista Monet, em que adaptou o quadro “Bridge Over a Pond of Water Lillies” (de 1899) a que deu o nome de “Give Me the Monet”, acrescentando à réplica da pintura dois carros de supermercado e um cone do trânsito.

Substituiu a Rainha de Inglaterra por Diana, em notas de 10 libras

Em agosto de 2004, Banksy imprimiu várias notas de dez libras, mas com uma particularidade: substituiu a cara da Rainha pela da princesa Diana. O texto também mudou: de “Banco de Inglaterra” passou para “Banksy de Inglaterra”. Um grande maço dessas notas foi atirado ao ar no carnaval de Nothing Hill. As notas têm sido vendidas no eBay por cerca de 200 libras cada.

Já pintou o quarto de um hotel de Nova Iorque, em troca de estadia

É um hotel “artístico”, mas não é daqueles ultra glamorosos. Bem pelo contrário. Chama-se Carlton Arms Hotel, fica em Kips Bay, na zona de Manhattan e oferecia aos artistas noites de graça, desde que, em troca, pintassem um dos 54 quartos, conta a “Curbed”. Banksy foi um dos nomes que passou por lá, em 1999, tendo trabalhado o quarto 5B. Apesar de, por esta altura, ainda não ter o protagonismo atual, hoje é fácil reconhecer aquilo que é da sua autoria, dado que já tem o típico cariz satírico-social que lhe é característico. O artista britânico deixou também uma marca, junto do lobby: um gato gordo vestido de polícia a fumar um cigarro e um cartaz de campanha de Elvis Presley, com orelhas de Mickey, uma caixa e dinamite.

De acordo com o proprietário do hotel Hugo Ariz, Banksy é um “homem muito normal, engraçado e simpático”, que estava a experimentar pintar com stencil. O hotel, situado em Manhattan, custa cerca de 160 dólares (139€) por noite. O preço, aceitável para esta zona de Nova Iorque, já foi menor. “Já pintei um hotel em Nova Iorque. Mas era um hotel de uma noite — 68 dólares por noite (59€). Todos os quartos eram pintados por artistas diferentes e podia-se ficar a dormir lá de graça.”

É o autor de uma das capas dos Blur

Picasa

É fácil reconhecer o autor da capa do álbum de 2003 — “Think Tank” — dos Blur. “Fiz algumas coisas para conseguir pagar as contas e fiz a capa do álbum dos Blur. Foi um bom disco e valeu muito dinheiro. Eu acho que é uma distinção muito importante de se fazer. Se é algo em que realmente acreditamos, ser comercial não o transforma em merda só porque é comercial”, cita-o o blogue “Under The Music Covers“.

Já recusou trabalhar com a Nike várias vezes

É uma questão de princípios. “Já recusei quatro trabalhos para a Nike. Em todas as novas campanhas, eles enviam-me um email a pedir-me para fazer alguma coisa. Nunca aceitei nenhum desses trabalhos. A lista de trabalhos que não fiz é tão maior do que aquela que fiz. É tipo um CV invertido, um bocado estranho. A Nike ofereceu-me uma loucura de dinheiro para fazer coisas”, disse ao “The Guardian”. Sobre os motivos que o levaram a recusar, Banksy disse: “Porque eu não preciso de dinheiro e não quero crianças a trabalharem até que os dedos fiquem em ossos, para nada. Eu gosto da citação de Jeremy Hardy: ‘A milha filha de 11 anos pediu-me um par de ténis no outro dia. Eu disse: Bem, tens 11, fá-los tu.’ Quero evitar essas merdas a todo o custo.”

Já pintou carros de polícia

Nem a polícia escapa às suas traquinices. Desta vez aconteceu em Gastonbury, em 2003. “A polícia estava relaxada e estavam a guiar Land Rovers. Encontrámos dois estacionados e os polícias estavam a conversar com miúdas na estrada principal. Eu ando quase sempre com uma lata de tinta, por isso passei por eles, fiz um balanço e dei a lata a um amigo, que escreveu: ‘Hash for Cash” [‘haxixe por dinheiro’]. No final da noite tínhamos pintado sete carros de polícia com aerossol”, contou ao “The Guardian“.

