A teoria da lei da conservação das massas chegou à Europa com químico Antoine Lavoisier. Aquele que foi considerado o pai da Medicina Química ficou célebre pela frase: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.”

A frase de Lavoisier aplica-se àquilo que acontece à gordura do corpo que perdemos em processos de emagrecimento. Mas para onde é que ela vai? E em que é que ela se transforma?

Partindo da lei difundida por Lavoiser (mas que foi criada pelo russo Mikhail Lomonosov, no século XVIII), o professor Andrew J Brown e o investigador Ruben Meerman, da Universidade de New South Wales, na Austrália, foram perceber o que é que acontecia à gordura perdida — mas já lá vamos, porque, para que se entenda, é preciso compreender o que é que compõe esta massa corporal.

O que têm em comum as dietas que resultam em emagrecimento

A nutricionista Tamires Pavel Mecan, pós-graduada em nutrição funcional, mestre e doutora em ciências da saúde, explica à MAGG: “O organismo armazena a gordura sob forma de triglicerídeos, que são formados por três átomos: carbono, oxigénio e hidrogénio”, diz. O emagrecimento começa com a oxidação: “Esses triglicerídeos só podem ser quebrados num processo chamado oxidação.”

Portanto, de modo a perceberem o que é que acontecia aos quilos desaparecidos, Andrew J Brown e Ruben Meerman acompanharam o processo de saída do corpo dos átomos dos triglicerídeos.

“Descobriram que, quando dez quilos de gordura são oxidados, 8,4 quilos são convertidos em dióxido de carbono, que é, posteriormente exalado pelos pulmões. Os quilos restantes transformam-se em água, passam ao sistema circulatório, até que sai através da urina ou suor.”

Ou seja, a gordura é quase toda convertida em dióxido de carbono, que depois “é exalado”. Aquilo que se transforma em água, é expelido quando transpiramos e vamos à casa de banho.

No entanto, por esta lógica, poderíamos pensar que quanto mais respiramos, mais gordura é convertida em dióxido de carbono. “A resposta é não. A chave para perder peso está em comer menos e mexer-se mais”, explica a nutricionista.

O emagrecimento lento é o melhor

Mas não pode comer menos e mexer-se mais de forma desmesurada e sem sentido. “Alguns cuidados devem ser tidos em consideração: a velocidade do emagrecimento, por exemplo, se for muito rápida, pode ser prejudicial por alguns motivos, como uma grande perda de massa magra [músculo], desequilíbrios hormonais e intoxicação.”

Há que ter as toxinas em consideração. Quanto maior for o peso, mais elas estão presentes. Entram no nosso corpo, muitas vezes por via da alimentação, sobretudo quando há produtos com corantes, conservantes, adoçantes e pesticidas. Depois, escondem-se no tecido adiposo (gordura) e no fígado, para que “não façam mal a órgãos vitais como cérebro, coração e rins.”

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Quando emagrecemos, estas toxinas também são expulsas dos sítios onde estão armazenadas. “A quebra rápida da gordura liberta estes poluentes no sangue, que além de já estarem no fígado e no próprio tecido adiposo, podem migrar até ao cérebro, causando inflamação.”

Ou seja, não tenha pressa. Faça tudo devagar e nunca de forma restritiva. Treine e faça uma dieta rica em alimentos anti-inflamatórios e antioxidantentes, para que o organismo fique mais protegido quando o processo de oxidação estiver a correr.

“O ideal é que o emagrecimento seja lento, acompanhado de exercício físico e com uma dieta rica em substâncias anti-inflamatórias e antioxidantes, que protejam o organismo durante todo o percurso e facilitem a destoxificação de toxinas”, diz. “Isso fará toda a diferença, inclusive para que não haja o famoso efeito sanfona [recuperação rápida do peso].”