Uma infeção urinária que não seja tratada pode originar graves problemas

Nalguns casos podem complicar e atingir os rins, com potencial de sépsis e até morte. Um ginecologista explica.

Aumentar a ingestão de líquidos é importante, mas está longe de ser a única resposta

Getty Images/EyeEm

Começa com um pequeno ardor a urinar, logo a seguir parece que não consegue sair da casa de banho. Há sempre uma sensação de desconforto na região da bexiga, e a sensação de que nunca a consegue esvaziar completamente. A grande maioria das pessoas reconhece imediatamente os sintomas e sabe do que se trata: infeção urinária. Talvez baste beber muita água e esperar que ela passe sozinha.

Aumentar a ingestão de líquidos é importante, mas está longe de ser a única solução. Na verdade, uma infeção urinária que não seja tratada pode originar graves problemas — e, em casos mais dramáticos, até a morte.

“As infeções urinárias, conforme o nome indica, são processos infecciosos (habitualmente por bactérias) do trato urinário. As mais frequentes são as infeções baixas, confinadas à bexiga (cistites)”, explica à MAGG o ginecologista Pedro Vieira Baptista. “Nalguns casos podem complicar e envolver o trato urinário superior (rins), com potencial de sépsis [infeção generalizada do organismo] e até morte.”

Como é que apanhamos uma infeção urinária?

Entre 25 a 30% das mulheres entre os 20 e os 40 anos vão desenvolver, em alguma altura da sua vida, uma infeção urinária. Apesar de não ser uma doença exclusivamente feminina, por questões anatómicas as mulheres são mais afetadas. De acordo com o ginecologista Pedro Vieira Baptista, isto deve-se à “uretra mais curta, proximidade da vagina e reto.”

Apesar das infeções urinárias poderem acontecer sem razão — é o caso da chamada bacteriúria assintomática, que só é detetada em exames de rotina uma vez que não há sintomas associados. “Normalmente não é necessário tratamento, sendo a gravidez, a realização de procedimentos urológicos e os transplantados renais exceções.”

Ainda assim, há comportamentos de risco que podem de facto comprometer o bom funcionamento do trato urinário:

— Atividade sexual;
— Malformações no trato urinário;
— Litíase renal (cálculos renais);
— Obstrução ao fluxo (por exemplo, o aumento da próstata);
— Algaliação;
— Depressão do sistema imunitário;
— A uretra mais curta e traumatismo do coito são fatores facilitadores do acesso de bactérias ao trato urinário, as quais posteriormente podem levar ao desenvolvimento de infeções urinárias;
— As mulheres na pós-menopausa são mais propensas a infeções urinárias;

Então e o que é que podemos fazer para prevenir infeções?

— Esvaziamento regular da bexiga, evitando grandes períodos sem urinar;
— Ingestão de um bom volume de líquidos;
— A limpeza vulvar após a micção deve ser realizada da frente para trás, de modo a reduzir o risco de contaminação da uretra e, subsequentemente, da bexiga.
— Micção pós coito;
— No caso das mulheres na pós-menopausa pode ser útil a reposição vaginal de estrogénios e eventualmente o consumo de arando.

A partir de que altura é que devemos consultar um médico?

“Sintomas como dor, micções mais frequentes, necessidade de levantar durante a noite para urinar e sangue na urina devem motivar avaliação médica”, explica o ginecologista. “Febre, dor nos flancos ou mal estar associados a quadros urinários devem motivar avaliação urgente”.

Não tratar uma infeção urinária não é opção. Até porque os riscos podem ser fatais: além do envolvimento renal já referido, que pode originar sépsis e potencial risco de morte, podem verificar-se danos permanentes nos rins, sintomatologia urinária baixa persistente e aumento do risco parto pré-termo nas mulheres grávidas.

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