Pedro Bento tinha oito anos quando começou a ajudar o pai atrás do balcão. Pelo meio ainda estudou outras áreas, trabalhou em marketing mas agora, aos 28 anos, voltou para Alcântara e para o balcão que, mais cedo ou mais tarde, sabia que ia ser seu.

Mas para ser seu teve que lhe dar uma volta. É que a Lanchonete, que abriu no início do ano em Alcântara, em Lisboa, nem sempre teve este ar em que apetece entrar, sentar e ficar mais um bocado. O pai, quando a abriu, há 32 anos, preferiu o ambiente de snack bar, “com aqueles balcões industriais, espelhos em todo o lado, azulejos e alumínio, está a ver?”. Estamos a ver sim, ainda que agora seja difícil de imaginar o cenário que Pedro nos descreve.

A decoração teve o toque de uma designer de interiores, amiga de Pedro, que deu preferência às madeiras, às cortiças e à iluminação que, ainda que abundante, não fere os olhos de quem procura a lanchonete para um almoço rápido ou um sítio para estudar.

OHLINDA. As verdadeiras tapiocas do nordeste brasileiro chegaram à Estrela

Pela localização, ali ao lado da Universidade Lusíada, sempre foi um dos espaços preferidos dos estudantes e, por isso, ainda que tenha feito alterações ao menu, não pôde mexer no essencial, os hambúrgueres. “São feitos com pão de fabrico próprio e já são uma imagem de marca da casa”, explica Pedro. Mesmo assim, deu-lhe um toque brasileiro com a opção Tropicália (5,80€ no pão, 7€ no prato), que leva peito de frango e ananás. Este junta-se ao 86, ano de abertura do restaurante, e que dá nome ao hambúrguer de barbecue, com bacon, carne de vaca e queijo derretido (5,60€ no pão, 6,85€ no prato).

Há ainda o Da Turma, o best-seller, feito com carne de vaca, cogumelos, bacon e cebola (5,30€ no pão, 7€ no prato), o clássico, que leva apenas carne e queijo derretido (4,50€ no pão e 5,75€ no prato) e um vegetariano (5€ no pão, 6,25€ no prato).[

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A Lanchonete abriu depois de o pai de Pedro ter voltado a Portugal após mais de trinta anos a viver no Brasil, ainda que na altura com o nome completo de Lanchonete Raio Laser. Pedro, ao pegar no negócio, retirou-lhe o sufixo e introduziu pratos no menu que justifiquem a designação tão brasileira de lanchonete.

Não se preocupe que os hambúrgueres feitos com pão de fabrico próprio continuam a ser servidos

Passaram então a vender o típico Pastel de Feira (1,80€) com recheio de carne ou de pizza, por serem feitos com mozzarela, tomate e orégãos. Têm também pão de queijo (1,60€), coxinhas de galinha (1,60€) e sanduíches de Bauru (5€), na qual entre duas fatias de pão saloio põem maionese, carne assada, queijo derretido, tomate, alface e pickles.

Nas sobremesas também se sente — e saboreia — o Brasil, numa generosa fatia de bolo brigadeiro (1,95€). “Feito pela minha mãe, não podia ser mais caseiro”, garante Pedro.

Agora, além dos estudantes ao almoço, Pedro conta pessoas que param para um café, para o pequeno-almoço ou, durante a tarde, para um lanche mais reforçado. “Era mesmo isto que eu queria, uma lanchonete”.