Há cada vez mais pessoas a visitar vulcões ativos (e a morrer por isso)

Na Islândia, visitantes foram de helicóptero a uma zona de erupção. Morreram. Isto aconteceu em 2010 e 2014, mas não foram casos únicos.

Na maior parte das vezes são turistas que procuram visitar e fotografar vulcões em erupção

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São dos fenómenos mais interessantes da natureza e dão fotografias incríveis desde que capturadas de longe e em segurança. Porém, o número de pessoas que tem arriscado a vida a visitar vulcões ativos, e a morrer por isso, está a aumentar exponencialmente desde o início de 2018. A prova são os avisos recorrentes de vários geólogos espalhados pelo mundo que recomendam cautela e bom senso.

“Os vulcões são uma das forças da natureza que estão para lá do controlo humano. Não podemos fazer nada quanto às erupções, a não ser sair da frente delas”, disse à CNN Amy Donovan, geógrafa da Universidade de Cambridge, em Inglaterra, e responsável por várias investigações em turismo vulcânico.

O mais recente trabalho de Donovan concluiu que há “hordas de ‘vulcanófilos’ que procuram, a todo o custo, aproximar-se o mais possível de erupções fortes” para tentar tirar a melhor fotografia. O problema está no facto de, na maioria dos casos, os protagonistas de situações críticas e perigosas serem turistas que não só não têm qualquer tipo de conhecimento sobre o fenómeno, como não entendem “a força e a imprevisibilidade” do mesmo.

O pior de tudo é que este é um tipo de passeio turístico que tem tudo para correr mal, já que os viajantes se colocam a si e aos outros em perigo. Principalmente quando os profissionais dos serviços de emergência são chamados a responder a ocorrências deste género, onde são necessárias “manobras de resgate e salvamento” — por vezes impossíveis ou difíceis de executar.

Exemplo disso aconteceu em 2017, em Itália, quando um rapaz de 11 anos caiu dentro de uma cratera vulcânica devido à instabilidade do solo que o terá sugado de forma imediata. Os pais morreram quando procuravam salvar a criança e as autoridades estiveram durante dias a tentar tirar os corpos do vulcão ativo. 

Mais recentemente, no início de 2018, um barco no Hawai foi atingido por um projétil de lava que acabou por ferir mais de 20 pessoas com gravidade. O problema foi exatamente o mesmo: os turistas estavam demasiado perto quando, naquela situação, deveriam estar a vários quilómetros de distância do vulcão.

Muitas das tragédias são protagonizadas por turistas que não entendem os perigoso de visitar zonas vulcânicas

Phil Mislinski/Getty Images

A recorrência e a semelhança destas tragédias é tal que, em países com a Islândia, as autoridades já começaram a ponderar deixar de anunciar os vulcões ativos do país.

A ideia, segundo a revista “Travel + Leisure”, passa por impedir que curiosos se tentem aproximar das zonas delimitadas pelas autoridades e, assim, evitar situações como a de 2010 — onde um grupo de visitantes contratou um piloto local para que este os levasse a visitar, de helicóptero, alguns vulcões ativos.

Apesar do espírito aventureiro, todos eles acabaram por morrer como consequência das baixas temperaturas que se faziam sentir na ilha àquela altitude. Em 2014, na altura em que o vulcão Bárðarbunga entrou em erupção, um novo grupo tentou aproximar-se da área interdita e acabou por cair à lava.

Ainda à CNN, Alan Clewlow, geólogo e especialista em atividade vulcânica, defende que durante uma erupção vulcânica as únicas pessoas em risco são aquelas que escolhem, de forma deliberada, ignorar ou desrespeitar as ordens das autoridades.

“Se todos seguirem as regulações, os conselhos e as recomendações das organizações que estão a acompanhar a atividade de um determinado vulcão, não há qualquer tipo de perigo”, alerta.

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