Consumo de canábis pode afetar fertilidade masculina

O culpado é o tetrahidrocarbinol — o principal componente ativo desta substância ilícita. Estudo foi realizado nos Estados Unidos.

O principal componente ativo da canábis pode provocar mudanças estruturais no ADN do esperma.

Matthew Brodeur/Unsplash

Um estudo realizado pela Universidade de Duke, nos Estados Unidos, publicado na revista Epigenetics, indica que o uso de canábis pode provocar alterações na fertilidade masculina. Os investigadores concluíram que para além dos efeitos psicoativos que são provocados pelos componentes ativos tetrahidrocarbinol (THC) e canabinóides (CBD), a utilização de canábis tem também impactos negativos na saúde como, por exemplo, no desenvolvimento cognitivo, ou seja, na capacidade de aprendizagem e ainda uma diminuição do número de espermatozoides.

Segundo este trabalho, o principal componente ativo da canábis — o THC — pode provocar mudanças estruturais no ADN do esperma em utilizadores regulares, uma vez que afeta os genes de duas vias metabólicas e que são responsáveis ​​pelo crescimento de órgãos e pela regulação do crescimento durante o desenvolvimento.

Os investigadores do Centro Médico da Universidade Duke realizaram experiências em ratos e estudos em 24 indivíduos do sexo masculino. Compararam o esperma de utilizadores regulares de canábis — os que fumaram a droga pelo menos uma vez por semana nos últimos seis meses —, com o de homens que não a consumiram no mesmo período de tempo e não mais do que dez vezes ao longo da vida.

Faixas etárias mais jovens são as que consomem mais canábis

“O que descobrimos é que os efeitos do uso de canábis nos homens e na sua saúde reprodutiva não são completamente nulos, pois há algo sobre o seu uso que afeta o perfil genético dos espermatozoides”, disse Scott Kollins, um dos autores do estudo, ao site Duke Health News and Media. “Ainda não sabemos o que isso significa, mas o facto de que cada vez mais os jovens em idade fértil têm acesso legal à canábis deveria fazer-nos pensar”.

O estudo não foi conclusivo sobre até que ponto estas alterações poderão ser hereditárias. Contudo, em declarações ao Duke Health News and Media, Susan K. Murphy, a principal investigadora do estudo, deixou um aviso: “Sabemos que há efeitos do uso de canábis nos mecanismos de regulação do ADN do esperma, mas não sabemos se podem ser transmitidos para a próxima geração. Na ausência de um estudo maior e definitivo, o melhor conselho seria assumir que essas mudanças estarão lá”.

De acordo com uma publicação da Organização Mundial de Saúde, a canábis é a droga mais utilizada, cultivada e distribuída em todo o mundo, com cerca de 147 milhões de consumidores por ano, o que equivale a 2,5% da população mundial. Este é um valor elevado quando comparado com o consumo de cocaína, por exemplo, que equivale a apenas 0,2%. O mesmo documento indica ainda que a canábis se tornou numa droga mais presente em faixas etárias mais jovens.

Partilhe
Fale connosco
Se encontrou algum erro ou incorreção no artigo, alerte-nos. Muito obrigado. [email protected]