Entrou disfarçado no Tate Britain e pendurou um quadro

A 17 de outubro de 2003, disfarçado de reformado, o artista colocou as suas próprias obras num espaço vago do museu de Londres Tate Britain. Ao quadro em questão deu o nome de “Crimewatch UK”. Junto da obra, lia-se: “Esta aquisição é um bonito exemplo do estilo neo pos-idiótico. Pouco se sabe sobre o trabalho de Banksy, que é inspirado na resina da canibais e na televisão.”

Criou um novo sorriso para Mona Lisa — no próprio Louvre

Em 2004, em Paris, França, Banksy entrou no Museu do Louvre, juntando ao seu espólio uma nova versão da Mona Lisa, com um sorriso diferente. Chamava-se “Mona Lisa Smile” e em 2006 foi vendido num leilão da Sotheby’s por 56 mil libras (63 mil euros).

Pôs um rato no Museu de História Natural, da espécie “Banksus Militus Vandalus”

Em abril de 2004 foi a vez do Museu de História Natural, em Londres. Ao museu, acrescentou um rato com óculos, equipado com um kit completo de grafiti. Na parede atrás dele, escreveu com spray: “A nossa hora vai chegar”.

Na legenda da instalação, lia-se: “Espécies recentes do comum rato de esgoto mostram algumas características remarcáveis. São atribuídas ao aumento de desperdício de comida de plástico, radiação ambiental e música rap hardcore urbana em que estas criaturas têm estado envolvidas a um ritmo sem precedentes. Identificado como o Banksus Militus Vandalus, eles são insensíveis a qualquer método de controlo de pragas e marcam o seu território com uma série de sinais elaborados. O professor B. Langford da University College London afirma que ‘Podemos rir-nos agora… mas um dia eles vão estar a comandar.'”

Criou pinturas rupestres para o British Museum

Desta vez, em 2005, Banksy infiltra-se no British Museum, onde pendura uma pintura rupestre muito incongruente: mostra um homem primitivo a empurrar um carrinho de compras.

As obras em quatro museus de Nova Iorque

A 13 de março de 2005 foi a vez de Nova Iorque. Banksy entrou em quatro grandes museus — Brooklyn Museum, Metropolitan Museum of Art, the Museum of Natural History e MOMA — onde, mais uma vez sob disfarce, pendurou as suas próprias obras.

Já publicou três livros

O primeiro volume da coleção com as reproduções de obras a stencil de Banksy chama-se “Banging Your Head Against a Brick Wall”. Depois desta, seguiram-se “Existencialism”, em 2002, “Cut It Out”, em 2004, e, por último, “Wall and Piece”, em 2005. Todos os livros incluem comentários do autor.

Usou animais reais nas suas exposições

A ideia ganhou forma numa exposição de 2003 chamada Surf War, que aconteceu num armazém. Aqui Banksy pintou porcos com roupas de polícia, ovelhas com os tons dos campos de concentração e uma vaca foi coberta com a imagens da cara de Andy Warhol. De acordo com o que avançou a “BBC” pela altura, tratavam-se de animais habituados a estar em público, sendo que “as tintas eram animal-friendly”. Mesmo assim, o artista foi acusado de crueldade animal.

Em 2006, foi a vez de pintar um elefante de cor de rosa com um padrão floral na exposição de Los Angeles “Barely Legal”. A ideia era chamar a atenção para a pobreza mundial, como se se tratasse de um “elefante na sala”. Mais uma vez, ativistas da defesa dos animais acusaram o artista de má conduta.

Criou a versão lésbica da rainha Vitória (que Christina Aguilera comprou)

Também em 2006, Banksy criou uma obra que mostrava uma versão lésbica da Rainha Vitória. Em outubro do mesmo ano, a cantora Christina Aguilera adquiriu-a por 25 mil libras (28 mil euros).

Criou uma nova capa para o disco de Paris Hilton

Mais paródias à lá Banksy. No mesmo ano, o artista colocou 500 cópias do álbum de Paris Hilton em 48 lojas de discos do Reino Unido, com uma capa diferente, desenhada pelo mesmo: ora a socialite aparecia em topless, ora com a cabeça do seu cão chihuahua a substituir a sua, ou ainda a sair de um carro luxuoso, estacionado numa rua rodeada de sem-abrigo, com a frase “90% do sucesso passa só por aparecer.” As faixas do disco também vinham alteradas, com remixes dos temas criados pelo DJ americano Danger Mouse. Os títulos das canções tinham nomes diferentes: “Porque é que sou famosa?”, “O que é que fiz?”, “Para que sirvo?” foram alguns deles.

