AKK, mini Merkel ou Merkel 2.0: Quem é a mulher que sucede Angela à frente da CDU?

Chama-se Annegret Kramp-Karrenbauer e tem 56 anos. Católica, gosta de AC/DC e tem uma visão mais restrita sobre a política dos refugiados.

Kramp-Karrenbauer derrotou Friedrich Mer (antigo rival de Merkel) nas eleições internas do partido democrata cristão alemão

Quis ser parteira, ainda pensou ser professora, mas sagrou-se política e pode vir a ser a próxima chanceler alemã. Tem um nome tão grande que os alemães resolveram o assunto reduzindo-o  auma sigla que faz lembrar uma arma: AKK. As três letras são as iniciais de Annegret Kramp-Karrenbauer, a mulher de 56 anos que sucede Angela Merkel na liderança da CDU (União Democrata-Cristã) na Alemanha.

A sua eleição, na sexta-feira, dia 7 de dezembro, é só mais um passo de uma carreira política iniciada em 1981. A preferida de Angela Merkel nesta corrida, que deixa assim a chefia da CDU depois de 18 anos no lugar, tem 56 anos e nasceu numa pequena cidade à beira do rio Sarre, crescendo em Püttlingen, também no sudoeste da Alemanha.

O pai era diretor de uma escola, a mãe, dona de casa, e é a quinta de seis filhos do casal. Cresceu católica, lembra a agência Reuters, cumprindo a tradição de ir todos os domingos à missa e de não comer carne às sextas-feiras. Talvez isso explique algumas posições mais conservadoras, mas já lá vamos.

Estudou Ciência Política e Direito na Univerisdade de Trier, fez o mestrado em Ciências Políticas na Universidade de Saarland e há 37 anos juntou-se à CDU. Foi a primeira mulher a assumir alguns cargos políticos, como o de ministra estadual do Interior e a de chefe do governo do estado federado do Sarre. 

Annegret Kramp-Karrenbauer afirmou que não era o seu plano original ter uma carreira política, mas uma série de “coincidências felizes” ajudaram-na a chegar lá. A eleição, em fevereiro passado, com 98,9% dos votos para secretária-geral do CDU foi um grande passo que não se repetiu agora, o que faz antever algumas dificuldades à frente da CDU: em Hamburgo, na sexta-feira, venceu com 51,8% dos votos Friedrich Merz, rival de longa data de Merkel.

A favor do acolhimento de refugiados, não partilha da visão de “portas-abertas” como Angela Merkel. Já disse que se cometeram erros e defende um crivo mais apertado a quem entra no país. Defensora dos direitos das mulheres, já expressou opiniões mais conservadoras sobre o casamento. Segundo a BBC  manifesta preocupações nos direitos totais de adoção a casais do mesmo sexo, e é a favor do restabelecimento do serviço militar ou social durante um ano.

Ao longo da sua campanha para este cargo, AKK mostrou apreço pelo trabalho de Angela Merkel: “Nós ficamos sempre sobre os ombros dos nossos antecessores”, disse numa entrevista à televisão alemã. Apesar de vários analistas políticos e meios de comunicação social a apontarem como uma versão 2.0. da atual chanceler alemã, a própria esclareceu no seu discurso de vitória: “Eu tenho lido bastante sobre quem sou e como sou: ‘mini’, uma cópia, mais do mesmo. Caros delegados, apresento-me perante vós como a vida me fez e estou orgulhosa disso. (…)Tenho 56 anos, criei, com o meu marido, três filhos, há 18 anos que tenho responsabilidades governativas. Não tenho nada de ‘mini’. A um homem de 56 anos ninguém chamaria isso”.

AKK é conhecida por ser workaholic: chegou a trabalhar numa cama de hospital após um acidente de carro, e a BBC descreve-a  “como uma política pragmática e equilibrada, com um estilo despretensioso e uma reputação de análise calma e perspicácia política”. Já o jornal “The Guardian” afirma que quem conhece AKK identifica as suas origens rurais da política como determinantes para a “natureza realista e do forte senso de confiança pelos quais ela é bem conhecida”.

Mãe de três rapazes e casada há 34 anos com um engenheiro de minas, que deixou o seu emprego para cuidar dos filhos do casal e assim permitir que a mulher de dedicasse à carreira política, afirma-se como fã da banda AC / DC e de futebol (integrou o  Conselho de Curados da FIFA para o Mundial de Futebol Feminino em 2011) descreve-se como um rato de biblioteca e orgulha-se de cozinhar bem sopa de carne.

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