Jameela Jamil: as 6 polémicas de uma atriz que luta contra os padrões de beleza. E não só

Sem papas na língua, não diz que não a uma boa discussão no Twitter e a apontar o dedo a quem colabora com o patriarcado.

Atualmente é Tahani na série "Good Place", mas ultimamente tem ficado mais conhecida pelas suas opiniões fortes sobre as Kardashians e o Photoshop

É atriz e ativista, mas já foi apresentadora e modelo. Jameela Jamil é uma das figuras do momento, não só pelo sucesso da sua série “Good Place” como pelas lutas que trava nas redes sociais.

Começou a sua carreira como apresentadora de televisão no canal “E4” e estreou-se como atriz na série da NBC “The Good Place”, com a socialite Tahani. Para além disso, tem um projeto de Body Positivity, “I weigh“, que pretende alterar o conceito de valor próprio e desconectá-lo das questões da aparência.

Descreve-se como uma “femininista em processo” e utiliza as suas redes sociais (InstagramTwitter) para dar opinião e apontar o dedo a tudo aquilo de que discorda, em particular questões relacionadas com o corpo e com padrões de beleza.

Estas são as seis principais polémicas em que a atriz esteve envolvida.

Os chás detox e a indústria das dietas

Jameela é bastante crítica da indústria dietética e das celebridades e influencers que promovem este tipo de produtos, considerando este tipo de conteúdo ‘tóxico’ e enquadrado num contexto de body-shaming.

Em maio deste ano, partilhou uma fotografia em que Kim Kardashian promovia uns doces supressores de apetite e acusou-a de ser uma “influência tóxica para as raparigas mais novas”.

No mês passado, a atriz publicou um vídeo em que critica e ridiculariza os chás detox, tão promovidos no Instagram. Mais tarde publicou também uma fotografia, em que desejava que as celebridades que publicitam este tipo de produtos (como a Cardi B, Iggy Azalea, Amber Rose, and Khloe Kardashian) tivessem embaraçosos problemas intestinais como punição por influenciarem várias mulheres a comprar e consumir estes chás. Continuando o tópico, Jameela escreveu ainda que se essas celebridades quisessem promover um estilo de vida mais saudável, publicariam “descontos dos seus médicos, chefs, treinadores pessoais ou cirugiões plásticos”.

“Se quiseres ‘refrear o teu apetite’, come uns malditos vegetais  ou come uma sopa nutritiva. Não bebas estes chás de “desintoxicação”. Tu precisas de fibra! É algo que honestamente só te vai causar diarreia no dia (…)”, aconselhou ela no Twitter.  Para além disso, reforçou a necessidade de falar com um médico ou especialista em desporto na hora de adotar um estilo de vida mais saudável em vez de “aceitar conselhos sobre dietas de mulheres que não sabem nada sobre nutrição ou valores éticos básicos da publicidade”.

A família Kardashian-Jenner

Apesar de a família Kardashian já estar integrada no rol de famosos criticados por promoverem produtos dietéticos, Jameela Jamil parece ter mais algumas críticas a fazer à família mais famosa de Calabasas.

Numa entrevista a um podcast do Channel 4, descreveu os Kardashian como “agentes duplos do patriarcado” e disse que a sua influência nas mulheres era perigosa. “É um lobo em roupas de ovelha: só porque são mulheres, confiamos nelas e achamos que estão do nosso lado, mas a verdade é que estão a vender-nos algo que realmente não nos faz sentir bem. Estamos a comprometer a nossa autoconsciência”, explicou a atriz.

Segundo a britânica, este tipo de comportamentos pode ser feito de modo inconsciente, mas ainda assim “divulgam a narrativa do patriarcado, beneficiando com ela e ganhando dinheiro”. Ao longo da entrevista, Jeemela fala de ganância nestas atitudes: “Eu considero isto inaceitável. Quanto mais dinheiro tu precisas? Quanto mais dinheiro precisam estas grandes influencers que valem milhões (…)?”.

O conceito de Plus size

A indústria da moda não escapou às críticas da atriz: “Acho revoltante como nesta indústria os números superiores a 10 são definidos como ‘plus size’, especialmente quando o tamanho médio utilizado no Reino Unido é o 16”. A atriz continuou e defendeu que “não devia existir segregação de mulheres que utilizam tamanhos acima de 16, todas as mulheres deviam conseguir usar roupa bonita”.

A atriz é contra o próprio termo de ‘plus size’: “O conceito é tão depreciativo e esquisito. O que isso significa? Além do tamanho normal? Não deveria existir mais (…)”, defendeu Jameela ao “Daily Mirror”, em 2015. Estas declarações surgiram na apresentação da sua linha de roupa inclusiva, “Simply Be”, com tamanhos que iam do 10 ao 32.

A série da Netflix “Unsatiable” e o fat shaming

A atriz criticou a história da série “Unsatiable” da Netflix afirmando: “Não gosto das premissas da série… Uma adolescente para de comer e perde peso, e, por isso, quando passa a ser ‘convencionalmente atraente’, vinga-se dos colegas de escola? Isto diz às crianças que perder peso é ganhar. O fat shaming é inerente e bastante perturbador“.

Jameela usou este momento para reforçar que a vingança nunca é a solução (mesmo face ao bullying) e que morrer à fome para emagrecer também não é algo aceitável.

O Airbrushing e o Photoshop

Para Jameela, o Photoshop e a sua ferramenta de airbrushing (que retira marcas como estrias, rugas ou olheiras) deviam ser ilegais. “Eu penso que é uma ferramenta nojenta, usada como arma sobretudo contra as mulheres e que é responsável por muitos mais problemas do que percebemos, porque estamos cegos pelos media, pela nossa cultura e nossa sociedade”, sublinhou a atriz na BBC 100 Women.

Coerente com estas declarações, a britânica anunciou que nunca mais deixaria que nenhuma das suas produções fotográficas fosse retocada. Argumentou que isso era prejudicial para a sua audiência bem como para a sua autoestima, acusando este tipo de ferramentas de promover fobias e preconceitos.

A exposição do corpo feminino

Desengane-se quem acha que a própria Jameela não é alvo de críticas. Diz estar num processo para se tornar feminista, contudo tem sido acusada de pontos de vista anti-feminista relativamente à exposição do corpo feminino e a determinados conteúdos sexuais ou provocantes.

No passado, a atriz utilizou uma coluna de opinião no site “Company” para criticar as fotografias de Instagram em que Rihanna aparecia sem cuecas e implorando-lhe que escondesse a sua ‘genitália’.

Miley Cyrus foi outra das visadas. O  “The Guardian” reportou uma notícia em que Jameela Jamil acusava a cantora de usar a sua sexualidade e a sua vagina como forma de ganhar uma plataforma e de alcançar sucesso. A britânica afirmou que a performance de Miley nos MTV Video Music Awards (com o conhecido “twerk”) era mais um “contributo para a objetificação do corpo da mulher”.

No seu blog, Jameela acusou ainda Beyoncé de se “comportar como uma stripper” com “as suas nádegas separadas por um poste… esfregando-se num piano” no seu videoclip da música “Flawless”. Este artigo foi altamente reprovado e a atriz acabou por o eliminar.

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