Sabia que há uma dieta baseada na Bíblia?

O Google disponibilizou as dietas mais pesquisadas de 2018. Umas são absurdas, outras (poucas) são aconselháveis.

Uma dieta baseada na Bíblia? Sim é possível — tem poucos hidratos, muitas gorduras e fé em Deus.

Dietas com nome nunca são boas — exceto se se chamar mediterrânica. Frase tendenciosa? Talvez. Mas é, pelo menos, isto que defende a Associação Portuguesa de Nutrição, que aconselha e motiva a população a respeitar a roda dos alimentos, onde se inserem gorduras boas, hidratos de carbono ricos em fibra, proteínas e vegetais.

Soluções rápidas para emagrecer existem aos pontapés na internet, mas de sustentável têm pouco, porque não ensinam a comer bem de forma permanente. Porém, e apesar de tudo, geram milhões de cliques porque prometem maravilhas a quem deseja perder muitos quilos em pouco tempo.

Há umas tão criativas que lançam a cartada da fé, de Deus e da Bíblia, aspetos em que se baseia um dos programas alimentares inseridos no ranking da Google das dietas mais pesquisadas em 2018. A lista (que mostramos abaixo e que começa pela menos pesquisada e termina na mais procurada) é relativa aos Estados Unidos, uma vez que estas informações não estavam disponíveis a nível global e nacional.

A dieta do pastor

Ora aqui está um exemplo de como levar a religião o mais longe possível. O regime inventado por Kristina Wild é inspirado na Bíblia, seguindo tanto “evidências científicas”, como as “guidelines de Deus”. Como? Não sabemos. Mas, em termos práticos, trata-se de uma dieta com baixa ingestão de hidratos de carbono, grande consumo de gorduras boas e com quantidades de proteína moderadas. Sem esquecer, claro, da “fé em Deus, que nos vai mostrar o caminho”, como escreve a autora.

Dieta FODMAP

Começou por ser indicada para pacientes com síndrome de cólon irritado, uma condição que tem como consequências distensão abdominal, flatulência, dores abdominais e irregularidadades intestinais. O termo é uma espécie de mnemónica para as palavras: fermentáveis, oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis. Os FODMAP são, basicamente, hidratos de carbono que o intestino não digere bem, por causa da retenção de água.

Na base desta dieta está uma exclusão temporária deste tipo de alimentos. Por ser um grupo muito grande, não é fácil, nem aconselhável, seguir este regime durante muito tempo. Gradualmente, os alimentos devem ser reintroduzidos. Fazem parte da lista: trigo, centeio, cevada, cebola, alho, ervilhas, leite, iogurte, maçã, mel, mangas e couves de bruxelas, por exemplo.

Jejum intermitente

Foi um sucesso em 2018, apesar de ser uma prática ancestral. Nesta dieta, mais do que regras sobre o que comer, devem respeitar-se horários, alternando entre períodos de jejum e outros em que se ingerem alimentos. Há vários métodos: cinco dias a comer normalmente e dois com restrição calórica até 500 calorias; jejuar 14 horas e comer nas dez seguintes ou jejuar 16 horas e comer nas oito seguintes. Um estudo realizado em animais mostrou que a técnica podia reduzir a inflamação do organismo ou prevenir problemas de coração, mas não há certezas quanto a isto.

Dieta Dr. Gundry

O cardiologista e cirurgião Steve Gundry lançou a famosa dieta entre celebridades, chamada The Plant Paradoxe (o paradoxo das plantas). Em que consiste? Em prol de um corpo mais forte e saudável, na remoção de alimentos ricos em lectina (como feijão, por exemplo), uma proteína que supostamente é indicada como benéfica para o sistema imunitário— daí o paradoxo.

Dieta mediterrânica

Gorduras saudáveis, vegetais, peixe, frutos secos, leguminosas. A dieta mediterrânica foi das mais pesquisadas em 2018 e, de acordo com a ciência, é de facto benéfica para a saúde do coração. A Associação Portuguesa de Nutrição defende este tipo de alimentação, considerando que, além de tirar partido de produtos locais e sazonais, é aquela que melhor faz à saúde.

Dieta carnívora

Num mundo na iminência de ser dominado pelo veganismo, eis que surge a dieta carnívora. Aqui só se devem consumir alimentos de origem animal, porque são, alegadamente, estes os produtos que mais vão beneficiar o corpo e o organismo. A ciência não confirma isto, mas já deu várias vezes provas de que nenhuma dieta restritiva é boa para o corpo ou sequer sustentável no quotidiano.

Dieta Noom

A abordagem aqui é pseudo-psicológica. Consiste numa aplicação onde além de se registarem dados como refeições, práticas de exercício ou tensão arterial, se tem de responder a quizzes relacionados com nutrição e estar em contacto com um coach de saúde.

Dieta Dubrow

Heather Dubrow (do programa “Real Housewives of Orange County”) e o marido Terry Dubrow lançaram uma nova dieta, disponível num livro com o mesmo nome. Em que é que consiste? Adiantamos-lhe que não é muito original. É é igual ao jejum intermitente, sendo que a diferença está no termo utilizado — em vez de “intermitente”, o casal e autores preferem “intervalos”. Aqui podem comer-se todos os alimentos, mas alternando com intervalos sem se comer nada.

Dieta cetogénica

A dieta mais pesquisada do ano, se for bem feita, é altamente eficaz, mas também é absolutamente restritiva — o que a torna muito pouco aconselhável ou saudável. O que é que ela faz? Induz o organismo a um estado de cetose, uma palavra estranha, mas que é, basicamente, a troca da fonte de energia utilizada pelo corpo: uma vez que se excluem os hidratos de carbono, o organismo utiliza a gordura acumulada no corpo como fonte energética.

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