“You”. A nova série viciante da Netflix é para fãs de “Dexter”… com menos de 30 anos

Podia contar uma bonita história de amor se ele não fosse um psicopata obcecado em captar a atenção da mulher por quem se apaixona.

O stalker, e protagonista da série, é interpretado por Penn Badgley — um dos atores principais de "Gossip Girl"

Netflix

É um psicopata obsessivo e meticuloso, tem dificuldade em fazer amizades e guarda um segredo obscuro que mais ninguém conhece. É, podia ser Dexter Morgan (Michael C. Hall), de “Dexter”, mas não. Estamos a falar de Joe Goldberg, o protagonista do novo thriller psicológico da Netflix, interpretado por Penn Badgley — um dos atores principais da série “Gossip Girl”.

Chama-se “Tu” (ou “You”) e, apesar das semelhanças com a série da Showtime, aqui não há momentos mórbidos, assassinos em série ou crimes hediondos por resolver. Mas há várias referências e até alguns mecanismos narrativos que fizeram de “Dexter” uma série de sucesso, pelo menos entre a primeira e a quarta temporada (as únicas que realmente interessam, dirão os fãs).

Exemplo disso é o recurso a um narrador, que é o próprio protagonista, que, além de comentar a ação, vai exprimindo aquilo que pensa sobre as personagens com quem interage. Já vimos isto em “Dexter”.

A crítica desfez-se em elogios e já considera esta nova produção uma das mais interessantes do ano pela forma como apresenta uma personagem complexa e movida, essencialmente, por motivações questionáveis.

“‘Tu’ é um dos raros casos em que a narração em voice-over (através de Joe) funciona muito bem, principalmente por dar a conhecer a mente perturbada, semelhante à de Dexter, de um homem cuja única forma de exprimir amor é através do controlo absoluto. Ele [Joe] consegue ser um psicopata desajeitado que está sempre a um passo de ser apanhado”, lê-se na crítica do “The Washington Post”. Um pouco como Dexter.

Mas o novo thriller é mais direcionado para o público adolescente e prova disso é a forma como lança um piscar de olhos à geração millennial e à maneira como estes usam as redes sociais para se sentirem validados e inseridos numa comunidade.

Numa altura em que é dada cada vez mais importância à privacidade online, a nova série da plataforma de streaming brinca com esta noção através de uma história distorcida de amor e de obsessão onde todas as barreiras éticas e morais são ultrapassadas.

No centro da ação está um bibliotecário (Joe) que cria uma fixação doentia por Beck (Elizabeth Lail), depois de uma simples e breve conversa sobre livros. Após um primeiro contacto, Joe dedica-se a vasculhar todos os hábitos online de Beck, através de publicações antigas no Facebook e no Instagram e persegue-a para todo o lado sem que esta desconfie.

O objetivo é conhecer todas as suas rotinas e as suas amigas, e os segredos que escondem, de maneira a utilizá-los em esquemas de manipulação mesquinhos caso desaprovem da sua aproximação a Beck.

É que, tal como em “Dexter”, são várias as personagens que começam a desconfiar que algo de muito errado se passa com o protagonista e vão fazer de tudo para desmascarar o bibliotecário aparentemente inofensivo e genuíno. Mas também Beck vai ser confrontada com algumas revelações sobre si mesma que nunca pensou admitir — como a sua própria futilidade e a necessidade de viver uma mentira com receio de ser julgada pelos seus pares.

A série, baseada no livro com o mesmo nome de Caroline Kepnes, chegou à Netflix a 26 de dezembro depois de ter sido transmitida originalmente no Lifetime, um canal por cabo norte-americano, que desistiu da série depois da emissão dos primeiros episódios.

A segunda temporada já foi anunciada e será idealizada e produzida pela plataforma de streaming que já comprou os direitos de distribuição de “Tu”.

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