Os 12 destinos que tem mesmo de visitar em 2019 (segundo os especialistas)

Do Iraque à Islândia, quatro viajantes profissionais sugerem-nos viagens imperdíveis para o novo ano.

Uma das sugestões de Filipe Morato Gomes é a Ilha do Fogo, em Cabo Verde

Se olhássemos para 2019 em percentagem, o dia 1 de janeiro representa apenas 0,27% do novo ano. Vêm aí 12 meses, 52 semanas, 365 dias, 8.760 horas e 525.600 minutos de aventuras, experiências, pessoas e muitas, muitas novidades. Se considerarmos que uma parte simpática deste tempo pode ser passada a viajar, as oportunidades são ilimitadas. Em 2019, tudo pode acontecer.

Está na altura de partir o porquinho mealheiro, juntar todo o dinheiro do Natal, começar a fazer pesquisas de voos e marcar as datas no calendário. A chegada do novo ano é a oportunidade perfeita para começar a sonhar com a próxima viagem, portanto só fica a faltar escolher o destino — ou os destinos. Para dar uma ajuda, a MAGG falou com quatro viajantes profissionais e pediu-lhes sugestões.

João Paulo Peixoto, economista e professor universitário, foi o primeiro português a “acabar” o mundo — a 11 de agosto de 2011, visitou o último país que lhe faltava na lista, Israel. Susana Ribeiro ainda não esteve nos 193 países que a Organização das Nações Unidas (ONU) reconhece como tal, mas soma prémios enquanto jornalista de viagens e autora do blogue Viaje Comigo.

Também falámos com Filipe Morato Gomes que, aos 47 anos, já deu duas voltas ao mundo, foi líder de viagens de aventura, recebeu muitos prémios (incluindo o cobiçado Travel Vlogger da Fitur, em 2018) e criou o blogue Alma de Viajante. Por fim, Mário Roldão criou o De Pés a Lés, que foi considerado um dos melhores blogues portugueses de viagens na 2.ª edição dos Open World Awards 2018.

Feitas as devidas apresentações, só fica a faltar saber onde ir. Da Mauritânia à Índia, sem esquecer a Ilha do Fogo, em Cabo Verde, ou o Sudão, descubra os 12 destinos imperdíveis em 2019.

As sugestões de João Paulo Peixoto

1. Mauritânia

“É mesmo aqui ao lado. Um dos países mais misteriosos e fechados do mundo, é por isso também dos mais verdadeiros. Com pouca influência ocidental, permanece muito genuíno.

Junta duas características diferentes: civilização muçulmana e deserto. Gente simpática, afável e muito hospitaleira, como em todos os países muçulmanos genuínos.

Locais a não perder: Banc d’Arguin National Park, com ilhas e pássaros lindíssimos (Unesco); os antigos Ksour de Ouadane, Chinguetti, Tichitt and Oualata (Unesco); Bem Amera (o segundo maior monólito do mundo, depois do Uluru na Austrália); e o maior comboio do mundo. Além de tudo isto, é um destino muito barato.

A visitar enquanto permanece genuíno.”

2. Iraque

“Grande parte do Iraque já se pode visitar sem problemas de segurança. Desde logo o Curdistão, e depois Bagdade e o sul do Iraque, centro religioso do mundo xiita.

Salienta-se, mais uma vez, a hospitalidade muçulmana. A visita começa por ser interessante na medida em que se pode visitar e estar em sítios que vimos muitas vezes na televisão ser alvo de atentados, guerra, do ISIS, etc. Depois, aos poucos, apercebemo-nos de que estamos num dos locais mais antigos do mundo, onde tudo começou.

Da cidade da Babilónia, que se pode visitar, incluindo o sítio onde existiram em tempos a torre de Babel e os jardins suspensos da Babilónia, até o centro da civilização Assíria, onde foi inventada a escrita cuneiforme, nas antigas cidades de Uruk e Ur. E, claro o paraíso que se situou entre o Tigre e o Eufrates.

História, é aqui.”

3. África do Sul

“Continua a ser um dos meus destinos de eleição. Na ponta de África, uma país com uma concentração de atrações incrível. Saliento a Cidade do Cabo, com a sua Table Mountain, o Cabo da Boa Esperança e não longe o Cabo das Agulhas, o ponto mais a sul de África, ambos com muitas referências (e estátuas) aos nossos navegadores.

Durban é também um dos sítios a não perder, com a estátua de Fernando Pessoa no centro da praça principal. Há depois a Garden Route, a estrada mais europeia de África. E, claro, o Parque Nacional Kruger.

Aconselho a experiência do Blue Train, atravessando o país, ou, para quem for mais ousado, o Rovos Rail, que vai até a Tanzânia.

Aquilo que mais saliento neste país é a influência portuguesa. Não só histórica mas também atual — 10% dos habitantes de Joanesburgo são de descendência portuguesa. É das coisas que mais prazer me dá quando viajo: estar num país longe, diferente, e verificar a sua ligação ao nosso país e a importância que tivemos (e temos) no mundo. E não fica muito longe de Portugal, com vosso diretos.

