Tinha pouco tempo de vida, mas derrotou um cancro incurável

Judy Perkins tinha cancro de mama com metástases e os médicos davam-lhe três meses de vida. Tentou um tratamento pioneiro e sobreviveu.

Aos 52 anos, Judy já tinha experimentado sete tipos de quimioterapia, sem que nenhum fosse eficaz

Aos 37 anos teve um cancro de mama. Submeteu-se a tratamentos e ficou curada. O que não esperava é que quinze anos depois, em 2013, não só tivesse que passar pela mesma situação, como o cancro que se seguisse fosse ainda mais forte que o primeiro. Tão forte que, ainda que fosse de mama, estava já espalhado pelo corpo, com especial incidência no fígado, onde chegou a ter um tumor do tamanho de uma bola de ténis.

Judy Perkins foi sujeita a sete tipos de tratamentos de quimioterapia e a todos os tratamentos experimentais a que teve acesso. Mesmo assim, o tumor continuava a crescer.

O cenário dado pelos médicos, de que teria apenas três meses de vida, só mudou quando ouviu falar de um tratamento experimental no Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos. Contactou a equipa liderada por Steven Rosenberg, submeteu-se à terapia e em menos de quatro semanas já não havia rasto do tumor nem das suas metástases.

Os especialistas usaram uma técnica chamada transferência de células adotivas, na qual os médicos retiram o tumor da mama e determinam quais as células T (que fazem parte do sistema imunitário) capazes de reconhecer as células malignas. Essas células foram recolhidas do organismo de Judy para serem multiplicadas em laboratório e, mais tarde, injetadas novamente. Ao todo, mais de 90 mil milhões de células voltaram a entrar no corpo de Judy.

Este tratamento já tinha sido usado com sucesso em pacientes com cancro no intestino, no colo do útero e no fígado, mas nunca em cancro de mama, como era o caso de Judy Perkins, que se mantém até hoje em remissão.

O tratamento, ainda que tenha sido um sucesso neste caso em específico, não o será para todos. Meses depois de se ter curado, Judy recebeu a chamada de uma mulher que queria sujeitar-se ao mesmo protocolo terapêutico, recebeu o tratamento em 2016 e acabou por morrer meses depois.

“Sei que o cancro pode voltar amanhã”, admite Judy, ao The Washington Post. Mas ao jornal conta também que, de doente terminal prestes a demitir-se para cumprir a lista de coisas que gostava de fazer antes de morrer, voltou à sua vida normal e agora é capaz de fazer caminhadas em montanha com percursos superiores a 60 quilómetros.

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