Várias cópias foram compradas pelo público, antes de as lojas conseguirem retirá-las. Algumas foram, depois, compradas por 750 libras (850€) em leilões online, como no eBay.

Colocou uma prisioneira de Guantánamo na Disney

Em setembro de 2006, Banksy entrou na Disneyland. Não ia sozinho. Levava uma boneca insuflável, que vestiu com uma farda dos detidos da prisão militar americana de Guantánamo: tinha umas luvas e máscara pretas, algemas e um macacão cor de laranja. A instalação ficou junto à Rocky Mountain Railroad’s no parque de diversões durante 90 minutos, até ser removida pelos seguranças. A crítica social e política contra a prisão é relatada no documentário de 2010 “Exit Through the Gift Shop”.

Criou uma abertura para os “The Simpsons”

Em 2010, Banksy chega aos “The Simpsons”, tendo criado uma nova versão para a abertura do episódio “MoneyBart”. Nas imagens, além de várias referências ao artista no percurso que as personagens da série fazem até chegar a casa (antes de se sentarem no sofá), o artista criou um cenário final em que várias pessoas trabalham numa fábrica, em terríveis condições, na produção do merchandising do programa da FOX. De acordo com o que o próprio relatou, houve vários atrasos e disputas com a cadeia americana, ao ponto deste os ter ameaçado de desistir do trabalho. “É isto que acontece quando contratamos outsource”, disse Al Jean, o diretor executivo, citado pelo “The Guardian”.

Foi nomeado para um Óscar, em 2010

Exit Through the Gift Shop” foi nomeado na categoria de “Melhor Documentário”, em 2010. Na altura, Banksy, que foi o realizador, anunciou no seu site: “Bem, isto é uma surpresa… Não concordo com o conceito de cerimónias de prémios, mas estou preparado para abrir uma exceção para aqueles para os quais estou nomeado. A última vez que houve um homem nu pintado de dourado em minha casa, era eu.”

Na altura da cerimónia, Banksy encheu as ruas de Los Angeles com a sua street art, tanto que várias pessoas especularam sobre uma possível presença na cerimónia da Academia, nem que fosse disfarçado. De acordo com o “The Guardian“, o próprio pediu à Academia para comparecer nestes moldes, mas não obteve permissão, sob o risco de aparecerem “impostores.”

O documentário não ganhou o prémio. No ano seguinte, Banksy criou uma obra no Weston-super-Mare, no canal de Bristol, em Inglaterra, com uma menina a segurar um Óscar. Pensa-se que é uma referência à história da menina de 15 meses, Lara, que deixou cair a estatueta, danificando-a. Pertencia ao co-produtor do filme “O Discurso do Rei” Simon Egan.

Foi considerado o Homem do Ano em 2014

O artista inglês foi eleito o Homem do Ano, em 2014, nos Webby Awards, aqueles que distinguem a personalidade que mais marca a internet. Banksy não foi receber o prémio, que vinha a propósito da exposição “Better Out Than In”, aquela que encheu várias ruas de Nova Iorque com as suas obras. Foi a cantora americana Patti Smith a anunciar o vencedor: “Tenho uma confissão a fazer. Eu sou o Banksy”, disse.

Criou um parque de diversões deprimente

Em 2015 foi a vez de Banksy inaugurar o seu próprio parque de diversões. Ocupava 10 mil metros quadrados, no local onde antes ficava o antigo parque temático “Tropicana”, junto de Bristol: “Adorava a Tropicana quando era miúdo, portanto reabrir estas portas é uma honra”, disse à “BBC“.

Chamava-se Dismaland (junção de “dismal”, que significa “sombrio”, com Disneyland), contou com obras de 58 artistas artistas (incluindo a portuguesa Wasted Rita) e podemos dizer que a magia que incluía era negra: tinha, propositadamente, um ar decadente e melancólico. Havia galerias de arte e festas com DJ, mas também havia castelos, uma tenda de circo ou mini-golfe.