Infelizmente, aos poucos as excelentes infraestruturas que tinham estão a perder-se, razão pela qual se deve visitar o quanto antes.”

As sugestões de Susana Ribeiro (Viaje Comigo)

Adelino Meireles

4. Sri Lanka

“Depois de duas visitas ao Sri Lanka (em 2017 e 2018) posso dizer que é um país que tem mesmo de ser visitado em 2019 (a ‘Lonely Planet’ também o colocou como primeira opção para 2019) antes que tenha filas de turistas para todo o lado. Ainda longe do turismo de grandes massas, o Sri Lanka é o destino a ter em conta para quem gosta de natureza, vida animal, passeios ao ar livre, praias maravilhosas e uma cultura e gentes muito genuínas.”

5. Índia

“Três viagens à Índia já denunciam a minha paixão por este país e por esta cultura. A Índia é enorme e existem várias propostas de viagens. Apesar de a maior parte viajar para conhecer o Taj Mahal, ou ir a Jaipur, Goa ou Bombaim posso dizer-vos também para não perderem o sul do país: Kerala, que é ainda pouco conhecido. Também na região de Maharashtra existem locais menos turísticos como Ellora ou Ajanta, com milhares de anos de história que vos vão surpreender.”

6. Islândia

“Foi o meu último destino de 2018 e já estou a pensar em voltar em 2019 (até porque fui poucos dias). Falemos de destinos diferentes. Tão diferentes que não têm comparação com o que já visitei. A Islândia é de uma rudeza natural, feita de vulcões e gelo, que se transformam em belezas naturais. É também um país um pouco caro, por isso comecem já a pôr algum dinheiro de parte para este destino de sonho.”

As sugestões de Mário Roldão (De Pés a Lés)

7. Marrocos

“Escolho Marrocos por ser um país que conheço muito bem, viajo para lá todos os anos. É um dos países mais fascinantes que conheço, repleto de contrastes enormes, desde o cheiro que as especiarias libertam até aos ruídos e a agitação nas ruas. Aqui a comida é fabulosa e o deserto também — basta imaginar o que é estar no meio do deserto do Saara. Isto tudo a duas horas de Portugal. Para quem gosta de aventura e diversão, Marrocos é ideal e inesquecível.”

8. Vietname

“O Vietname é uma surpresa extremamente agradável. É um país para visitar e usufruir de cada lugar. A energia do povo é deveras contagiante, as pessoas são muito divertidas, bem dispostas e atenciosas. A sua beleza natural e exótica surpreende qualquer viajante, assim como o nosso imaginário.”

9. Jordânia

“A Jordânia é um país obrigatório para viajantes aventureiros. Tem uma cultura incrível, e faz-nos sentir que neste território caminhou há milhares de anos alguém que ainda hoje “permanece vivo”. Os locais com história, como o mar morto e o rio Jordão, permanecerão inesquecíveis, assim como uma das 7 Maravilhas do Mundo, Petra. Uma viagem a não perder.”

As sugestões de Filipe Morato Gomes (Alma de Viajante)

10. Paquistão

“Tem crescido em mim a vontade de conhecer o norte do Paquistão, principalmente desde que vi um blogger de viagens internacional a elogiar a incrível hospitalidade do povo paquistanês. Cidades como Lahore, Islamabad e até Peshawar; o Vale de Hunza e toda a zona montanhosa em redor de Gilgit; a Karakhorum Highway, que liga Islamabad a Kashgar, em território chinês, estão cava vez mais no meu radar de viajante. Até porque o norte do Paquistão há muito que deixou de ter níveis de insegurança preocupantes.”

11. Sudão

“Abrigo de extraordinárias pirâmides e sem turistas, o Sudão tem aparecido no radar de alguns viajantes portugueses mais afoitos. E, pelo que julgo saber, é um lugar fascinante. É lá que melhor se pode testemunhar a cultura da Núbia; uma “região situada no vale do Rio Nilo partilhada pelo Egito e pelo Sudão” e onde se desenvolveu uma das mais antigas civilizações do continente africano. No fundo, visitar o Sudão é uma espécie de viagem no tempo, ao encontro do que dizem ser um dos povos mais hospitaleiros do mundo.”

12. Ilha do Fogo (Cabo Verde)

“Está na hora de fazer escolhas mais sustentáveis no que toca a Cabo Verde, e isso implica optar por conhecer algumas das chamadas ilhas periféricas. Entre elas, recomendo a belíssima ilha do Fogo, uma ilha vulcânica incrivelmente bela e com atrativos para todos os gostos. De trilhos para caminhadas à subida ao vulcão do Fogo; da Chã das Caldeiras, uma localidade instalada no interior da cratera do vulcão, ao charme de São Filipe. Para mim, que visitei o Fogo em 2018, foi amor à primeira vista.”

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