Ainda bem que tiramos uma manhã para nós, deixamos os sapatos à porta e temos nas mãos uma chávena de chá quente. É que a história da Siendo, uma boutique do bem estar que abriu em Lisboa, precisa de tempo para ser ouvida.

Não é para menos. A fundadora, Margaret Rosania tem 38 anos, é colombiana, mas conta com um percurso que vai dos Estados Unidos à Índia, do designer gráfico à astrologia.

Siendo, Art of Being

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Morada: Calçada das Necessidades 56 Cave Esquerda, Lisboa

Horário: Receção aberta das 8h30 às 14h30, mas as terapias podem ser agendadas ao longo do dia

 

Viajou de Barranquilla para Nova Iorque, onde trabalhava em produção televisiva, num cargo confortável: “Confortável demais, já não me preenchia”, lembra à MAGG.

Margaret Rosania é colombiana, viveu nos Estados Unidos, Brasil e, desde o início deste ano, em Portugal

Para fugir à azáfama de uma cidade que nunca dorme e a um trabalho que a deixava em stresse constante, começou a fazer ioga e, depois de algum tempo de prática, foi convidada a ser professora assistente. O gosto foi-se aprimorando, assim como a técnica, e a Índia começou a chamá-la.

O ano sabático que tinha tirado para estudar ioga e medicina chinesa a Oriente prolongou-se até ao ponto de o seu sócio em Nova Iorque a pôr contra a parede. “Vais voltar ou não?”. Margaret não só não voltou como mudou o rumo à sua história. Foi viver para o Brasil com o atual marido — brasileiro, que conheceu em Nova Iorque — e passou a dar aulas de ioga e a ser health coach a tempo inteiro.

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Estudou astrologia, feng shui, aromaterapia, cosmobiologia, além do ioga, claro. “Comecei a gostar de tanta coisa que, para mim, deixou de fazer sentido separá-las”, explica.

Portugal apareceu na rota por acaso, quando cá veio para dar uma palestra. “Gostei tanto que propus à minha família mudarmo-nos para cá”. Foi o que fizeram em fevereiro, já com Margaret a cozinhar a Siendo, enquanto procurava pelo sítio ideal.

Acabou por encontrá-lo na Calçada das Necessidades, local onde conseguiu juntar todas as suas paixões num só espaço.

Terapias do bem-estar

A Siendo é um espaço-casa, pensado para que uma pessoa entre e se sinta imediatamente mais leve. A decoração é simples, com apontamentos que dão conforto. Há cristais, plantas, velas, madeiras de cedro, cadeirões confortáveis e uma mesa comunitária onde nos são apresentadas receitas a pensar no tempo frio.

“As pessoas pensam que quando chega o inverno, basta vestir mais um casaco, mas não. É preciso saber o que comer em cada estação”, explica. E é por isso que nos incentiva a provar umas papas de arroz com curcuma, um anti-inflamatório natural.

A alimentação ayurvedica tem como foco a cura e a prevenção, numa conjugação de doces, salgados, amargos e picantes feitos à medida das características de cada pessoa. “Aqui, depois de uma aula de ioga, a cliente pode sentar-se e entregar-se nas mãos de quem a conhece bem e lhe vai preparar uma refeição à sua medida”, explica Margaret.

É nesta mesa comunitária que são servidas refeições ayurvédicas, totalmente personalizadas.

Manuel Manso

A professora fala do ioga, mas podia falar das sessões de feng shui, homeopatia, osteopatia, medicina chinesa ou aromaterapia (a partir dos 45€). Na Siendo há tudo isso e, depois de uma avaliação, o cliente é direcionado para as terapias que mais lhe podem ser úteis. “Estamos abertos a quem procure uma solução para uma doença grave ou para quem, simplesmente, queira começar a comer melhor”, salienta.

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A palavra-chave aqui é o bem-estar, mas Margaret recusa que se ponha essa palavra “numa espécie de pedestal”, como às vezes acontece. “O bem-estar está nas pequenas coisas. De que me serve ser glúten free e vegano, por exemplo, se depois ando mal disposto com toda a gente?”.

Margaret conta atualmente com o apoio de três terapeutas e do marido Cauhe Motta que, além de aulas de feng-shui, ajudou a criar todo o conceito da Siendo. O filho Micael, de seis anos, “vegano desde a barriga”, como nos conta, nunca ficou doente. “É engraçado: o meu pai é médico, mas é a mim que as pessoas ligam quando precisam de conselhos médicos”, refere.