A solidão faz-nos falta.

Pelo menos uma vez por semana, gosto de sentar-me em minha casa e, em silêncio, parar e refletir.

Vivo sozinha, mas sustento-me de pessoas — das minhas pessoas. Todos os dias saio cedo, sem saber ao certo a que horas retornarei, mas tenho uma certeza segura: existem silêncios que são tão ou mais barulhentos do que o trânsito que encontro em horas de ponta, e são esses silêncios que me elucidam e tantas vezes me suportam.

Sabem, nós somos as nossas principais companhias, os nossos maiores aliados. Não sempre, nem enquanto regra, mas não fujam da solidão. Vivemos numa época de exageros e de fobias. Falta-nos respirar mais fundo, parar para pensar, refletir e planear melhor os caminhos por onde queremos efetivamente seguir.

Ironia ou não, aprendi que é mantendo por perto os meus medos, que encontro as minhas forças. Foi no meu maior momento de amargura que vi que por mais que achasse que o mundo acabaria, ele girará sempre e que agora sou eu que lhe marco o ritmo e o passo a que ele o fará.

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Atualmente, é tudo tão anómalo e está tudo tão meticulosamente formatado que acho que se me rir à frente de um desdentado ele já se sentirá ofendido. É de mim, ou o mundo está a ficar aborrecido e asfixiante?

Não estou pronta para tantas regras de trazer por casa.

Talvez este ano as nossas promessas de Novo Ano devessem ser diferentes. No lugar das celestiais ideias dos sempre prometidos corpos esculturais, e dos novos empregos, em que ambicionamos trabalhar pouco e receber muito, vamos apenas pedir pessoas reais, pessoas de coração na boca e alma disponível para os outros, que amam sem truques e se dão, que nos estendem a mão, ou até nos chamam à razão quando assim tem de ser.

Vamos todos criticar menos e deixar de ser peritos em resolver os problemas do vizinho da porta em frente.

Crónica. Porque é que já não há bitoques em Lisboa?

Não há maior desafio do que o de levar a vida de um modo leve, descontraído, feliz, estás a ouvir? Sim, tu, com esse ar macambúzio. Chega de viver de ilusões, de momentos que não voltam ou de águas passadas.

Lembra-te: se andas por aqui é para seres feliz, para gostares do silêncio de que são feitas as tuas paredes, tempo de viveres por e para ti. Sabes que mais? Ainda há demasiadas pessoas que merecem a tua alegria de volta.

Vá, vai lá jantar. A tua companhia está à tua espera e será sempre ela a melhor que poderás ter.