Entre agosto e setembro, os bilhetes foram vendidos a apenas 3 libras (cerca de 3,3€). “Em essência, é um festival de arte, diversões e anarquismo de nível acessível. É um lugar onde a contracultura é exequível. Um parque temático para os  não privilegiados, com preços acessíveis. Diria que é um parque temático cujo grande tema é — parques temáticos devem ter temas maiores”, disse ao “The Guardian“, numa entrevista exclusiva sobre o Dismaland.

Na mesma conversa justificou o porquê de ter dito que as famílias menos abastadas eram a “audiência perfeita de arte”: “Os ‘turistas de baixo rendimento’ são o público de arte perfeito. Há algo muito sugestivo sobre a experiência britânica à beira-mar. Este show é baseado nas maravilhas de inverno fracassadas, que se constroem todos os meses de dezembro, limitadas pelos padrões comerciais, onde se cobram 20 libras para verem alguns alsacianos com galhadas pregadas na cabeça”, disse. “A vantagem de colocar arte numa pequena cidade à beira-mar é que estamos a competir apenas com burros. Acho que um museu é um lugar mau para se ver arte: o pior contexto para a arte é outra arte.”

Abriu um hotel na Palestina com “a pior vista do mundo”

É mesmo um hotel. Chama-se Walled Off Hotel, fica em Belém, na Palestina e todos os quartos estão virados para o muro da Cisjordânia, do lado da Palestina. Esta paisagem valeu-lhe a descrição: “A pior vista do mundo”. Apesar do estilo luxuoso, a palavra-chave do conceito é o desconforto: o elevador não funciona (está ocupado com uma parede de tijolos), a banheira da suite presidencial tem buracos referentes a balas e há ainda bustos com lenços na boca e com latas de gás, de onde sai fumo. Há peças do artista no espaço, incluindo aquela onde se vê uma menina à janela com um sinal que diz “Free Palestine”. A Declaração de Balfour, que tinha sido assinada em 1917 (100 anos antes da abertura) e que representa o apoio inglês ao Estado Judaico, na Palestina, também está representada, a partir de manequins em torno de uma mesa.

Sobre isto, o artista disse, citado pelo “The Telegraph”: “Passaram exatamente 100 anos desde que a Grã-Bretanha tomou conta da Palestina e começou a reaorganizar a mobília. Não sei porquê, mas parece uma boa altura para refletir sobre o que acontece quando o Reino Unido toma uma gigantestca decisão política sem perceber completamente as consequências”, disse, numa alusão ao Brexit.

Quanto à sua posição relativamente ao conflito israelo-palestino, Banksy disse, ao “London Metro”: “Não quero tomar partidos.” Ainda assim, descreveu a situação: “É uma confusão, mas que é importante percebermos que ajudámos a criar”. Citou o autor britânico Salman Rushdie: “Os britânicos não percebem muito sobre a sua história — porque quase tudo acontece no estrangeiro”.

Tentou retirar votos a Theresa May

O artista criou uma espécie de ação política, em que enviava uma cópia de uma das suas obras a quem votasse contra o partido conservador, nas eleições do Reino Unido, mediante a apresentação de uma fotografia do boletim de voto. O dia das votações era a 8 de junho de 2018, só que no dia 5 do mesmo mês Banksy teve de cancelar esta espécie de campanha, anunciando os motivos no seu site e Instagram: “Fui alertado pela Comissão Eleitoral que a oferta de impressões invalidaria os resultados eleitorais. Lamento informar que esta promoção legalmente duvidosa acaba de ser cancelada”,

Autodestruiu a sua obra de arte

Dificilmente sairá das nossas memórias o dia em que a obra “Girl With the Ballon” foi vendida por 1,2 milhões de euros, em leilão, pela Sotheby’s, em Londres, tendo, logo de seguida, sido destruída por uma máquina de papel. Na sua conta de Instagram, Banksy publicou um vídeo do momento com a legenda “Going, going, gone…”, o que mostra que ele estava lá e que o incidente tinha sido planeado. Horas depois, na mesma rede social, o artista revelou o truque: “Há alguns anos escondi uma destruidora de papel numa pintura”, pode ler-se. “Para o caso de alguma vez ser colocado a le

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